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domingo, agosto 17, 2014

Barão Vermelho - (2004)





Ouvindo esse disco hoje, me assustei ao perceber que já se passaram dez anos desde o seu lançamento, e a correria nossa de todo dia, ainda não me permitiu apreciá-lo como se deve. O lado bom disso é ter um disco que na minha cabeça é praticamente “novo”, já que não o ouvi muito, mesmo o considerando um ótimo trabalho da banda. Da turnê que eles realizaram nesse período tive o prazer de ver cinco shows. 

Esse disco registrou a volta do Barão Vermelho, depois de um intervalo no qual os integrantes se dedicaram a projetos paralelos. Intitulado simplesmente como Barão Vermelho, assim como o primeiro álbum da banda, ele marcou um recomeço que infelizmente viria a ser interrompido com uma pausa a partir de 2007 da qual eles ainda não saíram (exceto para uma curta turnê em comemoração aos 30 anos da banda entre 2012 e 2013).

O Barão retornou ao seu som mais característico com uma pegada vigorosa, lembrando alguns de seus melhores discos como Na Calada da Noite e Carne Crua. “Cara a Cara” do baixista Rodrigo Santos com o baterista Guto Goffi abre o disco e representa bem essa sonoridade com guitarras, violões, baixo e bateria marcantes como deve ser um bom Rock’n’Roll. “Cuidado” de Roberto Frejat (guitarra e voz), Maurício Barros (teclados) e Marcelo Rosauro foi o “single” que lançou o disco, não está entre as minhas prediletas, mas é aquele tipo de música que sempre funciona nos shows (assim como a assustadora “Puro Êxtase” que ao vivo ganhava muito em relação à gravação original no disco homônimo que esteve longe de figurar entre os melhores momentos discográficos da banda). “Mais Perto do Sol” revela mais uma boa melodia composta por Frejat e Rodrigo Santos, e tem letra de Mauro Santa Cecília. “A Chave da Porta da Frente”, parceria de Frejat e Leoni tem um clima latino e mais um bom riff de guitarra, coisa que o Barão talvez tenha feito de forma única no rock nacional. As melhores bandas de rock, sempre souberam fazer belas baladas, e foi o que Frejat, Maurício Barros e Mauro Santa Cecília realizaram em “Pra Toda Vida”. Desconheço o processo de composição através do qual a música foi feita, muito provavelmente letra e música foram feitas de formas separadas, mas elas se fundem de tal maneira que parecem terem sido feitas simultaneamente por um só compositor. Aliás, o letrista Mauro Santa Cecília que já vinha de outras colaborações com o Barão, e registrou várias parcerias nesse disco também está presente, em parceria com Frejat, na adaptação do poema “Embriague-se” de Charles Baudelaire na música que ganhou o mesmo título do poema. Uma ode ao álcool, (Embriague-se, embriague-se de noite ou ao meio-dia, embriague-se numa boa de vinho, virtude ou poesia). “O Dia Em Que Você Me Salvou” de Frejat, Fernando Magalhães (guitarra) e Mauro Santa Cecília, tem algo dos anos 60 e do punk dos 70 nas guitarras e é mais uma das músicas “ganchudas” do disco que acabou não tendo a divulgação que merecia. “Cigarro Acesso No Braço” composta pelo mesmo trio é uma balada com uma letra forte de Mauro ("Vendo o sonho morrer, eu pude perceber, você dormindo hoje ao meu lado, é um cigarro aceso queimando meu braço"). A gravação é de uma melancolia e intensidade profundas. Para quem já foi muito criticado quando começou a cantar, Frejat se revelou com o tempo um bom intérprete que sabe dar o recado como poucos cantores, inclusive uma penca deles que cantam com muito mais técnica. “Tão Inconveniente” de Fernando, Rodrigo, Mauro, Lúci, Tom Capone e Frejat, é outro bom rock do disco que talvez tivesse melhor sorte na década anterior quando ainda se tocava música de qualidade no rádio. “A Máquina de Escrever” foi outra realização muito feliz de Frejat e Guto Goffi que musicaram esse poema de Giuseppe Ghiaroni (creditado com o nome errado no encarte. O poeta já foi musicado também por Erasmo Carlos na música “Sou Uma Criança, Não Entendo Nada”). Uma das melhores, senão a melhor faixa do álbum. “Só O Tempo”, outra colaboração de Frejat, Fernando e Mauro, fecha o disco.

O CD trazia ainda uma faixa interativa (que eu acho uma grande chatice que rolou quando começou a popularização dos computadores e ainda bem que já ficou para trás) através da qual você podia baixar duas faixas bônus, coisa que não fiz porque quando eu ganhei o disco já não estavam mais disponíveis e só consegui conhecer ouvindo de maneira gratuita num site (exatamente o contrário da ideia dos produtores, que era induzir o fã a comprar o disco original e não o pirata ou baixar o mp3 numa época em que as vendas já despencavam de vez no mercado nacional). Uma delas é “Círculos Loops e Repetições” de Frejat, Guto e Mauro que traz mais uma visita do Barão a música nordestina como fizeram em “Pergunte ao Tio José” (letra de Raul Seixas musicada por Frejat e gravada no disco Carne Crua), fundindo baião com rock, aliás, como o próprio Raul ensinou em “Let Me Sing, Let Me Sing” e outras de suas composições. A outra canção bônus se chama “É A Vida”, de Peninha (percussão) e Luiz Carlos Da Vila. Em se tratando de um álbum de 40 minutos numa época em que o CD já era o padrão e os discos já tinham avançado sua duração para até 60 minutos, acho que as duas podiam estar no CD sem a frescura de ter que baixar, mas ao mesmo tempo acho que ambas não acrescentariam muito ao disco que é muito bom por si só. 

Bons arranjos de guitarra, belas melodias e letras com conteúdo, receita infalível de um bom Rock’n’Roll, resultaram num disco maduro, tanto na temática das letras quanto na qualidade musical da banda, porém, sem perder a energia e alegria juvenis do Rock. 

domingo, agosto 03, 2014

André Midani – Música, Ídolos e Poder – Do Vinil ao Download




Nos últimos anos, o lançamento de biografias relacionadas à música têm se tornado mais frequente no mercado editorial brasileiro. Ao mesmo tempo em que parece ter sido descoberto um novo filão, em alguns casos, esses lançamentos acabam resolvendo um atraso sobre uma parte da história da música brasileira sempre relegada aos bastidores. O livro em questão, André Midani – Música, Ídolos e Poder – Do Vinil ao Download foi lançado em 2008 pela Editora Nova Fronteira. 

André Midani, nascido na Síria e criado na França para onde se mudou aos três anos de idade, acabou por se tornar um dos nomes mais importantes da indústria fonográfica brasileira, tendo atuado também no mercado americano e mexicano. Ele chegou ao Brasil em 1955. Antes disso, trabalhou no setor de estoque e como vendedor na gravadora Decca na França. Seu primeiro emprego no Brasil foi na Odeon Records onde esteve ligado diretamente ao lançamento da bossa nova, uma vez que João Gilberto, Tom Jobim e Vinícius de Moraes foram contratados pela Odeon. No mesmo período, Lúcio Alves, Dick Farney, Sylvia Telles, Elza Soares, Anísio Silva, Isaura Garcia, Tony e Celly Campelo também gravavam pela Odeon. Depois de um período atuando pela Capitol Records no México e nos EUA, retornou ao Brasil ainda nos anos 1960 para assumir a direção da gravadora Phillips, tendo sido responsável pelo lançamento de discos de vários artistas ligados à Tropicália, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e os Mutantes; além de Elis Regina, Nara Leão, Chico Buarque, Erasmo Carlos, Jorge Ben, Maria Bethânia, João Donato.  Na época, a Philips fez um anúncio no qual apareciam todos seus contratos e trazia a frase: “Só nos falta o Roberto Carlos...Mas ninguém é perfeito”, pelo fato do artista ser contratado da CBS (hoje, Sony Music). Em 1976, foi o responsável pela inserção da gravadora Warner no país, lançando discos de Tom Jobim, Hermeto Pascoal, A Cor do Som, Marina Lima, Belchior, Zezé Motta, Ney Matogrosso, Banda Black Rio, Raul Seixas, Gil, Elis, Paulinho da Viola e Dona Ivone Lara. No início dos anos 1980, a Warner viria a se tornar um dos principais selos a lançar bandas do rock nacional, entre elas: Barão Vermelho, Titãs, Kid Abelha, Marina Lima, Lulu Santos. Em resumo: Midani atuou diretamente na carreira discográfica de quase todos os artistas brasileiros que estiveram na grande mídia dos anos 1960 aos 1980.

O livro, disposto em pequenos capítulos e numa narrativa que não se aprofunda em detalhes, lembra em alguns momentos a despretensiosa autobiografia de Erasmo Carlos, Minha Fama de Mau (que de tão despretensiosa, Erasmo evitou chamar de biografia dizendo que era apenas um apanhado de casos que se passaram em sua vida). Apesar de carregar a alcunha de autobiografia, Midani não entra muito em questões pessoais, de forma que o livro se torna um histórico de sua vida profissional, deixando-o bastante útil para quem tem interessa na história da música brasileira. Ainda que ele não funcione exatamente como o que poderíamos chamar de registro documental, ele traz muitas informações e questionamentos para quem sabe ler as entrelinhas. Em poucas, porém claras palavras, está nele toda a sujeira que permeou as grandes gravadoras: o surgimento e funcionamento do esquema de jabá; o envolvimento da máfia na indústria fonográfica; a perda da direção das gravadoras por “homens da música” para cair nas mãos de tecnocratas; a pirataria de cassetes e CDs que tomou conta do país nos anos 1990, num esquema fabuloso com origem na China. As palavras escritas por Midani deixam um pouco menos bela a história da música popular brasileira e internacional (ok, essa história nunca foi tão bela mesmo), ainda assim, essas palavras precisavam ser ditas e explicam muito de como o mercado chegou a essa miséria musical que hoje se encontra na grande mídia.

Em tempo: não consigo pensar no André Midani e não lembrar os versos de Raul Seixas na música “Conversa Pra Boi Dormi” (“André Sidami só faz confusão, sonhei com ele e mijei no colchão”).

Ainda: (O livro se encontra disponível para download no site de Midani: http://www.andremidani.net/)

terça-feira, maio 15, 2012

Cazuza - Só as mães são felizes



 
Li Cazuza - Só As Mães São Felizes (Ed. Globo) de Lucinha Araújo na época do seu lançamento em 1997 emprestado do meu amigo Eduardo Dornelas, o maior fã do Cazuza que eu conheço, acabei comprando e relendo-o ano retrasado. Apesar de considerado por sua mãe, Lucinha Araújo, como um relato de sua própria vida e de tudo que passou com o filho, especialmente o drama da AIDS ao qual Cazuza acabou sucumbindo, ele vale sim como uma biografia de Cazuza. Os depoimentos de Lucinha foram dados a jornalista e escritora, Regina Echeverria (autora de Furacão Elis, na minha lista de espera para ser lido e; Gonzagão e Gonzaguinha, uma história brasileira, que li já faz alguns anos e também gostei) que conseguiu dar uma boa forma ao livro e fazê-lo funcionar como um documento histórico. Lucinha Araújo assina o prefácio do livro e acaba sendo o centro dos primeiros três capítulos. Farto em fotos, mas sem descuidar do texto que embora espaçado e com letras grandes tem bom conteúdo.

Ainda que seja uma visão pessoal e passional não há o que se possa questionar no tocante à qualidade do trabalho de Cazuza, inclusive Lucinha Araújo é bastante honesta até quando fala das porra-louquices do filho. O livro dá uma boa repassada na carreira de Cazuza, desde o início com o Barão Vermelho que gerou três discos e uma série de grandes canções com o amigo e parceiro Roberto Frejat que inclusive se repetiu em vários momentos da carreira solo até seu último álbum Burguesia. Os capítulos finais tratam, como não podia ser diferente, do drama com a AIDS numa época em que a doença ainda era pouco conhecida e muito mais vítima de preconceito do que ainda é hoje.

Na última parte ele traz algumas dezenas de páginas com frases e pensamentos de Cazuza extraídos de entrevistas dele ao longo da carreira não tão longa assim, mas suficientemente intensa do autor da frase: “prefiro viver dez anos a mil do que mil anos a dez”.

Ah, para os que não sabem, o título desse blog é inspirado na letra da música Rock'n Geral de Cazuza composta em parceria com Frejat  e lançada por eles no primeiro disco do Barão Vermelho. 


segunda-feira, janeiro 07, 2008

BARÃO VERMELHO – POR QUE A GENTE É ASSIM - A maior banda de Rock´n´Roll do Brasil registra sua história em livro






O lançamento do livro Barão Vermelho – Por Que A Gente É Assim, escrito pelo baterista Guto Goffi em parceria com Ezequiel Neves e o jornalista Ricardo Pinto rendeu um super show em formato jam session no Circo Voador no dia 11 de dezembro de 2007, com os integrantes que já passaram pela banda, trazendo ao palco todas suas formações, exceto claro, a ausência de Cazuza.

A noite foi aberta com uma sessão de autógrafos que contou com os autores e os integrantes atuais da banda embora o Barão esteja novamente “dando um tempo” enquanto os integrantes se dedicam a projetos individuais. Guto bancou o apresentador sempre convidado os integrantes ao palco num show com um clima intimista e totalmente alto astral que começou com a formação que contava com ele mesmo na bateria, Maurício Barros com quem iniciou a banda nos teclados, Tony Rockeiro na guitarra e Cláudio Kayath no baixo que foi a formação pré-histórica da banda. Eles fizeram um número instrumental improvisado. Foram convidados ao palco então o baixista Dé, e Frejat anunciado por Guto como o principal compositor da história da banda. Aí rolaram canções sempre seguindo a ordem cronológica dos discos e suas formações na época. “Bilhetinho Azul” essa apenas com acompanhamento instrumental da guitarra de Frejat na primeira parte e os demais integrantes fazendo os backing vocals para assumirem seus respectivos instrumentos na segunda parte da canção. “Posando de Star” teve Dé no vocal, Sérgio Serra foi chamado ao palco para as canções “Billy Negão” e “Ponto Fraco” ainda do primeiro disco da banda auto intitulado “Barão Vermelho” de 1982. Do álbum “Maior Abandonado” tocaram a faixa título e “Bete Balanço”. Na seqüência tocaram “Declare Guerra” do álbum homônimo, deixando o álbum “Rock´n Geral” de fora. Sem o tecladista Maurício Barros que havia deixado a banda na ocasião do lançamento de “Carnaval” entra em cena “a guitarra inspirada” Fernando Magalhães e o percussionista Peninha, executaram “O que você faz á noite”, parceria de Dé com o Engenheiro do Hawaii Humberto Gessinger. Direto para o disco “Na Calada da Noite” (o álbum anterior havia sido o “Ao Vivo” com os sucessos do grupo) tocaram agora com a presença do baixista Dadi, depois de Dé ter abandonado o barco e o retorno de Maurício Barros, “Tão Longe de Tudo” (com direito ao solo de baixo de Dadi) e “O Poeta Está Vivo”. Para a seqüência do show entra no palco o baixista Rodrigo Santos que assumiu as quatro cordas com saída do “leãozinho” Dadi que foi prestar seus serviços ao mano Caetano. “Pedra, Flor e Espinho” foi a escolhida do disco “Supermercados da Vida”. De “Carne Crua” mandaram “Meus Bons Amigos”. Pulando também o disco “Álbum” de releituras, tocaram “Por Você” do disco “Puro Êxtase”, curiosamente não tocaram nenhuma do disco “Barão Vermelho” de 2004. Para fechar, “Pense e Dance” (com os três baixistas que passaram pela banda tocando juntos) e “Pro Dia Nascer Feliz” com participação de Sérgio Serra deixando a banda também com três guitarras. Depois passaram pelo palco mini-shows com os projetos paralelos de cada integrante (exceto Frejat), Rodrigo mostrou seu projeto solo e também tocou com “Os Britos” (um cover de Beatles totalmente descompromissado) que tem Guto na bateria e o “Kid Abelha” George Israel na guitarra. Fernando apresentou canções instrumentais de seu cd virtual. Maurício também divulgou seu trabalho solo assim como Dadi que encerrou a noite com muita digniDADI (péssimo trocadilho, Guto, hauahuahuahua) já para poucos presentes, embora o Circo estive lotado durante a apresentação do Barão.

Então vamos ao livro que tem orelha assinada por Ney Matogrosso um dos responsáveis pelo aparecimento do Barão no cenário nacional ao regravar a música “Pro Dia Nascer Feliz”. “Barão Vermelho Por que a gente assim” tem seu título emprestado da canção assinada em parceria por Cazuza e Frejat e lançada no segundo álbum da banda “Barão Vermelho 2” e começa exatamente no momento em que Guto Goffi e Maurício Barros decidem montar uma banda, o livro é entremeado por recortes de jornais e revistas; e fotos históricas e raras da banda. Fala de todos os discos lançados (eu acho que isso poderia ter sido mais bem explorado com um faixa a faixa mesmo); os shows mais importantes, desde os primórdios no Circo Voador, aos grandes festivais, como o Rock In Rio I e III (não deixando de citar a segunda edição do festival que eles se recusaram a participar devido ao tratamento dada as bandas brasileiras como a impossibilidade de passar o som), Hollywood Rock ou a abertura para os Rolling Stones em 1995 (que tive a honra de ver naquele dia chuvoso no Pacaembu, ouvir “Quando” e “Quem me olha só” debaixo daquela chuva que durou mais de seis horas foi algo único); juntando-se a isso as furadas turnês em território norte-americano.

Os escritos revelam as polêmicas e envolvimentos com drogas como a prisão, as trocas de integrantes desde a traumática saída de Cazuza e todas as loucuras que podem ser vividas por uma banda de Rock´n´Roll nas estradas da vida. Embora curiosamente muito à vontade para falarem de drogas, o sexo parece ter sido o grande tabu para os hoje barões senhores e pais de família já que nada aparece sobre isso no livro, a não ser por algumas citações sobre casos de Cazuza (não que eu tenha maiores interesses na vida sexual dos barões ou que biografias devam ter seção de fofocas, mas é interessante constatar como as drogas são tratadas com tamanha naturalidade e nenhuma responsabilidade social enquanto sexo permanece um tabu).

No mais, o livro é ótimo e seria interessante termos mais publicações assim mostrando a história da nossa música e também é bom ter um pouco de acesso e saber como funciona a chamada indústria fonográfica brasileira (“pornográfica” como eles chamam no livro). Vida longa ao Rock´n´Roll, vida longa ao Barão Vermelho!!!


Fotos: a capa do livro; e no palco do Circo Voador: Frejat, Dé, Maurício e Guto; Frejat ; Frejat, Guto, Ezequiel Neves e Rodrigo Pinto na sessão de autográfos. Fotos by Bruna Mariana

segunda-feira, julho 30, 2007

Roberto Frejat: Show em Belo Horizonte 14 de julho de 2007


Eu costumo dizer que se existe uma banda de Rock´n´Roll no Brasil essa banda chama-se Barão Vermelho, formada no início dos anos 80 por cinco garotos cariocas, o Barão já completou mais de duas décadas de existência, passando por mudanças de integrantes e sobretudo superando a saída do vocalista e compositor Cazuza após o terceiro disco “Maior Abandonado”. Depois de uma pausa após o lançamento de “Balada MTV” em 1999 quando os integrantes se dedicaram a projetos solos, gravando, produzindo e tocando com outros artistas, a banda retornou com tudo em 2004 com o disco auto-intitulado “Barão Vermelho”, também nome do primeiro álbum lançado em 1982. 

Frejat que durante essa pausa lançou dois discos (“Amor pra recomeçar” e “Sobre Nós 2 e o Resto do Mundo”) retorna agora nesse segundo intervalo na obra do Barão ao seu projeto solo com um enfoque um pouco mais pop e romântico (engana-se quem possa imaginar que ele caia nas baladas água com açúcar, Frejat ainda que possa querer evitar mantém sua pegada e atitude roqueira). Tive o prazer de assisti-lo pela primeira vez na abertura do show de Eric Clapton na Praça da Apoteose no Rio de Janeiro em 2001 e agora mais uma vez em Belo Horizonte em show ocorrido no último dia 14 de julho, acompanhado de uma banda competente formada pelos músicos, Billy Brandão (guitarra), Marcelo Costa (bateria), Bruno Migliari (baixo) e o eterno companheiro de Barão, Maurício Barros nos teclados, Frejat desfilou alguns sucessos da carreira solo (“Sobre Nós 2 e o Resto do Mundo”, “Segredos”, “Túnel Do Tempo”) do Barão (“Bete Balanço”, “Por Você”, “A Chave da Porta da Frente”, “O Poeta Está Vivo”) composições suas gravadas por outros artistas (“Malandragem”) e canções de outros compositores, caso do clássico da música brasileira composto por Pixinguinha e João de Barro, “Carinhoso”, “Ainda é Cedo” da Legião Urbana e “Carpinteiro do Universo” de Raul Seixas e Marcelo Nova tocada num momento intimista voz e violão em que o destaque ficou com a música “Como é grande o meu amor por você” do Rei Roberto Carlos. Frejat perguntou a platéia se gostariam de ouvir Roberto Carlos, ao que me pareceu, a maioria disse não, como não entendeu (ou fingiu não entender) ele respondeu que iria tocar e começou: "eu tenho tanto pra lhe falar...” os outros versos foram cantados por TODO o público de maneira emocionada e ainda recebeu o aplauso mais caloroso de toda a apresentação com a aprovação mais uma vez de Frejat dizendo: “O Robertão é demais!!!”. No bis ele retornou e declarou: “vou tocar mais uma do Roberto Carlos” e soltou uma versão muitíssimo interessante de “Só vou gostar de quem gosta de mim” de Rossini Pinto, registrada pelo Rei no mesmo disco da canção já citada, Roberto Carlos em Ritmo de Aventura, trilha sonora da primeira fita estrelada pelo cantor nos cinemas.
Dá para perceber que Frejat leva em diante um trabalho tranqüilo, menos pretensioso (no bom sentido) que o gigante Barão Vermelho, coisa de quem sabe o que faz e não precisa provar mais nada, nem mesmo que tem competência para se desligar da banda e levar em frente um carreira solo vitoriosa.
Ah, apesar de tudo, espero ver o Barão nos palcos novamente...

Fotos: à esquerda, Amor pra recomeçar
e à direita Sobre Nós 2 e o Resto do Mundo.

Obs: a foto no alto não é do show aqui citado.

domingo, fevereiro 11, 2007

Jovem Guarda: Rock brasileiro, o começo de tudo






“É Preciso Saber Viver” (Titãs), “Devolva-me” (Adriana Calcanhoto),” Negro Gato” (Marisa Monte), “Eu Sou Terrível”, “Pare o Casamento” (Kid Abelha), “Quando”,
“ Pode Vir Quente Que Eu Estou Fervendo” (Barão Vermelho), “É Proibido Fumar” (Skank), “Se Você Pensa”, “O Calhambeque” (Lulu Santos), “Era Um Garoto Que Como Eu Amava Os Beatles e os Rolling Stones” (Engenheiros do Hawaii); o que essas canções carregam em comum?

Simplesmente o fato de terem sido compostas, gravadas, lançadas ou versionadas para o português por cantores ou compositores da chamada Jovem Guarda, programa de TV da emissora Record que entre 1965 e 1968 liderou audiência no país e propiciou o primeiro grande momento de cultura de massa por aqui. Essas regravações (citando apenas algumas mais recentes) mostram a permanência e a importância da Jovem Guarda. O que era para ser um simples programa exibido nas tardes de domingo para substituir a proibição dos jogos de futebol é considerado hoje como um movimento ou ainda um estilo de música, também chamado Iê, Iê, Iê, este nome por sua vez veio dos críticos norte-americanos que por não aceitarem os Beatles como uma banda de Rock´n´Roll, intitulavam sua música de Yeah, Yeah, Yeah, baseado nos refrões das canções “She Loves You” e ”It Won´t Be Long”(o filme A Hard Day´s Night foi batizado aqui de Os Reis do Iê, Iê, Iê). A realidade é que o Rock nunca mais foi o mesmo depois dos Beatles, nem a música brasileira a mesma depois da Jovem Guarda.

Encabeçado por Roberto Carlos (o Brasa), Erasmo Carlos (o Tremendão) e Wanderléa (a Ternurinha), o programa reunia a turma que vinha fazendo rock por aqui, claro que assim como os Beatles na Inglaterra tiveram suas influências do rock americano misturadas à sua própria cultura, não poderia ser diferente aqui ou em qualquer outro país onde o rock bateu, basta reparar as diferenças entre uma valsa francesa, uma alemã e outra brasileira, por exemplo. Então, era natural que esses artistas ao fazerem rock incorporassem elementos da nossa música, como as canções românticas dor-de-cotovelo, baladas, samba e da própria bossa nova. E através dessa mistura, pela primeira vez o Brasil teve uma música jovem, feita por jovens e para jovens. Entre os artistas que participaram dessa história são destacados os nomes, além dos três já citados: Eduardo Araújo, Silvinha, Ronnie Von, Jorge Ben, Waldirene, Ed Wilson, Jerry Adriani, Antônio Marcos, Martinha, Sérgio Reis, Rosemary, Leno e Lílian, Os Vips, Golden Boys, Trio Esperança, Vanusa, e as bandas Renato e Seus Blue Caps, Fevers, Os Incríveis, Jet Black´s, The Jordans, The Youngsters.

A Jovem Guarda além de música lançava também moda, as roupas dos astros eram imitadas, suas gírias (“papo firme”, “broto”, “é uma brasa, mora?”, entre outras) repetidas nas ruas e; algumas, assim como as canções resistem ainda hoje, 40 anos depois. Exatamente para conhecer, ou simplesmente relembrar essa época que no fundo parece jamais ter sido esquecida, ainda que estejamos falando de um país com fama de não ter memória, dois livros foram lançados no ano passado, Jovem Guarda Em Ritmo De Aventura, (Editora 34) de Marcelo Fróes, nos apresenta o antes, durante e depois da Jovem Guarda, de onde veio, o que fez e para onde foi cada um dos artistas que ajudaram a escrever essas páginas da música brasileira. Já o Almanaque da Jovem Guarda (Nos Embalos De Uma Década Cheia De Brasa, Mora?, Ed. Ediouro) de Ricardo Pugialli, também autor do livro “Os Embalos Da Jovem Guarda” mostra essa mesma história, porém como o título sugere, através de recortes, fotos e notas da imprensa, e no fim ainda conta com “Os Arquivos Secretos da Jovem Guarda” que tem até notas de um caderninho em formato de diário que Roberto Carlos manteve no ano de 1959, quando cantava bossa nova na boate Plaza em Copacabana. Os dois autores também já um escreveram um ótimo livro em parceria sobre os Beatles (Os Anos da Beatlemania), infelizmente fora de catalógo. Fica então aí a dica desses dois livros para quem quer conhecer melhor a história do rock na música popular brasileira. Como disse certa vez Eduardo Araújo: nem tudo que reluz é ouro, mas a Jovem Guarda teve momentos de autêntico Rock´n´Roll!!!


Fotos:Calhambeque(Esq. para dir.) Martinha, Erasmo Carlos, Roberto Carlos, Wanderley Cardoso, Eduardo Araújo e Wanderléa.
No palco do Jovem Guarda: Erasmo Carlos á esquerda e Roberto Carlos (guitarra) Wanderlá(a dire. de calça,)banda e dançarinas.
capas dos livros: Jovem guarda em Ritmo de Aventura e Almanaque da Jovem Guarda.



Post dedicado ao Leonardo Ribeiro (pelo interesse, valeu Brother) e Jéssica Bandeira (garotinha papo firme)...


Dicas de sites sobre os autores e os livros:
http://www.jovemguarda.com.br/
www.tucunare.bio.br

segunda-feira, junho 12, 2006

Rock'n Geral é até mais tarde!!!

Depois de adotar a quase todos os recursos disponíveis e "indisponíveis" na NET (flogs, orkut, e sei lá mais o que) resolvi criar um blog, bem, acho necessário dizer que até pouco tempo atrás não dava a mínima bola para nenhum deles, exceto os programas de bate-papo(na época era o ICQ). A idéia do blog resistiu por muito tempo, sendo que para mim a maioria dos internautas não parecem “perder” seu tempo lendo em frente ao pc, e também me questionava quanto a capacidade de escrever algo que valesse a pena ser lido, mas depois de tomar umas e outras (brincadeira) e principalmente com o incentivo de um cara chamado Michael Meneses que mantém um blog muito interessante, coloco na praça esse blog: Rock’n Geral


O título foi inspirado numa música do primeiro disco do Barão Vermelho, e também é o nome do quinto álbum da banda (foto acima), apesar desse disco não apresentar a música. Sempre gostei desse título e ele acabou sendo o nome de um festival de rock que eu organizava e também de um programa que apresentei numa rádio comunitária, e nos dois casos, como aqui, ele define bem a intenção, falar, ouvir e tocar o rock nas suas mais diversas vertentes e de uma certa forma nas minhas prediletas, é claro...então para quem não conhece eis a letra da música:

Rock’n Geral – Barão Vermelho (Cazuza / Guto Goffi)

Rock'n geral é até mais tarde
Sem hora marcada
Armando assim um carnaval full time
Rock'n geral é bem alto
Pra se ouvir de qualquer nave
Ou de um coração meio surdo que não sabe amar

Rock'n geral é apaixonado
Neném sem pecado querendo mamar
Hei, mama, can't you hear me cry?
Hei, mama, can't you hear me cry?
Ei, mãe, não tá me ouvindo chorar?
Ei, mãe, não tá me ouvindo chorar?

Mamãe, eu quero mamar!
Mamãe, eu quero mamar!

Teremos aqui comentários, sugestões de discos, shows, vídeos, casos e estórias num espaço dedicado ao rock’n’roll e tudo que ele sugere e a outros tipos de música também até porque o rock vai muito além...bem, vocês me desculpem mas agora eu vou embora...