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domingo, agosto 16, 2015

Paul McCartney - Many Years From Now – Barry Miles




Publicado em 1997, Many Years From Now é a biografia autorizada de Paul McCartney escrita por seu amigo Barry Miles. A caprichada edição brasileira manteve o título original (um verso extraído da canção "When I’m 64") em inglês mesmo (curiosamente a editora, DBA também tem nome no idioma oficial do velho Macca,  Dórea Books And Art). 


Essa biografia tem um sabor quase de uma autobiografia, uma vez que o autor sendo amigo de Paul realizou diversas entrevistas com ele com um acesso que nenhum outro biógrafo teria, o que faz com que a obra tenha uma grande série de depoimentos até então inéditos do beatle. Embora apresente certa isenção, Barry Miles provavelmente não escreveu nada que o músico não gostaria de ler. O que não desabona o livro, já que é sempre bom conhecer a história do ponto de vista de quem realmente a viveu. E juntando outros depoimentos e livros, podemos ter um recorte razoável, e digamos talvez mais real de como de fato as coisas se deram. Alguns livros citados na enorme bibliografia que consta no final do livro são boas recomendações para isso.


O livro foca mesmo na fase beatle da carreira de Paul, relegando os Wings e a carreira solo a um breve resumo que consta no posfácio. Uma das críticas que ouvi de alguns fãs dos Beatles foi o fato de ao comentar cada uma das canções compostas com John Lennon, Paul tenha quantizado qual foi a participação de cada um na música, como “Drive My Car” que ele diz ser 70% sua ou “Girl” que ele atribui mais a John, embora ressalte que também contribuiu bastante. Mas, ele também se alivia ao mencionar que entre ele e John só duas músicas suscitaram desacordo quanto ao papel de cada um em suas composições, “In My Life” e “Eleanor Rigby”.


Many Years From Now revela muito da intensa vida social e artística de Paul nos anos 60 na “Londres Vanguardista” (esse inclusive é o título de um dos capítulos) e como ele influenciou e foi influenciado naqueles dias que revolucionaram tanto uma época que ainda hoje não parece ter sido superada culturalmente. Uma frase de Paul logo no início do livro resume bem essa ideia: “Sinto como se os anos 60 ainda estivessem para acontecer. Eles me parecem um período mais no futuro do que no passado”.

domingo, setembro 28, 2014

The Beatles In America – Spencer Leigh





Para quem gosta de Beatles, o assunto nunca acaba. Numa das últimas postagens, comentei sobre o livro Can’t Buy Me Love de Jonathan Gould que trata da história da banda, dando enfoque na repercussão que a banda causou na Inglaterra e nos EUA. O livro The Beatles In America: The Stories, The Scene, 50 Years On de Spencer Leigh, editado pela Omnibus Press em 2013, vai no mesmo caminho. Porém, tendo apenas os Estados Unidos como alvo (o autor tem ainda dois livros sobre os passos dos Beatles em Liverpool, e outro em Hamburgo). 

Tendo um estilo de diário e livro de fotografia, o volume repassa a trajetória da banda em terras norte-americanas desde a histórica primeira visita em 1964 até o rompimento oficial em 1970, não deixando de incluir uma introdução sobre os primórdios da banda na Inglaterra, e um prólogo no qual cita momentos relevantes de John, Paul, George e Ringo EUA depois da separação, entre eles, o fatídico assassinato de John Lennon em Nova York.

A intenção de Spencer Leigh não foi fazer um estudo e análise mais aprofundada da carreira dos Beatles, como fez Jonathan Gould em Can’t Buy Me Love. Leigh, na verdade, coletou materiais que ilustram bem o texto com muitas fotos, recortes de jornais, e declarações de artistas, entre outros norte-americanos que de alguma forma cruzaram o caminho dos FabFour. Nesse caso, The Beatles In America, funciona como um ótimo complemento ao livro de Gould. Sem edição em português, o livro ricamente ilustrado, vale até mesmo para quem não lê no idioma dos rapazes de Liverpool, em razão do extenso arquivo fotográfico.

domingo, setembro 14, 2014

Jimi Hendrix Experience: Axis: Bold As Love (1967)




A primeira vez que eu ouvi Jimi Hendrix foi nos anos 1990, assistindo pela TV sua apresentação no Festival da Ilha de Wight em 1970. Ele viria a morrer 18 dias depois. Já antevendo que iria gostar (e gostei imensamente), coloquei o videocassete em ação e gravei o show que ainda permanece no meu arquivo. Tempos depois, tomei conhecimento de que aquela teria sido uma das suas piores apresentações, devido a problemas técnicos, e que entre uma canção e outra, o show era interrompido no intuito de sanar os problemas (essa parte obviamente não aparece no vídeo editado). A segunda experiência com sua música foi novamente audiovisual, assistindo a uma reapresentação também pela TV do seu show em Woodstock (outro registro que permanece guardado nos meus arquivos em VHS). Perdi a conta das vezes que assisti a essas fitas. A primeira vez que eu “só” ouvi o Jimi, foi através da coletânea “A Arte de Jimi Hendrix” lançado pela gravadora Philips. Consegui o vinil duplo emprestado de um amigo e copiei em fita K7 (desnecessário dizer que a fitinha ainda está devidamente guardada comigo?). Foi um susto (positivo), em razão de estar acostumado às performances enlouquecidas e altamente improvisadas do guitarrista, espantei-me ao perceber que ele realmente cantava (não apenas um trecho ou outro da letra como fazia ao vivo, parecendo não controlar sua energia musical e a vontade de tocar guitarra, como se a música brotasse contra a sua vontade em diversos momentos), também me surpreendeu a qualidade das gravações, os timbres, arranjos. Passei a gostar mais do Hendrix de estúdio do que o ao vivo, talvez contrariando a regra em que suas performances de palco eram altamente exaltadas. Certamente deve ter sido mágico para quem pôde vê-lo in loco. 

Axis: Bold As Love foi o segundo álbum de Hendrix. Lançado no dia primeiro de dezembro de 1967, exatamente seis meses após o não menos icônico Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band dos Beatles. Dois daqueles álbuns que devem ter sido ainda mais impactantes no universo pop para quem ouviu na época de lançamento, sem todas as informações musicais que vieram depois deles. O disco tem produção de Chas Chandler, baixista da banda The Animals, que foi uma espécie de “descobridor” do Hendrix, ao levar o músico norte-americano para a Inglaterra e tê-lo lançado lá, prestando um enorme serviço à música de todos os tempos. 

A faixa de abertura, “EXP”, é na verdade uma vinheta na qual um radialista fictício (narrado pelo baterista Mitch Mitchell) apresenta o também personagem Paul Caruso (narrado por Jimi) que convida os ouvintes para a experiência sonora que virá em seguida, já apresentando uma série de ruídos criados pela guitarra de Hendrix. “Up From The Skies” tem algo da influência jazzística de Hendrix, mas, sobretudo a bateria de Mitch Mitchell adiciona uma levada não muito comum ao pop de então. Hendrix cria uma base utilizando um pedal de wah-wah durante toda a música (não me recordo de uma gravação onde esse efeito fosse explorado durante toda a canção na base harmônica principal). “Spanish Castle Magic” apresenta um de seus riffs mais marcantes, e mais uma das bases não usuais de Hendrix que definiu muito do que viria a ser a sonoridade dos powers-trios junto com o baterista Mitch Mitchell e o baixista Noel Redding. “Wait Until Tomorrow”, outro dos clássicos do guitarrista tem uma guitarra com um swing funk que depois seria extremamente recorrente na música pop, mas que talvez também ainda não se tivesse ouvido antes de Hendrix. “Ain’t No Telling” com seu ritmo “quebrado” e passagens inesperadas, é mais uma das músicas de Hendrix que reforçam as palavras de Eric Clapton, quando disse que Hendrix fazia tudo diferente. Uma das suas mais belas melodias, senão a mais bela de todas é “Little Wing”, música que em pouco menos de dois minutos e meio de duração consegue condensar a melodia da canção a arranjos geniais de guitarra (a começar pela marcante introdução), unido a timbres singulares e um solo curto, mas de intensidade única. O glockenspiel tocado por Mitch Mitchell ajuda a realçar a identidade sonora original da canção. E não podemos esquecer que Jimi também sabia dar o recado nos vocais (lembrando daquela surpresa que comentei no início do texto ao descobrir que ele também cantava). “If 6 was 9” tem uma contundente e individualista letra escrita bem no meio de toda a questão hippie: “Now if 6 turned out to be 9/I don't mind, I don't mind/Alright, if all the hippies cut off all their hair/I don't care, I don't care/Dig, 'cos I got my own world to live through/And I ain't gonna copy you” (“Agora, se 6 acabasse por ser 9/Eu não me importaria, eu não me importaria/Certo, se todos os hippies cortassem todos os seus cabelos/Eu não me importaria, eu não me importaria/Sabe, porque eu tenho o meu próprio mundo para viver/E eu não vou copiar você”). Algo do tipo “seja você mesmo”, ou “seja seu próprio herói” como diria Lennon, que provavelmente deve ter agrado à mente do beatle. No solo e no final da canção, toda aquela sonoridade caótica de Hendrix que denunciava que o mundo não vivia tão em “paz e amor”.

“You Got Me Floatin’” inicia o lado B do disco com um riff rascante com distorção na medida certa, e a mesma loucura sonora que fecha o lado A. “Castle Made of Sand”, tem na introdução, mais uma das sacadas simples e geniais de Hendrix com acordes ascendentes e descentes passeando pela escala da guitarra e depois um turnaround ainda na onda de “Little Wing” com aquele timbre estalado característico das guitarras Fender Stratocaster. Junto aos versos, frases de guitarra invertida, inovação trazida pelos Beatles um ano antes no álbum Revolver (vide as músicas I’m Only Sleeping e Tomorrow Never Knows). Além do som, Hendrix revela-se um bom cronista na letra em que fala de forma cinematográfica de uma recorrente briga de casal: “Down the street you can hear her scream "you're a disgrace” /As she slams the door in his drunken face/And now he stands outside and all the neighbours start to gossip and drool” (“Descendo a rua, você pode escutar o grito dela: "você é um d*!"/Enquanto bate a porta na cara embriagada dele/e ele fica na rua/ enquanto os vizinhos começam a fofocar e conversar”). “Shes´s so fine” é a única música do disco não composta por Hendrix. O baixista Noel Redding assina a composição e assume o vocal principal da faixa que lembra muito o Cream em músicas como “Strange Brew”. “One Rainy Wish” é mais uma variante da sonoridade clássica de Hendrix com uma levada inicial meio arrastada que é atropelada no meio da canção por uma agressividade súbita e frases hipnóticas de guitarra. “Little Miss Lover” tem uma levada de bateria que depois seria muito presente nas músicas do Led Zeppelin, como “Heartbreaker” ou “The Song Remais The Same”, por exemplo. “Bold As Love” nomeia e fecha o álbum, outra grande melodia de Hendrix, quase nunca lembrado por esse seu lado compositor. Afora isso, a música foi gravada com a genialidade de sempre de Jimi. Apesar do lugar-comum e de todos os clichês que exaltam apenas o Hendrix guitarrista, é bom lembrar que mais do que o instrumentista genial, ele era um grande músico no conceito mais amplo do termo. As faixas desse álbum mostram isso, seja pelas suas composições, seja pela concepção dos arranjos, ou ainda o cuidado com timbres, e com todo o processo de gravação. Não esquecendo que suas letras também merecem respeito, especialmente pensando nos compositores de rock americano (em detrimento dos ingleses) que nunca foram dos melhores letristas, com algumas exceções óbvias, como Dylan.

domingo, julho 27, 2014

Can't Buy Me Love - Jonathan Gould





Jonathan Gould levou vinte anos no processo de escrita de Cant' Buy Me Love. Além de escritor, ele também é músico profissional. O subtítulo do livro: The Beatles, Britain And America (li a edição original em inglês da Harmony Books de 2007, mas existe uma edição em português do livro lançada no Brasil pela Larousse), dá o mote sobre o qual o livro se baseia. Trata-se de uma análise da carreira e obra dos FabFour com um excelente trabalho de contextualização histórica, tendo como palco principal a Inglaterra e os EUA. Estão no volume, desde o relançamento do polêmico livro O Amante de Lady Chatterley de D. H. Lawrence ao escandaloso caso do Primeiro Ministro inglês John Profumo, ambos no início dos anos 60 e antes da explosão da Beatlemania, passando pela popularização da TV (tendo sido esta um grande canal para a disseminação e sucesso dos Beatles), e muitas das transformações sociais e políticas que se deram durante o período em que a banda esteve em atividade.

Depois de um breve prólogo, no qual ele fala do histórico dia 7 de fevereiro de 1964 quando os Beatles pisaram pela primeira vez em solo norte-americano, ele surpreende logo no capítulo um, ao iniciar com a letra de Heartbreak Hotel, um dos grandes sucessos de Elvis Presley e traçar um perfil do Rei do Rock. Esse é um dos pontos nos quais o livro tem seu grande valor e um dos destaques dentre a enorme bibliografia sobre os Beatles, o autor escreveu perfis a respeito de várias influências da banda em sua fase inicial, alguns de quem encontramos muito pouco ou quase nenhuma referência facilmente. Nas páginas seguintes, ele fala de Buddy Holly, Chuck Berry, Jerry Lee Lewis, Carl Perkins, Gene Vincent, Bill Halley, Little Richards, Arthur Alexander, o jazzista Django Reinhardt e o guitarrista country Chet Atkins, além de compositores como Jerry Leiber, Mike Stoller, Doc Pomus e Mort Shuman. Gould inicia a história da banda a partir do encontro entre Paul e John em 1957, e a desenvolve, fazendo eventualmente algumas visitas às suas infâncias e dos companheiros de banda, George e Ringo, mas sempre focando na questão musical. Esse é apenas o segundo dos cinquenta e três capítulos do livro, que embora não sejam muito longos, acabam somando 661 páginas ao final do livro.

Quem já leu muito sobre os eternos rapazes de Liverpool nem sempre encontra novidades nas centenas de publicações que surgem sobre eles. A grande virtude do livro de Jonathan Gould é o registro muito bem feito da época, unido ao seu poder de observação nas análises musicais que escreveu advindo de sua sensibilidade musical.

domingo, julho 20, 2014

Paul McCartney – New (2013)





Bem, esse disco já não é tão “new” assim, embora a resenha abaixo tenha sido escrita próximo à data de lançamento, uma das minhas (quase regulares) pausas no blog não me permitiu postá-la na época. De qualquer forma um disco de Paul McCartney é quase sempre atemporal, então segue abaixo minhas “visões” do (ainda) mais recente álbum lançado pelo Sir predileto da casa.

1. Save Us (McCartney/Epworth) - Um riff com guitarra “rasgada” abre o disco num clima alto astral. Rock melódico de primeira. Tem um quê do Paul anos 80, mas também lembra muito o Queen, seja pelo belos backings vocals, como pela levada da música, mesmo o tema me lembra da música Save Me da banda. A criatividade melódica de Paul dá sinais de que nunca irá acabar.

Paul McCartney: vocais, guitarras, baixo
Paul Epworth: bateria
Produção: Paul Epworth

2. Alligator (McCartney) - Tem um pouco da sonoridade do Paul dos anos 90, na linha do seu disco Off The Ground. Dessa vez os vocais vão para uma linha meio Beach Boys. Novamente, um banho de melodia com variações inesperadas como o refrão que surge como um breve e belo interlúdio vocal. Curiosamente como na letra anterior Paul fala em precisar ser salvo: “I want someone who can save me” (Eu preciso de alguém que possa me salvar).

Paul McCartney: vocais, baixo, guitarra, glockenspiel, percussão, sintetizador, celesta, play-me-a-song book
Rusty Anderson: guitarra
Brian Ray: guitarra
Paul 'Wix' Wickens: teclados
Abe Laboriel Jr.: bateria
Produção: Mark Ronson
  
3. On My Way To Work (McCartney) – A primeira balada do disco traz o mesmo misto de sonoridade vintage e moderna das faixas anteriores. Violões e guitarras fazem a linha de frente, bem como executam belas frases que entremeiam a canção. 

Paul McCartney: vocais, baixo, violão, guitarra, ciguitar, piano, bateria
Rusty Anderson: guitarra
Brian Ray: guitarra
Paul 'Wix' Wickens: guitarra, piano, acordeom
Toby Pitman: programação
Cathy Thompson, Laura Melhuish, Patrick Kiernan, Nina Foster: violinos
Peter Lale, Rachel Robson: violas
Caroline Dale, Katherine Jenkinson, Chris Worsey: violoncelos
Richard Pryce, Steve McManus: baixos
Produção: Giles Martin

4. Queenie Eye (McCartney/Epworth) - Um órgão solitário introduz a canção dando a sensação que ouviríamos uma balada, mas a entrada dos vocais e demais instrumentos levam a música para um lado inesperado: um rock psicodélico que ecoa com a fase Magical Mystery Tour, lembrando mais John (de I`m the walrus) e George (de Blue Jay Way) do que Paul (embora eu ouça nela algo meio You Never Give me you Money).

Paul McCartney: vocais, baixo, guitarras, lap steel guitar, piano, Moog, sintetizador, Mellotron, meia-lua
Paul Epworth: bateria
Produção: Paul Epworth

5. Early Days (McCartney) - Balada acústica, muito a ver com o disco Flaming Pie. Ao longo do disco Paul parece estar passeando por momentos distintos de sua carreira e de algumas de suas influências. A letra fala dos primeiros tempos ao lado de John: “Dressed in black from head to toe/Two guitars across our backs/We would walk the city roads/Seeking someone who would listen to the music/That we were writing down at home” (Vestidos de preto da cabeça aos pés/Dois violões em nossas costas/Queríamos andar pelas ruas da cidade/Procurando alguém para ouvir as músicas/Que estávamos escrevendo em casa). Mais uma bela homenagem de Paul ao velho amigo.

Paul McCartney: vocais, violão, contrabaixo acústico, harmônio, percussão
Rusty Anderson:
violão
Brian Ray: dulcimer
Ethan Johns: bateria
Abe Laboriel Jr.: backing vocals
Produção: Ethan Johns
Co-produção: Giles Martin

6. New (McCartney) - Foi lançada como o single do disco. Quando ouvi pela primeira vez eu disse: tudo a ver com Beatles de 66/67! Ao que um amigo retrucou dizendo que lembrava mais Beach Boys. Depois de reouvir concordei, mas o fato é que as duas bandas no auge de suas carreiras andaram trocando influências de forma que acaba virando um ciclo. Os vocais, especialmente no final são definitivamente muito Pet Sounds de Brian Wilson e sua turma.

Paul McCartney: vocais, baixo, piano, cravo, Mellotron, órgão Wurlitzer, congas, maracas, bouzouki
Rusty Anderson: backing vocals, guitarra, bouzouki
Brian Ray: backing vocals, guitarra
Abe Laboriel Jr.: backing vocals, bateria
Paul 'Wix' Wickens: backing vocals
Steve Sidwell: trompete
Jamie Talbot: saxofone tenor
Dave Bishop: saxofone barítono
Produção: Mark Ronson Co-produção: Giles Martin

7. Aprecciate (McCartney) - meio lounge, tem a ver com o Mcartney II, mas vai também para a linha dos projetos paralelos de Paul, como o Fireman e seus flertes com a música eletrônica. Dá uma variada estratégica no clima do disco, como se precisasse. Dá para ver que o cara ainda pensa musicalmente em termos do conceito de um álbum. 

Paul McCartney: vocais, ciguitar, teclados, bateria
Rusty Anderson: backing vocals, guitarra, bouzouki
Brian Ray: backing vocals, guitarra, guitarra barítono
Abe Laboriel Jr.: backing vocals, bateria
Toby Pitman: programação
Produção: Giles Martin
  
8. Everybody Out there (McCartney) - O rock volta à tônica. Uma aula de como compor, arranjar, gravar e produzir uma música pop de qualidade. Só que não parece tão simples quando você tenta fazer em casa.

Paul McCartney: vocais, baixo, guitarra, violão, teclados, piano, Mellotron
Rusty Anderson: guitarras
Brian Ray: guitarras
Paul 'Wix' Wickens: teclados
Abe Laboriel Jr.: bateria
Toby Pitman: programação, teclados
Giles Martin: foot stamp (batidas de pé)
Família McCartney: vocais
Cathy Thompson, Patrick Kiernan, Nina Foster, Laura Melhuish: violinos
Peter Lale, Rachel Robson: violas
Caroline Dale, Katherine Jenkinson, Chris Worsey: violoncelos
Steve McManus, Richard Pryce: baixos
Eliza Marshall, Anna Noakes: flautas
Produção: Giles Martin

9. Hosanna (McCartney) - Outra balada conduzida por violões, um velho efeito de flanger que andou passeando em outras canções do álbum reaparece nessa faixa.

Paul McCartney: vocais, baixo, violão, guitarra, bateria, tape loops
Ethan Johns: iPad tambora app
Produção: Ethan Johns

10. I Can Bet (McCartney) - Uma dose do lado mais soul de Paul aparece nessa faixa bem dançante. 

Paul McCartney: vocais, baixo, violão, guitarra, Moog, órgão Wurlitzer, bateria, percussão, tape loops
Rusty Anderson: guitarra
Paul 'Wix' Wickens:
órgão Hammond
Toby Pitman:
programação
Produção: Giles Martin

11. Looking At Her (McCartney) - Balada romântica cheia de charme, cantada de forma sussurrada. Tem uma textura instrumental moderna com programação eletrônica usada sob medida.

Paul McCartney: vocais, baixo, guitar, Mellotron, Moog, bateria, percussão
Rusty Anderson: guitarra
Toby Pitman: programação, teclados
Produção: Giles Martin

12. Road (McCartney/Epworth) - Usados de forma intensa em todo o disco os teclados conduzem essa música que também vai um pouco para a linha do lounge e da new wave e encerra a edição padrão do cd.

Paul McCartney: vocais, piano, teclados, celeste, percussão
Paul Epworth: baterias
Produção: Paul Epworth

Bônus Deluxe Edition:


13. Turned Out (McCartney) - Mais um rock empolgante do disco. Presente apenas na edição deluxe.

Paul McCartney: vocais, baixo, guitarra, teclados, sintetizador, tubular bells, bateria, percussão
Ethan Johns, Rusty Anderson, Brian Ray: guitarras
Abe Laboriel Jr.: backing vocals, bateria
Produção: Ethan Johns Co-produção: Giles Martin

14. Get Me Out Of Here (McCartney) - Presente também apenas na edição deluxe, essa balada country fecha o pacote. Como já fez antes em outros discos, Paul incluiu no final dessa música uma faixa “escondida”. O nome da décima quinta canção do disco é “Scared” e tem apenas Paul cantando e tocando piano. Uma balada despretensiosa, mas que não deixa de ser mais uma amostra do excepcional padrão de composição de Paul. 

Paul McCartney: vocais, violão, ngoni, washboard
Rusty Anderson: garrafa d’água
Brian Ray: backing vocals, congas
Abe Laboriel Jr.: backing vocals, djembe, bumbo
Produção: Giles Martin

New não apresenta necessariamente um “novo” Paul, mas o “velho” Macca que sempre está ligado ao que está rolando. Fato confirmado pela presença de jovens produtores como Giles Martin (filho de George Martin, o lendário produtor dos Beatles, e que já produziu Jeff Beck, Elvis Costello, Kate Bush), Paul Epworth (Adele, Primal Scream), Mark Ronson (Nikka Costa, Lily Allen, Amy Winehouse, Adele, Duran Duran), Ethan Johns (Kings Of Leon, Joe Cocker, Counting Crows, Jayhawks). Não é nenhuma novidade também, mas ele mantém a exploração de instrumentos não convencionais no rock como fez tantas vezes com os Beatles, Wings ou em carreira solo, sejam eles típicos de regiões africanas como ngoni, djembe ou da Grécia como o bouzouki; a tábua de lavar roupas “washboard” de origem no blues norte-americano; uma percussão eletrônica executada num iPad; a sua ciguitar, aquela guitarra em formato de caixa de charutos que ele usou na apresentação e gravação da música “Cut Me Some Slack” com o Nirvana; e mesmo instrumentos de brinquedo como o “play-me-a-songbook”. Ao mesmo tempo, Paul não abandona a raiz de seu passado musical. Não é à toa que ouvimos referências ao Queen e Beach Boys e também à banda predileta dos integrantes do Queen, assim como de Brian Wilson, líder dos Beach Boys e fatalmente a banda predileta de Paul, os Beatles.

domingo, janeiro 19, 2014

John Pizzarelli – Meets The Beatles (1998)





Os Beatles têm, uma das obras mais regravadas da história da música pop, senão, a mais regravada de todas, por isso é sempre arriscado lançar-se num projeto do tipo, mas não para John Pizzarelli, o brilhante guitarrista de jazz norte-americano que em 1998 gravou esse que considero o melhor disco de releituras que já ouvi das canções dos FabFour. O disco privilegia claramente as canções de Paul McCartney. Poderiam ser consideradas como “mais do Paul” como ele mesmo diz em sua biografia Many Years From Now, dez das doze faixas do disco, ficando as exceções para “You´ve Got To Hide Your Love Away” que seria “mais do John Lennon” e “Here Comes The Sun” de George Harrison. “Can’t By Me Love” abre o disco com um clima dançante dando destaque aos metais, incluindo um solo de clarinete de Ken Peplowski e outro de guitarra e voz de Pizzarelli. Ela soa como uma trilha sonora dos filmes de Woody Allen, eu posso visualizar o início de alguns de seus filmes enquanto ouço. “I´ve Just Seen A Face” segue na mesma linha mais animada, mas agora o piano de Ray Kennedy, integrante do John Pizzarelli Trio ao lado do irmão do guitarrista, Martin Pizzarelli no contrabaixo, toma a dianteira. Impressionante como a levada do trio consegue manter o balanço e fazer com que você não sinta falta da bateria. “Here Comes The Sun” surge numa levada meio bossa com um belo solo de sax executado por Harry Allen. Pizzarelli literalmente se apropria das canções de tal forma que parecem terem sido compostas originalmente como se fossem jazz, “Things We Said Today” confirma isso através inclusive do fraseado de John nos vocais que também é um grande cantor. “You’ve Got To Hide Your Love Away” tem versão guitarra e voz com John Pizzarelli dando uma amostra do seu estilo de tocar, com harmonia e solos muito bem arquitetados. “Eleanor Rigby” aparece em versão instrumental onde reina a guitarra de Pizzarelli que provavelmente agradou muito ao Sir Paul com o disco e ano retrasado o convidou para tocar em seu álbum “Kisses On The Bottom” aonde o beatle fez o caminho inverso e gravou releituras de alguns standards do jazz (leia os comentários a respeito desse disco clicando aqui). 

 “And I Love Her” tem um quê de música latina, tanto que Paul sempre a toca em seus shows no Brasil. Interessante notar que a orquestração e a levada meio “abolerada” lembra mais a gravação de Roberto Carlos em 1984 do que a dos Beatles. Embora gravada em 1967 no álbum Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, “When I Sixty-Four” começou a ser composta por Paul quando ele tinha aproximadamente 15 anos de idade, e segundo ele, na ocasião não pensava em compor rock e sim um jazz para Frank Sinatra. Pizzarelli acentua a intenção de Paul que compôs ainda nos anos 60, “Martha My Dear” e “Honey Pie” que já tinham influências jazzísticas, ambas presentes no “White Album”. “Oh Darling” soa como música de strip-tease, durante o solo a guitarra de Pizzarelli dialoga com o trompete de Barry Ries. Em “Get Back”, Pizzarelli solta um pouco da sua veia rock tanto na pegada da guitarra quanto do vocal, a bateria de TonyTedesco também merece destaque. “The Long And Winding Road”  ganhou uma versão com uma belíssima orquestração de Don Sebesky que divide a produção com Pizzarelli. John encerra o álbum com “For No One”, outra tocante melodia de Paul McCartney.

Apesar de lançado em 1998 e eu ter ouvido algumas faixas no rádio durante esses anos, somente há cerca de dois meses ouvi esse disco na integra, depois de comprar o cd ao encontrá-lo por acaso num sebo, dá uma sensação enorme de arrependimento (ainda bem que ele não mata) por não tê-lo comprado há 15 anos na ocasião do lançamento. No encarte, Pizzarelli agradece a John, Paul, George e Ringo por redefinirem a canção popular para todas as gerações. Ele por sua vez, ajudou a levar a música dos Beatles para mais um estilo da música popular.