domingo, agosto 30, 2015

Eric Clapton - Unplugged (1992)




Eric Clapton Unplugged foi o primeiro dos projetos acústicos lançados pela emissora MTV a render uma grande repercussão e vendagem de discos. O álbum foi top 1 da revista Billboard, rendeu seis prêmios Grammy ao músico e vendeu 24 milhões de cópias. Nem sempre esses prêmios e posições nas paradas querem dizer muito. É sabido como essas coisas podem ser manipuladas, comercial e politicamente, e que elas não são, necessariamente, indicadores de qualidade. Mas, no caso desse Unplugged, o trabalho realmente justifica seus méritos. Grande parte desse sucesso foi sustentando pela canção "Tears In Heaven" e a brilhante regravação de "Layla".

O disco abre com "Signe", instrumental despretensioso escrito por Clapton, cuja função era mesmo a de servir como um leve prelúdio do show feito para a TV. Na sequência Clapton ataca com dois blues, "Before You Accuse Me"  de Bo Diddley e "Hey Hey" de Big Bill Broonzy  que explicitam o quanto o músico domina o estilo. Mesmo tendo abordado vários estilos ao longo da carreira, como o rock, o reggae, o pop, a soul music, Clapton tem suas raízes musicais fincadas no blues que sempre aparece em seus trabalhos. O grande hit do disco, "Tears In Heaven" foi composta por Clapton em parceria com Will Jenenings em razão da perda de seu filho Connor de apenas 5 anos que faleceu ao cair do 53º andar do prédio em que morava na cidade de Nova York. A música havia sido lançada um ano antes na trilha sonora do filme Rush totalmente assinada por Clapton que também resultou num trabalho primoroso. "Lonely Stranger" é daquelas baladas que "só um rockeiro sabe fazer". Um dos grandes momentos do Clapton compositor que se une com maestria ao intérprete genial. "Nobody Knows You When You´re Down and Out" de Jimmy Cox é outro clássico do blues revisitado por Eric. O blues, sem dúvidas é o que guia este álbum. A inesperada versão de "Layla", clássico absoluto da carreira de Clapton, foi a investida mais ousada do disco, despida das marcantes linhas e riffs de guitarra da versão original, e o belo solo de piano tocado pelo baterista Jim Gordon (que assina essa composição com Clapton), transformando o estridente rock, numa balada sutil. O vocal rasgado e gritado torna-se suave, quase sussurrado. Talvez nem mesmo seu autor, esperasse que essa nova abordagem da música alcançasse tamanha relevância em seu repertório. "Running On Faith" de Jerry Lynn Williams, gravada originalmente por Eric em 1989 no disco Journeyman, é outro dos grandes sucessos apresentados no disco. Esta permanece mais próxima do original, até mesmo pela proximidade dos períodos das gravações. Da obra de seu grande ídolo e lenda mor do blues, Robert Johnson, surge "Walkin' Blues" e "Malted Milk" que Eric toca com absoluta autoridade. "Alberta" música tradicional com arranjo de Huddi Ledbetter e "San Francisco Bay Blues" de Jesse Fuller são outras músicas pinçadas do repertório blues que fizeram a cabeça a do jovem Eric Patrick Clapton e que ele apresenta com um misto de reverência e respeito aos velhos mestres. Também do disco Journeyman (e da mesma forma ficando mais próxima do original) é a música, "Old Love", parceria entre Clapton e o guitarrista Robert Cray. "Rollin' & Tumblin" de Muddy Waters fecha o disco num clima agitado de rythm and blues, de forma improvisada e despretensiosa, como a faixa de abertura.

Um dos pontos que mais fortalecem esse disco, junto ao repertório, e justifica o nome de "Unplugged" (Acústico) ao disco, é o domínio com que Eric Clapton toca violão. De importância inquestionável no trato da guitarra elétrica, ele toca violão com cordas de nylon, aço e um de 12 cordas com as pegadas características de cada um deles. Seja no dedilhado no violão com cordas de nylon de "Tears In Heaven" e "Lonely Stranger", seja na pegada mais blues/folk de "Layla", ou no slide de "Running On Faith". Na banda, os velhos companheiros, Nathan East no baixo, Andy Fairweather-Low no violão, Chuck Leavell nos teclados, Steve Ferrone na bateria, Ray Cooper na percussão, Katie Kisson e Tessa Niles nos backing vocals. O disco que teve produção de Russ Titelman, parceiro de Eric em outras empreitadas, tornou o formato "unplugged" tão popular que o conceito quase se tornou um "estilo de música". Em seus shows, os sets "acústicos" também viriam a ser sempre um momento marcante. Porém, com a sabedoria de quem estava no ramo há muito tempo e de como são frívolas algumas variantes do mercado,  no disco seguinte, ele se concentraria na gravação de um disco de clássicos do blues From The Craddle (sendo essa a ligação com o "Unplugged"), mas totalmente eletrificados. Vivendo um momento difícil com a perda do filho, Clapton se apoia no blues, canta e chora seus lamentos em seu violão, porém consegue manter a austeridade e equilíbrio de um velho bluesman para seguir na estrada.



Ainda: segue a campanha de financiamento coletivo do Workshop do Quarto Para O Mundo de AugustoLicks em Belo Horizonte. Já foram arrecadados 22% do total do projeto. Para saber mais, participar e/ou colaborar: http://www.kickante.com.br/campanhas/augusto-licks-workshop-do-quarto-para-o-mundo-em-bh

domingo, agosto 23, 2015

Augusto Licks - Workshop "Do Quarto Para O Mundo"




Nos últimos dois anos, ele foi citado com freqüência nas postagens do rockngeral na retrospectiva discográfica que fiz sobre sua carreira com os Engenheiros doHawaii. Agora, Augusto Moacir Licks reaparece por aqui numa das melhores notícias do ano para os músicos em geral e apreciadores de seu trabalho. Ele pode ter confirmado uma edição de seu workshop “Do Quarto Para o Mundo” em Belo Horizonte (cidade natal e residência deste que vos escreve). Organizado por Rodrigo Pedrosa e Manu Meneses, o workshop está em campanha no site kickante e uma vez que o financiamento seja concluído, Augusto Licks estará na capital mineira no dia 17 de outubro para a realização do evento. A campanha vem conquistando rápida adesão de músicos e estudantes, bem como de fãs interessados em apoiar o workshop e que embora não possam participar, seja por não serem músicos ou impossibilidade de estar na cidade na data do evento, receberão recompensas como palhetas personalizadas, posters, entre outros brindes elaborados pela produção. 
  
Uma das recompensas dos colaboradores da campanha será a participação em um Grupo Privado no Facebook que está prestes a ser lançado. Segundo informação obtida pelo rockngeral em primeira mão junto à produção do workshop, os participantes se surpreenderão com o conteúdo e depoimentos do próprio Augusto para o grupo.


Além do trabalho de sete anos com os Engenheiros do Hawaii, fase que rendeu os discos mais marcantes e de maior vendagem da carreira da banda, Licks tocou com o músico gaúcho Nei Lisboa nos anos 1980 com quem também registrou algumas parcerias. Depois de sua saída da banda atuou na composição de trilhas sonoras para cinema e teatro. Também realizou trabalhos como jornalista em rádio e TV, além de ter sido colunista de futebol para o Estado de São Paulo Online.


Para mim é uma grande satisfação pode colaborar com esse projeto e assistir ao workshop realizado pelo guitarrista brasileiro que mais me influenciou no caminho que venho trilhando na música até aqui. Certamente uma oportunidade única para os músicos belo-horizontinos que poderão conferir dicas de Augusto Licks sobre a carreira musical, instrumentos, produção e tecnologia. Com duração de quatro horas, participação limitada a trinta pessoas e planejado para ser bastante interativo com metade do tempo sendo direcionado ao músico responder às perguntas dos participantes, o público terá uma rara oportunidade de tirar dúvidas sobre as mais diversas variáveis da carreira musical.


Durante toda a duração da campanha de financiamento, as postagens do rockngeral trarão sempre os links e um acompanhamento de como anda o projeto.


Para saber mais detalhes, colaborar ou participar acesse as páginas no site kickante e no facebook



Sobre o Augustinho você também encontra mais informaçãos no blog: https://augustolicks.wordpress.com/

domingo, agosto 16, 2015

Paul McCartney - Many Years From Now – Barry Miles




Publicado em 1997, Many Years From Now é a biografia autorizada de Paul McCartney escrita por seu amigo Barry Miles. A caprichada edição brasileira manteve o título original (um verso extraído da canção "When I’m 64") em inglês mesmo (curiosamente a editora, DBA também tem nome no idioma oficial do velho Macca,  Dórea Books And Art). 


Essa biografia tem um sabor quase de uma autobiografia, uma vez que o autor sendo amigo de Paul realizou diversas entrevistas com ele com um acesso que nenhum outro biógrafo teria, o que faz com que a obra tenha uma grande série de depoimentos até então inéditos do beatle. Embora apresente certa isenção, Barry Miles provavelmente não escreveu nada que o músico não gostaria de ler. O que não desabona o livro, já que é sempre bom conhecer a história do ponto de vista de quem realmente a viveu. E juntando outros depoimentos e livros, podemos ter um recorte razoável, e digamos talvez mais real de como de fato as coisas se deram. Alguns livros citados na enorme bibliografia que consta no final do livro são boas recomendações para isso.


O livro foca mesmo na fase beatle da carreira de Paul, relegando os Wings e a carreira solo a um breve resumo que consta no posfácio. Uma das críticas que ouvi de alguns fãs dos Beatles foi o fato de ao comentar cada uma das canções compostas com John Lennon, Paul tenha quantizado qual foi a participação de cada um na música, como “Drive My Car” que ele diz ser 70% sua ou “Girl” que ele atribui mais a John, embora ressalte que também contribuiu bastante. Mas, ele também se alivia ao mencionar que entre ele e John só duas músicas suscitaram desacordo quanto ao papel de cada um em suas composições, “In My Life” e “Eleanor Rigby”.


Many Years From Now revela muito da intensa vida social e artística de Paul nos anos 60 na “Londres Vanguardista” (esse inclusive é o título de um dos capítulos) e como ele influenciou e foi influenciado naqueles dias que revolucionaram tanto uma época que ainda hoje não parece ter sido superada culturalmente. Uma frase de Paul logo no início do livro resume bem essa ideia: “Sinto como se os anos 60 ainda estivessem para acontecer. Eles me parecem um período mais no futuro do que no passado”.

segunda-feira, agosto 10, 2015

Rolling Stones – Voodoo Lounge (1994)





Embora tenham realizado bons trabalhos com Bridges to Babylon (1997) e A Bigger Bang (2005), Voodoo Lounge é até então o último grande disco de estúdio dos Rolling Stones, capaz de figurar ao lado dos álbuns clássicos de sua carreira como Sticky Fingers (1971) ou Exile On Main St. (1972), por exemplo. Às vésperas de embarcaram numa monumental turnê mundial que viria a ser tornar a mais lucrativa da história até então, eles conseguiram o que toda banda projeta nessa situação, ter um álbum de sucesso tocando nas rádios. Pelo menos nos idos de 1994, isso ainda era fundamental antes da banda cair na estrada. (Tive o prazer de conferir um show dessa turnê. Exatamente o primeiro da banda no Brasil, realizado no Pacaembu em janeiro de 1995, mas isso fica para outra postagem).

As quinze músicas que constam no CD foram extraídas de uma lista de cerca de 70 canções que a dupla Jagger-Richards compôs para o trabalho. O resultado foi um álbum duplo primoroso. Começando pela faixa de abertura “Love Is Strong” puxada pela bateria de Charlie Watts anunciando a banda com a marcante guitarra de Keith Richards, o slide de Ron Woods e a gaita maliciosa tocada por Mick Jagger. A banda não foge de sua temática principal: canções de amor... ou melhor canções de sexo com um pouquinho de amor. Assim também é “You Got Me Rocking”, o rock rascante e pulsante que surge em seguida. No baixo, a novidade é o músico Darryl Jones, contratado depois da saída de Bill Wyman, membro original da banda. “Sparks Will Fly” mantém o pique “pra cima” do disco em mais um rock acelerado. O tradicional solo vocal de Keith Richards é também a primeira balada do disco, “The Worst”. Uma das melhores canções da discografia da banda com Keith nos vocais. O colorido extra da música fica por conta do pedal steel tocado por Ronnie Woods e o violino de Frankie Gavin. Jagger volta aos vocais também na balada “New Faces”, outro bom momento do disco, aonde o cravo tocado por Chuck Leavell é que dá a tônica. “Moon Is Up” afina um pouco a banda com a sonoridade da época, porém nada que faça a banda perder suas características. “Out Of Tears” retorna ao universo das baladas, dessa vez com o piano na condução. “I Go Wild” mostra a agressividade clássica da banda com pulsação forte e, não dá pra fugir do trocadilho, selvagem. Uma guitarra melindrosa com wah-wah tocada por Keith apresenta “Brand New Car” e somada ao sax de David McMurray fornecem o charme e particularidade da faixa no disco. Com um clima bem latino, “Sweethearts Together” vem com o acordeom de Flaco Jimenez e violão de nylon. O roquinho suingado “Suck In The Jugular” talvez seja a faixa menos inspirada do álbum, mas é imediatamente compensada por “Blinded By Rainbows”, outra grande balada, dessa vez com uma bela guitarra com efeito de tremolo em primeiro plano, mostrando a versatilidade e bom gosto de Keith Richards que não nos deixa esquecer a importância de uma boa guitarra base e como fazer uma textura eficiente com o instrumento. “Baby Break It Down” é uma amostra do lado rythm’n’blues dos Stones. Keith reaparece nos vocais em “Thru and Thru”, mais uma bonita balada na qual ele  também realiza outro interessante arranjo de guitarra numa linha mais blues. O fôlego final vem na faixa “Mean Disposition” na qual a banda acelera o ritmo novamente lembrando que o Rock'n'Roll não pode parar. Produzido por Don Was e os Glimmer Twins (codinome da dupla Jagger-Richards), “Voodoo Lounge” é um daqueles discos de rock para se ouvir em volume alto, e o vizinho que tenha paciência, ou agradeça por você ter bom gosto pelo menos!

O disco tem um instigante projeto gráfico com a capa estampando um desenho do que seria o “Voodoo Lounge”. Nome dado por Keith Richards a um gato de rua que ele adotou e que ficava no estúdio enquanto a banda gravava. No encarte a banda aparece em fotos com suas imagens avermelhadas e num fundo preto que nos leva a pensar num ambiente de pecado, seja um rendez-vouz, ou seja o próprio inferno que aparece de forma explícita num extrato da foto de Jac Remise intitulada “Satan’s Play Room” (sala de jogos de Satã) presente em seu livro “Satan’s Daily Life In The 19th” (Diário da vida de Satã no Século XIX), no qual várias caveiras se divertem num ambiente de jogatina. A língua símbolo da banda aparece em nova versão na contracapa, agora prateada e cheia de espinhos.




Entregando a idade: quando terminava de escrever a resenha em questão, lembrei que durante muito tempo ouvi esse disco através de uma fita K7 que gravei de um CD alugado. Os mais jovens talvez nunca tenham ouvido falar em locadora de CDs, mas isso existiu por um breve período em meados dos anos 1990.

domingo, agosto 02, 2015

Nos Bastidores do Pink Floyd – Mark Blake






Editado originalmente em 2007 com o nome bem mais interessante Pigs Might Fly: The Inside History of Pink Floyd, o livro do jornalista Mark Blake é uma aprofundada biografia da banda e seus integrantes. No Brasil, provavelmente devido a questões de marketing, ele recebeu o título menos representativo de Nos Bastidores do Pink Floyd, uma vez que a tradução do título original seria algo como “Os Porcos Podem Voar: Por Dentro da História do Pink Floyd”, tendo aqui os “porcos voadores” uma alusão ao suíno voador inflável que ilustra a capa do disco Animals, e que se tornou parte de alguns shows da banda. 

O Pink Floyd é provavelmente, entre as bandas de grande sucesso surgidas entre as décadas de 1960 e 1970, a que tem sua história mais obscurecida, o que se deveu em grande parte a aversão de seus integrantes à grande mídia, em especial a postura do baixista, compositor e vocalista Roger Waters que evitava ao máximo dar entrevistas. Hábito também cultivado pelos outros integrantes da banda, David Gilmour, Rick Wright e Nick Mason. Esse, aliás, é um dos temas do qual o livro trata, a conturbada relação da banda com a mídia. Há de se dizer que o que não falta na história da banda são relações conturbadas. Assim como foi sua convivência com a imprensa, também foram as relações da banda com as gravadoras, entre os integrantes e mesmo da banda com seu público. (Devido exatamente a essa postura, eu custei para saber um pouco mais a respeito da banda quando comecei a ouvi-la no começo dos anos 1990. Durante algum tempo, uma fitinha k7 gravada de um especial no rádio, um disco de vinil emprestado por um amigo que não trazia nenhuma imagem dos integrantes eram toda a informação que eu tinha sobre o Floyd. A primeira vez que vi a "cara da banda" foi numa resenha publicada numa revista que trazia uma foto não muito nítida dos integrantes sentados na beirada do palco nos anos 1970).

Blake conseguiu equilibrar bem a presença de cada um dos integrantes da banda nas 454 páginas do livro, embora ele fatalmente acabe focando bastante na figura de Roger Waters, e em momento algum ele abandone a existência de Syd Barret na história do Floyd. O autor realizou um esmiuçado histórico do processo de gravação de todos os discos da banda (incluindo também os discos solos) e análise dos mesmos, bem como das turnês que eles realizaram. O texto começa pelo fim, ou por o que foi o último encontro público da banda tocando no dia 2 de julho de 2005, quando a improvável reunião de Waters, Gilmour, Wright e Mason se deu no palco do evento Live 8 em Londres. Vale lembrar que o livro foi publicado um ano antes da morte de Rick Wright. Em seguida, Blake já assume a ordem cronológica dos fatos, buscando lembranças da infância e adolescência dos músicos e dos primórdios da criação da banda, os caminhos que eles trilharam no underground até atingiram o estrelato e a fama com a qual a banda conviveu com certa dose de angustia e descontentamento, fruto da superficialidade gerada pela popularidade. Tema que seria inclusive o mote principal do disco The Wall. O livro retrata de forma bastante direta a verdade musical e psicológica da banda para além do bem e mal.



Ainda: Fatalmente as biografias que me interessam são aquelas que investigam a vida do biografado no sentido em que a mesma dialoga e tem importância com sua obra, mas às vezes também é legal descobrir algumas informações aparentemente bobas como o fato de David Gilmour ter contratado duas bandas covers para tocar em sua festa de 50 anos, uma de Pink Floyd e outra de Beatles, e ainda saber que George Harrison estava presente na festa.