segunda-feira, julho 14, 2008

O Mundo Encantado do Ultraje À Rigor (ou Roger Pan na Terra do Nunca) - Belo Horizonte, 12 de Julho de 2008




A banda Ultraje À Rigor passou por BH nesse fim de semana e eu meio que caí de pára-quedas no show dos caras, depois de sair de uma sessão de cinema, na qual vi o filme “Pequenas Histórias” de Helvécio Ratton (recomendo aos leitores!!!), resolvi dar uma volta solitária pela cidade, porém, encontrei casualmente com minha amiga Natália num bar e ela acabou me convencendo a ir ao show do Ultraje (eu tinha a intenção de ir ao do Lulu Santos caso fosse a algum show nesse dia). Para variar, a mesma estória de sempre na hora de comprar o ingresso, já haviam esgotado as entradas e eu me recusava a pagar o preço caro cobrado pelos cambistas, mas com a filosofia do “deixar fluir” (quem leu aqui sobre o show dos Mutantes vai entender) consegui o que imagino ter sido o último ingresso vendido naquela noite de um sujeito que parece ter levado um bolo de alguém. Lá dentro encontramos com nosso brother Gabriel e foi só deixar rolar o som...
O Ultraje subiu ao palco com Roger Moreira (o eterno Ultraje) na guitarra e voz, o também velho de guerra Sérgio Serra na guitarra, Mingau no baixo, Bacalhau na bateria, Manito (Os Incríveis) no sax e percussão e desfilou uma série crescente de hits: Zoraide, Rebelde Sem Causa, Inútil, Jesse Go, Eu Me Amo, Independente Futebol Clube, Mim Quer Tocar, Eu Gosto de Mulher, Ciúme, Nós Vamos Invadir Sua Praia, Terceiro, Sexo!!, Pelado, Maximillian Sheldon, Filha da Puta, Volta Comigo, O Chiclete, Marylou, Nada A Declarar e seus tradicionais covers dos anos 50 e 60 Let´s Twist Again, Barbara Anne (que ficou só na introdução porque Roger se deu conta que o cara que fazia o vocal agudo não estava no show), e uma inesperada Paranoid do Black Sabbath em nome do Dia Mundial do Rock (depois da meia noite), o que me fez ficar pensando como o rádio antigamente era muito mais variado permitindo a uma banda do rock nacional ter tantos êxitos no dial junto com artistas dos mais variados estilo ao contrário da mesmice que acontece hoje com uma ou duas duplas sertanejas mais uma banda de axé sendo executadas até a exaustão e substituídas por outras do mesmo naipe duas semanas depois. As músicas do Ultraje ainda estão na boca de todo mundo.


Quanto ao show em si foi muito bacana ver a casa lotada para receber a banda e a energia que Roger esbanja aos 51 anos de idade, e também deu para entender porque Sérgio Serra saiu do Barão Vermelho. Segundo consta, Frejat odiava seus solos longos. Serra parecia um adolescente querendo mostrar aos amigos do bairro que sabia tocar insistindo em não calar sua guitarra nem nos intervalos das músicas ou durante alguns minutos em que Roger afinava sua guitarra, solava atropelando os vocais de Roger e por aí vai... nada que desabonasse o show, teve quem curtiu muito esses solos dele. Em alguns momentos me senti teletransportado aos anos 80 (por acaso esse show fazia parte de uma festa dos anos 80, mas não me recordava disso durante a noite). Outro momento bacana foi a participação especial do presidente de um fã-clube da banda tocando a música Mauro Bundinha. Roger cantando esse repertório parece um Peter Pan, um cara que não quer “crescer” e o Ultraje uma banda nada pretensiosa que se recusa a evoluir. Não sei o porquê mais alguma coisa me diz que isso é ROCK´N´ROLL!!!




Fotos: Natália Santana; na última, a fotográfa, Gabriel (de boné camuflado), Eduardo(de barba) e o autor do blog se preparam para soltar a voz no refrão de Filha da Puta.