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domingo, agosto 30, 2015

Eric Clapton - Unplugged (1992)




Eric Clapton Unplugged foi o primeiro dos projetos acústicos lançados pela emissora MTV a render uma grande repercussão e vendagem de discos. O álbum foi top 1 da revista Billboard, rendeu seis prêmios Grammy ao músico e vendeu 24 milhões de cópias. Nem sempre esses prêmios e posições nas paradas querem dizer muito. É sabido como essas coisas podem ser manipuladas, comercial e politicamente, e que elas não são, necessariamente, indicadores de qualidade. Mas, no caso desse Unplugged, o trabalho realmente justifica seus méritos. Grande parte desse sucesso foi sustentando pela canção "Tears In Heaven" e a brilhante regravação de "Layla".

O disco abre com "Signe", instrumental despretensioso escrito por Clapton, cuja função era mesmo a de servir como um leve prelúdio do show feito para a TV. Na sequência Clapton ataca com dois blues, "Before You Accuse Me"  de Bo Diddley e "Hey Hey" de Big Bill Broonzy  que explicitam o quanto o músico domina o estilo. Mesmo tendo abordado vários estilos ao longo da carreira, como o rock, o reggae, o pop, a soul music, Clapton tem suas raízes musicais fincadas no blues que sempre aparece em seus trabalhos. O grande hit do disco, "Tears In Heaven" foi composta por Clapton em parceria com Will Jenenings em razão da perda de seu filho Connor de apenas 5 anos que faleceu ao cair do 53º andar do prédio em que morava na cidade de Nova York. A música havia sido lançada um ano antes na trilha sonora do filme Rush totalmente assinada por Clapton que também resultou num trabalho primoroso. "Lonely Stranger" é daquelas baladas que "só um rockeiro sabe fazer". Um dos grandes momentos do Clapton compositor que se une com maestria ao intérprete genial. "Nobody Knows You When You´re Down and Out" de Jimmy Cox é outro clássico do blues revisitado por Eric. O blues, sem dúvidas é o que guia este álbum. A inesperada versão de "Layla", clássico absoluto da carreira de Clapton, foi a investida mais ousada do disco, despida das marcantes linhas e riffs de guitarra da versão original, e o belo solo de piano tocado pelo baterista Jim Gordon (que assina essa composição com Clapton), transformando o estridente rock, numa balada sutil. O vocal rasgado e gritado torna-se suave, quase sussurrado. Talvez nem mesmo seu autor, esperasse que essa nova abordagem da música alcançasse tamanha relevância em seu repertório. "Running On Faith" de Jerry Lynn Williams, gravada originalmente por Eric em 1989 no disco Journeyman, é outro dos grandes sucessos apresentados no disco. Esta permanece mais próxima do original, até mesmo pela proximidade dos períodos das gravações. Da obra de seu grande ídolo e lenda mor do blues, Robert Johnson, surge "Walkin' Blues" e "Malted Milk" que Eric toca com absoluta autoridade. "Alberta" música tradicional com arranjo de Huddi Ledbetter e "San Francisco Bay Blues" de Jesse Fuller são outras músicas pinçadas do repertório blues que fizeram a cabeça a do jovem Eric Patrick Clapton e que ele apresenta com um misto de reverência e respeito aos velhos mestres. Também do disco Journeyman (e da mesma forma ficando mais próxima do original) é a música, "Old Love", parceria entre Clapton e o guitarrista Robert Cray. "Rollin' & Tumblin" de Muddy Waters fecha o disco num clima agitado de rythm and blues, de forma improvisada e despretensiosa, como a faixa de abertura.

Um dos pontos que mais fortalecem esse disco, junto ao repertório, e justifica o nome de "Unplugged" (Acústico) ao disco, é o domínio com que Eric Clapton toca violão. De importância inquestionável no trato da guitarra elétrica, ele toca violão com cordas de nylon, aço e um de 12 cordas com as pegadas características de cada um deles. Seja no dedilhado no violão com cordas de nylon de "Tears In Heaven" e "Lonely Stranger", seja na pegada mais blues/folk de "Layla", ou no slide de "Running On Faith". Na banda, os velhos companheiros, Nathan East no baixo, Andy Fairweather-Low no violão, Chuck Leavell nos teclados, Steve Ferrone na bateria, Ray Cooper na percussão, Katie Kisson e Tessa Niles nos backing vocals. O disco que teve produção de Russ Titelman, parceiro de Eric em outras empreitadas, tornou o formato "unplugged" tão popular que o conceito quase se tornou um "estilo de música". Em seus shows, os sets "acústicos" também viriam a ser sempre um momento marcante. Porém, com a sabedoria de quem estava no ramo há muito tempo e de como são frívolas algumas variantes do mercado,  no disco seguinte, ele se concentraria na gravação de um disco de clássicos do blues From The Craddle (sendo essa a ligação com o "Unplugged"), mas totalmente eletrificados. Vivendo um momento difícil com a perda do filho, Clapton se apoia no blues, canta e chora seus lamentos em seu violão, porém consegue manter a austeridade e equilíbrio de um velho bluesman para seguir na estrada.



Ainda: segue a campanha de financiamento coletivo do Workshop do Quarto Para O Mundo de AugustoLicks em Belo Horizonte. Já foram arrecadados 22% do total do projeto. Para saber mais, participar e/ou colaborar: http://www.kickante.com.br/campanhas/augusto-licks-workshop-do-quarto-para-o-mundo-em-bh

domingo, setembro 14, 2014

Jimi Hendrix Experience: Axis: Bold As Love (1967)




A primeira vez que eu ouvi Jimi Hendrix foi nos anos 1990, assistindo pela TV sua apresentação no Festival da Ilha de Wight em 1970. Ele viria a morrer 18 dias depois. Já antevendo que iria gostar (e gostei imensamente), coloquei o videocassete em ação e gravei o show que ainda permanece no meu arquivo. Tempos depois, tomei conhecimento de que aquela teria sido uma das suas piores apresentações, devido a problemas técnicos, e que entre uma canção e outra, o show era interrompido no intuito de sanar os problemas (essa parte obviamente não aparece no vídeo editado). A segunda experiência com sua música foi novamente audiovisual, assistindo a uma reapresentação também pela TV do seu show em Woodstock (outro registro que permanece guardado nos meus arquivos em VHS). Perdi a conta das vezes que assisti a essas fitas. A primeira vez que eu “só” ouvi o Jimi, foi através da coletânea “A Arte de Jimi Hendrix” lançado pela gravadora Philips. Consegui o vinil duplo emprestado de um amigo e copiei em fita K7 (desnecessário dizer que a fitinha ainda está devidamente guardada comigo?). Foi um susto (positivo), em razão de estar acostumado às performances enlouquecidas e altamente improvisadas do guitarrista, espantei-me ao perceber que ele realmente cantava (não apenas um trecho ou outro da letra como fazia ao vivo, parecendo não controlar sua energia musical e a vontade de tocar guitarra, como se a música brotasse contra a sua vontade em diversos momentos), também me surpreendeu a qualidade das gravações, os timbres, arranjos. Passei a gostar mais do Hendrix de estúdio do que o ao vivo, talvez contrariando a regra em que suas performances de palco eram altamente exaltadas. Certamente deve ter sido mágico para quem pôde vê-lo in loco. 

Axis: Bold As Love foi o segundo álbum de Hendrix. Lançado no dia primeiro de dezembro de 1967, exatamente seis meses após o não menos icônico Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band dos Beatles. Dois daqueles álbuns que devem ter sido ainda mais impactantes no universo pop para quem ouviu na época de lançamento, sem todas as informações musicais que vieram depois deles. O disco tem produção de Chas Chandler, baixista da banda The Animals, que foi uma espécie de “descobridor” do Hendrix, ao levar o músico norte-americano para a Inglaterra e tê-lo lançado lá, prestando um enorme serviço à música de todos os tempos. 

A faixa de abertura, “EXP”, é na verdade uma vinheta na qual um radialista fictício (narrado pelo baterista Mitch Mitchell) apresenta o também personagem Paul Caruso (narrado por Jimi) que convida os ouvintes para a experiência sonora que virá em seguida, já apresentando uma série de ruídos criados pela guitarra de Hendrix. “Up From The Skies” tem algo da influência jazzística de Hendrix, mas, sobretudo a bateria de Mitch Mitchell adiciona uma levada não muito comum ao pop de então. Hendrix cria uma base utilizando um pedal de wah-wah durante toda a música (não me recordo de uma gravação onde esse efeito fosse explorado durante toda a canção na base harmônica principal). “Spanish Castle Magic” apresenta um de seus riffs mais marcantes, e mais uma das bases não usuais de Hendrix que definiu muito do que viria a ser a sonoridade dos powers-trios junto com o baterista Mitch Mitchell e o baixista Noel Redding. “Wait Until Tomorrow”, outro dos clássicos do guitarrista tem uma guitarra com um swing funk que depois seria extremamente recorrente na música pop, mas que talvez também ainda não se tivesse ouvido antes de Hendrix. “Ain’t No Telling” com seu ritmo “quebrado” e passagens inesperadas, é mais uma das músicas de Hendrix que reforçam as palavras de Eric Clapton, quando disse que Hendrix fazia tudo diferente. Uma das suas mais belas melodias, senão a mais bela de todas é “Little Wing”, música que em pouco menos de dois minutos e meio de duração consegue condensar a melodia da canção a arranjos geniais de guitarra (a começar pela marcante introdução), unido a timbres singulares e um solo curto, mas de intensidade única. O glockenspiel tocado por Mitch Mitchell ajuda a realçar a identidade sonora original da canção. E não podemos esquecer que Jimi também sabia dar o recado nos vocais (lembrando daquela surpresa que comentei no início do texto ao descobrir que ele também cantava). “If 6 was 9” tem uma contundente e individualista letra escrita bem no meio de toda a questão hippie: “Now if 6 turned out to be 9/I don't mind, I don't mind/Alright, if all the hippies cut off all their hair/I don't care, I don't care/Dig, 'cos I got my own world to live through/And I ain't gonna copy you” (“Agora, se 6 acabasse por ser 9/Eu não me importaria, eu não me importaria/Certo, se todos os hippies cortassem todos os seus cabelos/Eu não me importaria, eu não me importaria/Sabe, porque eu tenho o meu próprio mundo para viver/E eu não vou copiar você”). Algo do tipo “seja você mesmo”, ou “seja seu próprio herói” como diria Lennon, que provavelmente deve ter agrado à mente do beatle. No solo e no final da canção, toda aquela sonoridade caótica de Hendrix que denunciava que o mundo não vivia tão em “paz e amor”.

“You Got Me Floatin’” inicia o lado B do disco com um riff rascante com distorção na medida certa, e a mesma loucura sonora que fecha o lado A. “Castle Made of Sand”, tem na introdução, mais uma das sacadas simples e geniais de Hendrix com acordes ascendentes e descentes passeando pela escala da guitarra e depois um turnaround ainda na onda de “Little Wing” com aquele timbre estalado característico das guitarras Fender Stratocaster. Junto aos versos, frases de guitarra invertida, inovação trazida pelos Beatles um ano antes no álbum Revolver (vide as músicas I’m Only Sleeping e Tomorrow Never Knows). Além do som, Hendrix revela-se um bom cronista na letra em que fala de forma cinematográfica de uma recorrente briga de casal: “Down the street you can hear her scream "you're a disgrace” /As she slams the door in his drunken face/And now he stands outside and all the neighbours start to gossip and drool” (“Descendo a rua, você pode escutar o grito dela: "você é um d*!"/Enquanto bate a porta na cara embriagada dele/e ele fica na rua/ enquanto os vizinhos começam a fofocar e conversar”). “Shes´s so fine” é a única música do disco não composta por Hendrix. O baixista Noel Redding assina a composição e assume o vocal principal da faixa que lembra muito o Cream em músicas como “Strange Brew”. “One Rainy Wish” é mais uma variante da sonoridade clássica de Hendrix com uma levada inicial meio arrastada que é atropelada no meio da canção por uma agressividade súbita e frases hipnóticas de guitarra. “Little Miss Lover” tem uma levada de bateria que depois seria muito presente nas músicas do Led Zeppelin, como “Heartbreaker” ou “The Song Remais The Same”, por exemplo. “Bold As Love” nomeia e fecha o álbum, outra grande melodia de Hendrix, quase nunca lembrado por esse seu lado compositor. Afora isso, a música foi gravada com a genialidade de sempre de Jimi. Apesar do lugar-comum e de todos os clichês que exaltam apenas o Hendrix guitarrista, é bom lembrar que mais do que o instrumentista genial, ele era um grande músico no conceito mais amplo do termo. As faixas desse álbum mostram isso, seja pelas suas composições, seja pela concepção dos arranjos, ou ainda o cuidado com timbres, e com todo o processo de gravação. Não esquecendo que suas letras também merecem respeito, especialmente pensando nos compositores de rock americano (em detrimento dos ingleses) que nunca foram dos melhores letristas, com algumas exceções óbvias, como Dylan.

domingo, dezembro 09, 2012

Roberto Carlos - Esse Cara Sou Eu




Quando foi anunciado o lançamento de um EP do Roberto Carlos, o primeiro da era pós-vinil, achei um barato. O formato era o segundo principal da indústria fonográfica até meados dos anos 60, logo depois do single (chamado de compacto simples no Brasil), este disquinho trazia duas canções, normalmente uma candidata a hit que ocupava o lado A (e por isso mesmo o termo single que quer dizer algo como "um", "único" em inglês) e o lado B que tinha quase que a função apenas de completar o disco, sendo que um artista que tivesse duas canções “fortes” usualmente guardava a outra para lançar como lado A de um novo compacto (daí se origina o termo lado B para designar as canções menos conhecidas de um artista, mas certa banda liverpuldiana lançou uma série tão alucinante de compactos nos 60 em que os lados B's acabavam tornando-se tão hits quanto o lado A, assim como também foram fundamentais para que o LP, abreviatura para long-play em inglês se tornasse o formato principal na música popular a partir de seus álbuns repletos de sucessos e mais tarde com o início do que viria a ser os álbuns conceituais, aonde as canções traziam ligações entre si e faziam parte de um todo). Depois do compacto simples vinha o EP (em inglês abreviatura de Extendend Play, no Brasil ele foi batizado de compacto duplo) que trazia quatro faixas e por fim, aparecia o LP (long play) que trazia 12 a 14 faixas no caso da música popular e costumava conter as canções lançadas anteriormente nos compactos. A ideia era que o compacto (single) fosse o foco das vendas que devido ao custo menor tinha mais saída. Para artistas que estavam se lançando era extremamente interessante, pois o menor investimento por parte da gravadora fazia com que ela se encorajasse a viabilizar mais lançamentos e o artista podia "ser testado" concentrado basicamente com a produção de duas músicas, ao invés do lançamento de no mínimo uma dezena a mais de canções. No exterior, o lançamento de singles segue seu curso de maneira regular e como forma de estimular o ouvinte que compra o álbum completo a adquirir também o single é comum que este contenha canções ou versões exclusivas. Por razões que só a Indústria Pornográfica (digo, Fonográfica) Brasileira pode dar, o formato single acabou sendo extinto no Brasil pouco antes de fim da produção de vinil no país, sendo mantido na era CD quase que exclusivamente para CD's de divulgação enviados para rádios e imprensa. O fato é que há uns anos atrás, antes da pirataria e a internet darem um belo chute no traseiro das gravadoras, estas até tentaram investir no formato single CD no Brasil, porém com os discos sendo vendidos praticamente ao mesmo preço do CD "cheio" e o formato não vingou (lembro de lançamentos por aqui de singles do Eric Clapton e das Spice Girls nessa época)...coisas do Brasil. E foi por isso mesmo que achei interessante quando foi anunciado o EP de Roberto Carlos. Por conter duas canções inéditas e duas lançadas anteriormente (também era comum tempos atrás que o EP viesse com essa composição já que as músicas gravadas anteriormente ajudavam a baratear o gasto da produção) viria acompanhado na sequência de um CD inédito "completo" que o público de Roberto anseia há tempos, mas não é o que parece que vai acontecer. RC que durante toda a carreira praticamente lançou um disco por ano (considerando nesse caso o disco original em português, já que desde os anos 70 até início dos 90 seus discos eram vertidos para espanhol e lançados no mundo hispânico), nesses discos Roberto praticamente não cometeu regravações de seu próprio repertório, a primeira se deu em 1975, 17 anos depois do lançamento de seu primeiro compacto quando regravou "Quero que vá tudo pro inferno", lançada originalmente em 1965, essa regravação se justificou pelo fato de na ocasião celebrar os 10 anos do programa Jovem Guarda no qual Roberto se projetou nacionalmente. Depois disso ele só voltaria a revisitar seu repertório em seu primeiro disco ao vivo gravado em 1988, uma curiosidade é que esse disco saiu em junho daquele ano, sendo sabido que seus lançamentos tradicionalmente ocorriam próximos do Natal e no mesmo ano Roberto lançou também seu álbum regular de fim de ano, o disco ao vivo se explica porque naquele ano as vendas de disco andavam fracas e a então CBS (hoje Sony/BMG) resolveu pôr nas prateleiras um novo disco do Rei de forma a atrair o público às lojas, nem se faz necessária a confirmação que o ato deu certo, pois só no lançamento vendeu 750 mil cópias (nos tempos áureos do império das gravadoras o disco anual de RC não vendia menos de um milhão de exemplares).

Nos últimos anos, no entanto o cantor vem evitando e adiando o lançamento de um disco de canções inéditas, acredito que seja fruto de um grande receio por parte do artista que o disco não venda tanto quantos os álbuns ao vivo recheados de regravações que se tornou padrão na indústria brasileira, as gravadoras com isso economizam na produção e apostam no que "deu certo" confiando numa passividade e incapacidade do público de absorver novos trabalhos, soma-se a isso a questão que mesmo boas canções lançadas por RC nesse período acabaram não rendendo a repercussão devida, esse é o caso de "Te Amo Tanto", "Amor Sem Limite" ou "Pra Sempre", isso provavelmente serviu para desencorajar o artista uma vez que trabalhos como o Acústico e o disco em parceria com Caetano Veloso cantando Tom Jobim tiveram vendas muito expressivas (ótimos trabalhos estes, diga-se de passagem), assim como a série de "ao vivos" e ainda o disco Duetos em detrimento aos seus últimos projetos de inéditas. Seria até desumano exigir que o artista hoje lance um disco de inéditas por ano, mas acredito que um bom caminho a seguir seria o investimento em projetos realmente artísticos e caprichados como foi o disco com Caetano. Roberto poderia explorar um repertório que o agrada e que ele não visitou muito, quem sabe um disco de standards do jazz com coisas do repertório de Sinatra, Tony Bennett ou Chet Baker? Por que ele não grava um disco com canções do maior compositor brasileiro segundo ele, Chico Buarque? Clássicos da música brasileira? Cartola, quem sabe? Uma visita ao repertório rockeiro do início da carreira que ele já até gravou como Elvis ou Beatles? Mais do que simples regravações essas sim seriam registros históricos, um favor dele emprestar sua voz a grandes canções. Mas o cara é muito na dele e mesmo suas apostas mais ousadas, são muito, mas muito calculadas.

Enfim, chegando ao tal EP que traz as inéditas "Esse Cara Sou Eu" e "Furdúncio" e é completado com "A Mulher Que Eu Amo" e "A Volta", as quatro músicas carregam em comum o fato de terem sido veiculadas em telenovelas da Rede Globo (que tem um contrato de exclusividade com o artista para que ele grave seu Especial anual  de fim de ano, não se apresente em outros canais e faça eventuais participações em alguns programas da emissora), sendo que as duas inéditas estão presentes numa mesma novela que está no ar atualmente. Em outras épocas, quando suas vendas chegavam a superar a marcas de 2,5 milhões por ano de cada lançamento, Roberto não permitia que canções na sua voz entrassem em trilhas de novela, um fruto da alta competência com a qual RC sempre gerenciou sua carreira, a intenção era evitar a superexposição. Hoje os tempos são outros, Roberto ainda vende muito, mas não é mais líder absoluto quando se trata dos novos lançamentos, o lamentável é que praticamente todos que o têm superado em vendas são absolutamente medíocres artisticamente, sejam os padres-pops-"cantores" ou as "bailarinas"-"cantoras"-"modelos"-"atrizes". O lançamento atual, porém conseguiu o que canções de qualidade similar ou até melhores lançadas nos últimos dez anos pelo cantor não conseguiram, um hit inquestionável: "Esse Cara Sou Eu". A música caiu no gosto do povo de maneira arrebatadora, há tempos uma nova canção de Roberto não ia parar na boca de todos, mesmo aqueles que não fazem parte de seu público habitual, levando o disco rapidamente ao topo das paradas mesmo antes de seu lançamento através das reservas ou compras pelo site iTunes e a venda de um milhão de exemplares. A queda nas vendas de discos na última década poderia sugerir uma queda de prestígio do artista, ledo engano, seus shows continuam concorridos como sempre em qualquer lugar do mundo, não raramente ele têm sido obrigado a abrir datas extras para suas apresentações devido à procura por ingressos, assim como seu já tradicional cruzeiro que tem suas vagas esgotadas com mais de um ano de antecedência.

Depois de tão longo prefácio, vamos ao disco:

Como ouvinte e colecionador chato e detalhista não gostei da baixa qualidade do papel do encarte, o motivo mais provável deve ser econômico para o disco ser vendido por um preço mais acessível como está ocorrendo. Tabelado como R$9,90, ele na verdade poderia ser mais barato, uma vez que vários álbuns "cheios" se encontram no mercado por esse preço.
  

1. ESSE CARA SOU EU

Composição solitária de Roberto Carlos, apesar de não ser das suas letras mais inspiradas, dá uma sensação de que ele já cantou todos os versos em outras canções, o Robertão convencido de “Detalhes” que sacramentava que a amante não o esqueceria a qualquer custo reaparece aqui para dizer “Eu sou o cara certo pra você/ Que te faz feliz e que te adora” (usando o eu lírico claro, como confessou o compositor de maneira mais humilde “esse é o cara que eu gostaria de ser”) o verso que traz o título resolve bem o fim das estrofes e é nesse gancho que se apóia seu sucesso. Já a estrutura musical da canção embora seja bem simples apresenta um arranjo de Tutuca Borba sob medida criando climas com interessantes dinâmicas que não deixa a baladinha lenta cair na monotonia, para a estrofe final aquela subidinha de tom clássica em canções do gênero, a sonoridade geral lembrou muito os discos do RC dos anos 80. Participam da faixa os músicos da banda de Lulu Santos, Chocolate na bateria e Jorge Aílton no baixo, além de Tutuca nos teclados e o próprio Roberto se arriscando mais uma vez ao piano e tem ainda uma guitarra não creditada no encarte que lembra muito o estilo de Paulinho Ferreira da RC9 (banda do Roberto) e que vem gravando com ele regularmente.

2. FURDÚNCIO

Parceria da dupla dinâmica Roberto e Erasmo se arriscando num funk melody, estilo que chamou a atenção de Roberto a partir da audição da canção “Se Ela Dança, Eu Danço” de MC Leozinho que rendeu um surpreendente dueto no Especial de RC em 2006. Uma qualidade inegável do intérprete Roberto Carlos é a capacidade de cantar diversos estilos sempre os adaptando muito bem ao seu estilo (basta dar uma passeada pela sua discografia e ver como ele gravou rocks, blues, valsas, tangos, boleros, sambas, bossas, pop, etc.) e dessa vez não foi diferente. Um arranjo recheado com efeitos eletrônicos, uma guitarra funky gravada por Ringo Moraes, teclados de Tutuca Borba e arranjos e teclado de DJ Batutinha. Na letra Roberto e Erasmo acabam por quase repetir um verso “Pra ver de perto aquela coisa bonita/Que me assanha, me provoca, me agita” que remete à canção "Símbolo Sexual" (1985) onde ele canta: “Você me fala tanta coisa bonita/Me acaricia, me provoca, me agita”, não sei se foi intencional, quase uma citação, mas ficou bem próximo e seria estranho que eles não tivessem percebido a semelhança, afora isso a letra resulta bem mais criativa que “Esse Cara Sou Eu”, a presença de Erasmo certamente tem a ver com isso. Interessante observar que apesar de os músicos da banda de Lulu Santos terem participado da canção anterior, essa gravação é que lembra um pouco o estilo de Lulu, o solo com um efeito de teclado simulando uma cítara acentua a semelhança. Ah, e ainda tem o assobio do cara durante o solo, ele também manda muito bem nesse quesito!


3. A MULHER QUE EU AMO

Canção lançada originalmente em 2009 na trilha sonora de mais uma telenovela e apesar desse apoio extra na divulgação acabou não emplacando. Instrumental também sob o comando de Tutuca Borba que executa piano, cordas (no teclado) e assina o arranjo.

4. A VOLTA

A primeira gravação dessa composição foi registrada pelos Vips em 1965 e foi um grande sucesso na época, a gravação de Roberto em 2004 também integrou a trilha de uma novela global, foi incluída como faixa bônus na segunda edição do disco “Roberto Carlos Ao Vivo No Pacaembu” e no álbum de 2005. Destaque para a guitarra à la Dire Straits tocada por Paulinho Ferreira e os vocais de Roberto que registrou também aquela bela segunda voz como só ele sabe fazer. Completando a ficha técnica tem Jurim Moreira na bateria, Dedé Marquez na percussão, Dárcio Ract no baixo, Paulinho Galvão no violão e Tutuca Borba nos teclados e piano.


Ainda: Um vídeo postado num blog sobre Roberto Carlos do meu amigo Baratta mostra a primeira vez que RC cantou "Esse Cara Sou Eu" em um show (para conferir clique AQUI). Segundo um site (que não me lembro agora), a nova canção teria sido a mais aplaudida da noite. Espero que sirva de estímulo para que ele continue apostando em material inédito (ou regravações relevantes)!    

sexta-feira, maio 25, 2012

Paul McCartney - Kisses On The Bottom





Paul McCartney é ousado, anunciou o fim dos Beatles e lançou um disco gravado em casa de forma totalmente experimental por pura diversão num gravadorzinho de quatro canais. Paul McCartney é louco, depois do fim dos Wings, sua segunda banda com a qual também alcançou sucesso mundial se mantendo nos topos das paradas, gravou mais um disquinho experimental baseado em sintetizadores e música eletrônica que fugia de seu estilo característico. Isso para não falar das composições de aspirações eruditas como o Liverpool Oratorio, o poema sinfônico Standing Stone e a mais recente composição para ballet Ocean´s Kingdom. Agora ele aparece dando a cara para bater mais uma vez lançando um disco com releituras de clássicos do jazz e do pop americano que ouvia na sua infância. Paul McCartney adora se divertir, e isso é o que ele fez nesse disco que apesar da grande produção soa mais como um projeto despretensioso e prazeroso que um cara que já fez tudo o que ele fez na carreira pode se dar ao luxo (e direito) de fazer, a começar pelo trocadilho do título do álbum extraído da letra da música de abertura I'm Gonna Sit Right Down que ao mesmo tempo que quer dizer "beijos na parte de baixo" ou "beijos no final", no caso de uma carta, pode ser interpretado como "beijos na bunda". O álbum tem produção de David LiPuma que produziu entre outros, Miles Davis, George Benson, Marcus Miller, João Donato, Tom Jobim, João Gilberto e Diana Krall que toca no disco acompanhada de sua banda, além das participações do guitarrista John Pizzarelli e seu pai Bucky Pizzarelli (ex-guitarrista da banda de Frank Sinatra), Eric Clapton e Stevie Wonder e a London Symphony Orchestra.


  1. I'm Gonna Sit Right Down (Fred E. Ahlert/Joe Young)  - piano, guitarra e bateria fazem o riff completado com o baixo solo na introdução. Mas não se enganem, não é Paul quem toca o instrumento. Esse é o seu primeiro álbum apenas como cantor. Num primeiro momento a voz de Paul não me agradou muito no disco, gosto de cantores com uma voz um pouco mais grave nesse estilo, os meus prediletos quase óbvios são Tony Bennett e Frank Sinatra. Paul canta mais suave e com leve falsete no disco, fazendo uma linha mais Fred Astaire que ele cita como inspiração no álbum e é um dos seus primeiros ídolos de infância, inclusive já homenageado por Paul na canção You Gave Me The Answer.

  1. Home (When Shadows Fall) (Peter van Steeden/Jeff Clarkson/Harry Clarkson) - Destaque para a orquestração e guitarra elegante com seus arpégios dialogando com a orquestra e a voz de Paul.

  1. It's Only a Paper Moon (Harold Arlen/E. Y. Harburg/Billy Rose) - A mesma elegante guitarra com um belo timbre surge nessa canção com ritmo mais suingado que caiu muito bem na voz do Paul, um solo de violino passeia pela canção num jogo de pergunta-resposta com a voz e o assobio de Paul no meio da música.

  1. More I Cannot With You (Frank Loesser) - Uau! Que guitarra! Paul sussurra a letra com arranjo suave e minucioso apresentando orquestra de cordas mais uma vez.

  1. The Glory of Love (Billy Hill) - O contrabaixo introduz a canção e acompanha a voz de Paul com exclusividade durante quase todo o primeiro minuto da canção. Um solo sutil de guitarra no meio da canção.


  1. We Three (My Echo, My Shadow and Me) (Sammy Mysels/Dick Robertson/Nelson Cogane) - Sem dúvidas, o grande destaque instrumental fica mesmo por conta da guitarra que sempre aparece muito bem ao longo do disco, para contrabalançar Paul faz uma de suas melhores interpretações nessa faixa.

  1. Ac-Cent-Tchu-Ate the Positive (Arlen/Johnny Mercer)  - Gravada por Ella Fitzgerald, essa é outra canção mais suingadinha do álbum que são as que eu acho que soaram melhor na voz do Sir predileto da casa.

  1. My Valentine (Paul McCartney) - Composição inédita de Paul McCartney, assim como fez em Run Devil Run (outro álbum de releituras, mas enfocando o Rock'n'Roll dos anos 50) no qual além das releituras incluiu algumas canções inéditas de sua lavra seguindo o estilo das outras canções do disco . Quando o guitarrista de plantão se ausenta da banda, quem surge para executar um solo de violão de nylon é ninguém mais, ninguém menos que Eric Clapton.

  1. Always (Irving Berlin) - A sensação ao ouvir o disco pela primeira vez era que se tratava de uma apresentação ao vivo que ia aquecendo e melhorando com o decorrer. Embora gravado em estúdio e sem saber a ordem fiquei com essa sensação nas duas primeiras audições, desse ponto para frente o disco me parece soar melhor. Grande interpretação e outro belo solo de guitarra.

  1. My Very Good Friend the Milkman (Harold Spina/Johnny Burke) - Não bastasse cantar como ninguém e executar diversos instrumentos com extrema competência, Paul ainda tem mais essa qualidade: assobia muito bem! E esse é o destaque nessa canção junto com o solo de trompete.

  1. Bye, Bye, Blackbird (Ray Henderson/Mort Dixon) - Essa já foi registrada por outro beatle antes, Ringo Starr a gravou em Sentimental Journey, seu álbum de releituras de standards do jazz também. O piano aparece de maneira mais efetiva nessa canção.

  1. Get Yourself Another Fool (Haywood Henry/Tucker) - Engraçado, quando comecei a ouvir essa música que apresenta um solo de guitarra na introdução pensei: parece muito com o timbre e as frases de Clapton! E isso antes de saber quem em definitivo havia gravado o instrumento na faixa que inclusive já tem um pezinho mais no blues.

  1. The Inch Worn (Loesser) - Um violão de aço surge apresentando a canção de clima melancólico que remete mais à Inglaterra do que aos EUA, tanto que até parece uma composição de Paul.

  1. Only Our Hearts (McCartney)  - A outra inédita de Paul no disco (gostei mais até do que My Valentine) não destoa do restante do trabalho. Com participação especial de Stevie Wonder que faz um solo de gaita fecha bem o disco e dá vontade de colocá-lo para tocar mais uma vez.

Paul disse que o disco é para ser ouvido em casa depois de um dia de trabalho acompanhado de uma xícara de chá ou de uma taça de vinho. Se fosse comparar esse disco com uma garrafa de vinho não diria que ele é fruto de uma safra especial como um Ram 71, um Band On The Run 73 ou ainda um Flaming Pie 97, diria (como dizem os chatinhos) que ele é bastante honesto, bom para o dia-a-dia.

Em tempo: O disco Ram que apareceu aqui na minha lista de discos de 2011 acaba de ser relançado em edições especiais em vinil e cd. Sonho de besta: será que Paulie andou lendo o rockngeral?

Ainda: Não que esse blog tenha algum compromisso com tempo, mas escrevi sobre o disco na ocasião de seu lançamento em fevereiro, na verdade pouco antes dele sair mesmo, a partir de um mp3 vazado, a demora para postar aqui foi porque não queria comentá-lo simplesmente a partir da audição do som tosco do áudio mp3, mas como ainda não o adquiri resolvi publicar assim mesmo. Pelo menos ele não precisou esperar 40 anos como o Ram para ser comentado aqui. (Como se fizesse falta, rs).

quinta-feira, março 22, 2012

Só Pra Lembrar: Eric Clapton - HSBC Arena, Rio de Janeiro 09/10/2011



Eu poderia associar minha história com a carreira de Eric Clapton a um ciclo que se completa a cada década. Comecei a ouvir o guitarrista e ele se tornou meu predileto em 1990 quando ele veio tocar pela primeira e única vez em BH, show ocorrido no Mineirinho num longínquo 11 de outubro. Não fui ao show, acho que minha idade nem permitiria, mas devido a um programa especial que rolou no rádio e que gravei em uma fita K7 descobri que “Cocaine” e “Wonderful Tonight” que eu já curtia eram dele. Junto a essas duas canções tocou no programa uma coleção de clássicos do seu repertório como “Layla” e sua versão de “Knockin'on Heaven's Doors” de Bob Dylan. Na década seguinte, mais exatamente no dia 13 de outubro 2001, estava na praça da apoteose no Rio de Janeiro para conferir a perfomance mais impressionante que jamais tinha visto até então. Show perfeito! Timbres impecáveis, sobretudo na parte acústica, durante o show torcia para que cada uma das músicas não acabasse. Aquela seria supostamente a última turnê mundial do Clapton, me parece que sua intenção após a empreitada se reduziria a shows esporádicos somente na Inglaterra e nos EUA. Se a intenção era essa deixou de ser, pois exatos dez anos depois, em 2011 fui surpreendido com o anúncio de novos shows do guitarrista no Brasil com uma formação um pouco diferente daquela, mais notoriamente pela ausência de Nathan East, o “Senhor Simpatia”, um cara que parece tocar com uma satisfação única. Só consigo associá-lo no palco ao guitarrista Mike Stern pelo sorriso aberto que mantêm do início ao fim do show.

Dessa vez o local escolhido para a apresentação carioca foi o HSBC Arena que apesar de ser um ginásio resultou num som muito bom com o trabalho da equipe de Clapton. Assistindo a um show dele pela segunda vez me veio a impressão que nenhum outro músico se preocupa mais com o som do que ele. Mesmo num ginásio se ouvia com clareza todos os instrumentos muito bem timbrados. Clapton foi o de sempre, entrou tocou e foi embora, não deu boa noite, não agradeceu, não se despediu, ele mesmo já disse ter apreciado muito isso depois de ter assistido a uma apresentação de João Gilberto. Recapitulando: Clapton foi o de sempre, entrou, tocou e foi embora. Precisava mais? Clapton foi o de sempre: genial. Banda impecável, Steve Gaad na bateria, Willie Weeks no baixo, solos desconcertantes tocados por Chris Stanton nos teclados e Tim Carmon no órgão e o auxílio luxuoso nos vocais das cantoras Michelle John e Sharon White que cantam muito, mas muito mesmo (embora eu ainda espere ver um show com Tessa Niles nos backings; a Kattie Kisson, outra antiga backing-vocal de Clapton eu pude conferir no palco com o Roger Waters). Um show muito mais para o blues do que para o rock e o pop, Clapton tocou como se estivesse num pequeno bar perdido em alguma estrada da vida. Fez o que um músico dessa estirpe deve fazer, tocou como se tocasse para ele mesmo, a melhor maneira de demonstrar respeito e agradar ao público. Aguardo para ver como Clapton aparecerá no meu caminho na próxima década.


Obs.: Infelizmente não cheguei a tempo de pegar o show de abertura com Gary Clark Jr.

Setlist:

1-Going Down Slow
2- Key To The Highway
3- Hoochie Coochie Man
4- Old Love
5- I Shot The Sheriff
6- Driftin’ Blues
7- Nobody Knows You When You’re Down And Out
8- Lay Down Sally
9- When Somebody Thinks You’re Wonderful
10- Layla
11- Badge
12- Wonderful Tonight
13- Before You Accuse Me
14- Little Queen Of Spades
15- Cocaine
Encore
16- Crossroads



Fotos: Eric Clapton (internet: Felipe Panfili e Roberto Filho); e o autor que vos escreve na porta do show (não fosse pela famosa câmera tosca do meu telemóvel teria sido um grande clique do amigo Francisco).


Ainda: Confira as fotos do Balança Zap em sua primeira edição no blog do evento:http://balancazap.blogspot.com.br/2012/03/balanca-zap-fotos.html . Mês que vem tem mais!!! Agradecimentos a toda a rapaziada que compareceu, ao pessoal que ajudou na produção e à banda Vagabundo Não É Fácil.