Li Cazuza - Só As Mães
São Felizes (Ed. Globo) de Lucinha Araújo na época do seu lançamento em
1997 emprestado do meu amigo Eduardo Dornelas, o maior fã do Cazuza que eu conheço, acabei comprando
e relendo-o ano retrasado. Apesar de considerado por sua mãe, Lucinha Araújo, como um relato de sua própria vida e de tudo que passou com o filho, especialmente o drama da AIDS ao qual
Cazuza acabou sucumbindo, ele vale sim como uma biografia de Cazuza. Os
depoimentos de Lucinha foram dados a jornalista e escritora, Regina Echeverria (autora de Furacão Elis, na minha lista de espera
para ser lido e; Gonzagão e Gonzaguinha,
uma história brasileira, que li já faz alguns anos e também gostei) que
conseguiu dar uma boa forma ao livro e fazê-lo funcionar como um documento
histórico. Lucinha Araújo assina o prefácio do livro e acaba sendo o centro dos
primeiros três capítulos. Farto em fotos, mas sem descuidar do texto que embora
espaçado e com letras grandes tem bom conteúdo.
Ainda que seja uma visão pessoal e passional não há o
que se possa questionar no tocante à qualidade do trabalho de Cazuza, inclusive
Lucinha Araújo é bastante honesta até quando fala das porra-louquices do filho.
O livro dá uma boa repassada na carreira de Cazuza, desde o início com o Barão Vermelho que gerou três discos e
uma série de grandes canções com o amigo e parceiro Roberto Frejat que inclusive se repetiu em vários momentos da
carreira solo até seu último álbum Burguesia.
Os capítulos finais tratam, como não podia ser diferente, do drama com a AIDS numa
época em que a doença ainda era pouco conhecida e muito mais vítima de
preconceito do que ainda é hoje.
Na última parte ele traz algumas dezenas de páginas com frases e pensamentos de Cazuza extraídos de entrevistas dele ao longo da carreira não tão longa assim, mas suficientemente intensa do autor da frase: “prefiro viver dez anos a mil do que mil anos a dez”.
Ah, para os que não sabem, o título desse blog é inspirado na letra da música Rock'n Geral de Cazuza composta em parceria com Frejat e lançada por eles no primeiro disco do Barão Vermelho.



