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segunda-feira, agosto 10, 2015

Rolling Stones – Voodoo Lounge (1994)





Embora tenham realizado bons trabalhos com Bridges to Babylon (1997) e A Bigger Bang (2005), Voodoo Lounge é, até então, o último grande disco de estúdio dos Rolling Stones, capaz de figurar ao lado dos álbuns clássicos de sua carreira como Sticky Fingers (1971) ou Exile On Main St. (1972), por exemplo. Às vésperas de embarcaram numa monumental turnê mundial que viria a ser tornar a mais lucrativa da história, eles conseguiram o que toda banda projeta nessa situação, ter um álbum de sucesso tocando nas rádios. Pelo menos nos idos de 1994, isso ainda era fundamental antes da banda cair na estrada. (Tive o prazer de conferir um show dessa turnê. Exatamente o primeiro da banda no Brasil, realizado no Pacaembu em janeiro de 1995, mas isso fica para outra postagem).

As quinze músicas que constam no CD foram extraídas de uma lista de cerca de 70 canções que a dupla Jagger-Richards compôs para o trabalho. O resultado foi um álbum duplo primoroso. Começando pela faixa de abertura “Love Is Strong” puxada pela bateria de Charlie Watts anunciando a banda com a marcante guitarra de Keith Richards, o slide de Ron Woods e a gaita maliciosa tocada por Mick Jagger. A banda não foge de sua temática principal: canções de amor... ou melhor canções de sexo com um pouquinho de amor. Assim também é “You Got Me Rocking”, o rock rascante e pulsante que surge em seguida. No baixo, a novidade é o músico Darryl Jones, contratado depois da saída de Bill Wyman, membro original da banda. “Sparks Will Fly” mantém o pique “pra cima” do disco em mais um rock acelerado. O tradicional solo vocal de Keith Richards é também a primeira balada do disco, “The Worst”. Uma das melhores canções da discografia da banda com Keith nos vocais. O colorido extra da música fica por conta do pedal steel tocado por Ronnie Woods e o violino de Frankie Gavin. Jagger volta aos vocais também na balada “New Faces”, outro bom momento do disco, aonde o cravo tocado por Chuck Leavell é que dá a tônica. “Moon Is Up” afina um pouco a banda com a sonoridade da época, porém nada que faça a banda perder suas características. “Out Of Tears” retorna ao universo das baladas, dessa vez com o piano na condução. “I Go Wild” mostra a agressividade clássica da banda com pulsação forte e, não dá pra fugir do trocadilho, selvagem. Uma guitarra melindrosa com wah-wah tocada por Keith apresenta “Brand New Car” e somada ao sax de David McMurray fornecem o charme e particularidade da faixa no disco. Com um clima bem latino, “Sweethearts Together” vem com o acordeom de Flaco Jimenez e violão de nylon. O roquinho suingado “Suck In The Jugular” talvez seja a faixa menos inspirada do álbum, mas é imediatamente compensada por “Blinded By Rainbows”, outra grande balada, dessa vez com uma bela guitarra com efeito de tremolo em primeiro plano, mostrando a versatilidade e bom gosto de Keith Richards que não nos deixa esquecer a importância de uma boa guitarra base e como fazer uma textura eficiente com o instrumento. “Baby Break It Down” é uma amostra do lado rythm’n’blues dos Stones. Keith reaparece nos vocais em “Thru and Thru”, mais uma bonita balada na qual ele  também realiza outro interessante arranjo de guitarra numa linha mais blues. O fôlego final vem na faixa “Mean Disposition” na qual a banda acelera o ritmo novamente lembrando que o Rock'n'Roll não pode parar. Produzido por Don Was e os Glimmer Twins (codinome da dupla Jagger-Richards), “Voodoo Lounge” é um daqueles discos de rock para se ouvir em volume alto, e o vizinho que tenha paciência, ou agradeça por você ter bom gosto pelo menos!

O disco tem um instigante projeto gráfico com a capa estampando um desenho do que seria o “Voodoo Lounge”. Nome dado por Keith Richards a um gato de rua que ele adotou e que ficava no estúdio enquanto a banda gravava. No encarte a banda aparece em fotos com suas imagens avermelhadas e num fundo preto que nos leva a pensar num ambiente de pecado, seja um rendez-vouz, ou seja o próprio inferno que aparece de forma explícita num extrato da foto de Jac Remise intitulada “Satan’s Play Room” (sala de jogos de Satã) presente em seu livro “Satan’s Daily Life In The 19th” (Diário da vida de Satã no Século XIX), no qual várias caveiras se divertem num ambiente de jogatina. A língua símbolo da banda aparece em nova versão na contracapa, agora prateada e cheia de espinhos.




Entregando a idade: quando terminava de escrever a resenha em questão, lembrei que durante muito tempo ouvi esse disco através de uma fita K7 que gravei de um CD alugado. Os mais jovens talvez nunca tenham ouvido falar em locadora de CDs, mas isso existiu por um breve período em meados dos anos 1990.

segunda-feira, fevereiro 04, 2013

Keith Richards – Talk Is Cheap (1988)



Faz um bom tempo que eu queria comentar sobre esse álbum aqui, um “senhor” disco de Rock’n’Roll na sua mais completa essência. Talk Is Cheap é o primeiro álbum solo lançado por Keith Richards, o cara que é definitivamente a alma e o som dos Rolling Stones, digo isso sem o mínimo receio de estar errado, pois basta ouvir os trabalhos solos de Mick Jagger, por exemplo, para ver como soam um pop distante dos Stones, enquanto o disco de Keith traz em si a sonoridade da banda, a pulsação, o blues, a malandragem, tudo está lá. Guitarras, baixo e bateria em primeiro plano com um tecladinho aqui e ali, uma voz rouca e rascante que não se preocupa em soar perfeita (e se assim o fosse, não seria tão Rock’n’Roll).

O disco abre com Big Enough, música cheia de balanço com uma levada quebrada, baixo suingado tocado por Bootsy Collins e o sax de Maceo Parker dando um toque jazzístico improvisando por toda a faixa que conta ainda com o órgão de Bernie Worrell. Take Is So Hard é puro Stones, lembrando muito Start Me Up do disco Tattoo You de 1981 e Mixed Emotions do Steel Wheels que seria lançado no ano seguinte (1989), noutras palavras: um rockaço de primeira! Struggle segue na mesma linha, rock balançado e alto astral. I Could Have Stood You Up é um shuffle com destaque para o piano de Jonnhy Johnson e o sax de Bobby Keys, também músico de apoio dos Stones, assim como Chuck Leavell que aparece no órgão, além do ex-stone Mick Taylor na guitarra. Depois da porrada é chegada a hora da balada e assim como fez várias vezes nas suas incursões vocais nos Stones (vide Slipping Away, The Worst, entre outras), Keith manda a belíssima Make No Mistake em dueto com a cantora Sarah Dash, balada como só um verdadeiro rockeiro sabe fazer, para tomar um scotch e pensar naquela guria especial (ou talvez em todas elas). Mas para não ficar se lamentando, até porque o Rock nasceu para exorcizar a tristeza, Keith fecha o lado A (estou comentando a partir do vinil, ok?) com You Don’t Move dando aquele “chega pra lá” na mesma guria (ou nas mesmas).

O lado B vem na mesma pegada “isso que é Rock de verdade” com How I Wish, segue com a levada meio bebop de Rockwhile e emenda com a pulsante Whit It Up ambas com belos backing vocals de Sarah Dash e Patti Scialfa. Outra balada muito boa e que só reafirma o talento do compositor Keith Richards é Locked Away que tem uma leve sonoridade country reforçada pelo violino Michael Doucet. O disco encerra com It Means A Lot mantendo a linha do mesmo rock de classe que Keith desfila por todo o álbum. Todas as composições são assinadas por Keith em parceria com o baterista Steve Jordan com quem também dividiu a produção. Keith em momento algum parece tentar seguir a linha dos Stones, ele simplesmente está sendo ele mesmo, o que acontece é que ser ele mesmo é ser os Stones!

Keith Richards – guitarra e voz
Charley Drayton – baixo
Bootsy Collins – baixo em Big Enough
Joey Spampinato – baixo em I Could Have Stood You Up e Rockwhile
Jimmi Kinnard – baixo em Make No Mistake
Steve Jordan – bateria, percussão e backing vocals
Ivan Neville – piano e teclados
Johnny Johnson – piano em I Could Have Stood You Up
Chuck Leavell – órgão em I Could Have Stood You Up
Bernie Worrel – órgão em Big Enough e You Don´t Move Me e clavinete em Make No Mistake e Rockawhile
Waddy Watchtel – violão guitarra, slide guitar e assistente de produção
Mick Taylor – guitarra em I Could Have Stood You Up
Sarah Dash – backing vocals e voz em Make No Mistake
Patti Scialfa – backing vocals
Michael Doucet – violino em Locked Away
Stanley “Buchwheat” Dural – acordeom em You Don´t Move Me, Rockwhile e Locked Away
Bobby Keys – saxophone tenor em I Could Have Stood You Up e Whip It Up
The Memphis Horns – metais
Willie Mitchell – arranjos de metais


Primeiro e demorado post do ano que começa com minha promessa de tentar manter uma regularidade maior nas postagens, como diz o título do disco do Keith, talk is cheap (falar é fácil) por isso só digo que tentarei, tentarei...e se a mensagem de ano novo de 2012 aos leitores do rockngeral foi inspirada no álbum Ram do Paul McCartney buscando otimismo, a dessa ano fica por conta desse disco do Keith: então vamos deixar de conversa fiada e fazer mais! Grande abraço a todos e um ótimo ano!



domingo, julho 22, 2012

Maria McKee - You Gotta Sin To Get Saved (1993)



Nas últimas postagens sobre discos, falei de duas cantoras e compositoras que gosto, não foi premeditado, na verdade a única coisa que pensei é que escrevi pouco sobre discos no blog e resolvi dar uma garimpada na minha coleção e falar de alguns dos meus álbuns prediletos. Por obra do acaso, apareceu mais um disco de outra cantora e compositora na reta. Maria McKee é o nome da moça, americana, ex-integrante da banda Lone Justice.

Esse disco foi uma descoberta da era pré-internet quando não era tão fácil conhecer artistas que não estavam expostos na grande mídia (embora tenha feito muito sucesso nos EUA, Maria Mckee, por exemplo, nunca emplacou por aqui) e, acredite se quiser foi comprado de um vendedor de rua que trabalhava com CD's originais. Sim, já houve isso (pelo menos eu conheci alguns em BH), vendedor de rua de CD’s originais novos e usados, incluindo artistas desconhecidos e com direito a discman para testar e/ou conhecer o disco e foi dando uma ouvida rápida que resolvi levar esse CD. Maria McKee faz um pop com influências soul e folk e uma pegada blues/rock nesse álbum lançado em 1993.

“I’m Gonna Soothe You” abre o disco, parceria de Maria Mckee com Bruce Brody e Marvin Etzioni que fazem parte do enorme time de músicos que participam do álbum, um roquinho suingado com a participação das Waters Sisters nos backings vocals somando a bela voz de Maria, uma guitarra com um riff malandro à la Keith Richards passeia pela canção, aliás, o álbum produzido por Don Was em diversos momentos lembra um pouco a sonoridade dos Rolling Stones, na letra a garota resolve cuidar do namorado da amiga que não dá o devido tratamento ao rapaz. “My Lonely Sad Eyes “é uma regravação do grande Van Morrison, caiu muito bem na voz da cantora e essa é a principal diferença em relação ao arranjo gravado por ele, o instrumental, embora um pouco mais “cheio” (com um órgão Hammond fazendo aquela “cama” clássica) e vigoroso não foge muito do registro original. Na sequência duas boas composições solitárias de Maria, a balada “My Girlhood Among The Outlaws “e o country “Only Once” com uma sonoridade bem caipirona muito bacana. “I Forgive You”, ótima balada gospel de Maria Mckee em parceria com a cantora e compositora inglesa Sam Brown dá margem para ela soltar a voz com toda alma e energia, mais uma vez com o apoio das Waters Sisters que caem como luvas nesse tipo de canção. “I Can’t Make It Alone” trata-se de uma regravação da dupla de compositores Gerry Goffin e Carole King, bons intérpretes sempre têm o dom de fazer com que qualquer música que cantem soe como de sua autoria e é o que Maria Mckee faz nessa faixa que virou um rock muito interessante. O folk se faz presente em “Precious Time” com direito a gaitinha e tudo, composição dos guitarristas, Gary Louis e Mark Olson que também integram o time de músicos que participaram das gravações. Van Morrison reaparece na faixa “The Way Young Lovers Do”, outra música que Maria Mckee garimpou do repertório do compositor e regravou com muita personalidade, menos suingada que a versão de Morrison, acabou soando como um blues meio psicodélico. Também de autoria de Maria, Brody e Etzioni é a canção “Why Wasn´t More Grateful” , outro gospel com belos metais. Para fechar o disco, a canção título: “You Gotta Sin To Get Saved” de autoria de Maria, Brody, Etzioni e Sam Dogg, costumo dizer que grandes discos começam com bons nomes, pois esse começa e termina.

Posfácio: como esse disco tinha uma lista muito grande de músicos participantes (eu sei que isso não é uma desculpa), resolvi omitir essa informação no texto (até me senti traindo a classe da qual faço parte, rs), citando apenas os músicos que participaram das gravações e também de composições, mas o Baratta, amigo e leitor atento do blog chamou minha atenção para a participação do Jim Keltner na bateria que só pra começo de conversa tocou em vários discos das carreiras solos de Ringo Starr, George Harrison e John Lennon. Então aí vai a lista completa dos músicos que tem ainda a Maria Mckee ao piano e guitarras-base.

Maria McKee - piano, guitarra-base, vocais
Jon Auer - background vocals
Bruce Brody - órgão, piano, órgão Hammond, background vocals, palmas, Wurlitzer
David Campbell - regência
George Drakoulias - bateria
Marvin Etzioni - baixo, guitarra, bandolim, background vocals, palmas
Don Heffington - percussão, bateria, background vocals, palmas

The Jayhawks
Jim Keltner - bateria
Dale Lavi - palmas
Gary Louris - guitarra, background vocals, palmas

The Memphis Horns 
Spyder Mittleman - saxofone
Bud O'Brien - baixo
Mark Olson - violão, guitarra, gaita, background vocals, palmas
Nicol Sponberg - palmas
Ken Stringfellow - background vocals
Benmont Tench - órgão, piano, órgão Hammond, background vocals, palmas, Wurlitzer, órgão Vox
Mike Utley - piano
Don Was – baixo

Waters Sisters
Julia Waters - background vocals
Maxine Waters - background vocals
Edna Wright - background vocals
                                                                                                                                                                                    

sábado, janeiro 07, 2012

Vida - Keith Richards (ou Manual de Sobrevivência de um Rolling Stone)



Na tentativa de tirar o atraso do blog que ficou praticamente parado durante todo o ano de 2011 darei uma repassada aqui em alguns shows, lançamentos de discos, livros e acontecimentos no universo do rock e da música em geral ocorridos nesse período. Em alguns casos é só para lembrar, em outros como nos discos e livros fica a dica para quem ainda não ouviu ou leu.

Começo então com uma das melhores leituras do ano que foi a autobiografia de Keith Richards que embora lançada no fim de 2010, eu li em 2011. Com o título simples e incisivo de Vida (Life no original editado pela Little, Brown & Company), o livro foi lançado no Brasil pela Editora Globo. Numa narrativa muito boa (coordenada por James Fox) e recheada de detalhes, ele conta a sua história e a dos Rolling Stones como nenhum biógrafo poderia fazer, do ângulo de quem viu os acontecimentos de dentro; cheio de humor e da boa malandragem que a vida o ensinou.

Mesmo abordando muito o lado pessoal (por mais que eu leia biografias com certa freqüência esse aspecto não costuma ser o que mais me interessa a não ser quando os fatos citados realmente influem e refletem no trabalho do biografado ou fornecem pistas para compreensão de sua obra), Keith capricha nas informações sobre composições e nas gravações da banda, seu estilo de tocar guitarra e ainda alguns dos equipamentos usados por ele. Sem fazer restrições ele solta tudo, desfaz o mito de Brian Jones, fala das drogas de uma maneira aberta e honesta, assim como Clapton fez em seu livro que ao contrário do que se possa pensar, em ambos os casos está muito longe de estimular o seu uso (os dois viveram longos dramas para se livrarem do vício em heroína). Todas as polêmicas em que se envolveu na vida estão lá, as prisões, o casamento conturbado com Anita Pallenberg, as loucuras nas estradas numa época em que os esquemas de segurança eram bem diferentes de hoje, as lendas sobre as supostas trocas de sangue que ele teria realizado (confesso que eu mesmo cheguei a acreditar nisso durante um bom tempo). Ele ainda discorre sobre os desentendimentos com o amigo e parceiro de banda Mick Jagger, mostra um lado talvez inesperado de personalidades como Chuck Berry e Bob Marley e revela a parceria numa canção que começou a fazer com Paul McCartney há poucos anos atrás que acabou esquecida por eles.

Juntando tudo, o que temos é quase um manual de sobrevivência de Mr. Keith Richards (mas não vá tentar usá-lo, tenho a impressão que não daria certo com mais ninguém). Ele jura na orelha do livro que não se esqueceu de nada. Uma pena. Bem que ele poderia se lembrar de mais estórias para contar numa versão atualizada do livro. 

domingo, novembro 28, 2010

O Lutador



Tentar descrever o show de Paul McCartney com palavras é uma coisa extremamente vã, assim como o poeta Carlos Drummond de Andrade dizia que lutar com palavras era uma luta vã, mas, no entanto, lutava, eu lutarei aqui para tentar descrever com minhas palavras como foi o show.

Primeiro sou obrigado a lembrar que quinze anos separavam essa à minha primeira ida à cidade de São Paulo quando estive no Estádio do Pacaembu, em janeiro de 1995, para assistir ao primeiro show, no Brasil, dos conterrâneos de Sir Paul, os Rolling Stones. Era a turnê Voodoo Lounge e o show foi fantástico. O primeiro grande show internacional que eu vi. Dois anos antes, Paul havia passado pelo Brasil com a New World Tour e eu não me perdoava por ter perdido, na verdade também não me perdoava por ter perdido seu show no Maracanã em 1990, apesar da pouca idade em ambas as ocasiões.

O tempo passa. São Paulo, 21 de novembro de 2010, por volta de 17h30min no horário de verão brasileiro, estou dentro do Morumbi, tenso, emocionado, faltam cerca de quatro horas para Paul entrar no palco, não acredito que estou aqui para ver um show dele, olho pro palco, pros equipamentos, penso: Caramba! Chegou minha vez!

O show começou com o tradicional vídeo de introdução mostrando fases de toda a carreira de Paul McCartney e fatos da história mundial durante sua jornada musical. Achei um pouco longo, em parte pela expectativa de ver o show começar e, talvez, porque tivesse pouco movimento sendo que ele consistia em fotos e recortes de jornais acompanhados de versões remixadas de algumas de suas canções. Achava bem mais bacana o vídeo da New World Tour, mas, enfim, nada que desabonasse o show, foi legal ficar tentando reconhecer quem era quem nas fotos.

Finda o vídeo e eis que ele surge no palco calçando uma botinha-beatle, usando uma calça preta, camisa branca, suspensório e o blazer azul que pegou emprestado com o Rei Roberto Carlos (o blazer roxo que ele usou em Porto Alegre e na segunda apresentação em Sampa estava na tinturaria) e deixa todos atônitos, acredito que especialmente àqueles que como eu nunca o tinha visto ao vivo. Sim, logo ali na frente, no palco, estava James Paul McCartney, a lenda entre as lendas do rock, o cara responsável por todas aquelas canções e gravações magistrais que mudaram a história da música popular seja em carreira solo, com os Wings ou com aquela outra banda com a qual ele começou sua carreira.

Para começo de conversa, ele abriu o show com a canção que eu esperava, o medley Venus And Mars/Rockshow. Como ele também abriu outros shows dessa turnê e da anterior com Magical Mystery Tour (como aconteceu na apresentação da noite seguinte em São Paulo) eu fiquei com receio de não ter o prazer de ouvir esse medley magistral na abertura do show, embora também goste muito de Magical Mystery Tour. Foi só Brian dedilhar os primeiros acordes no violão para a platéia enlouquecer mais do que já estava só de ver Paul e a banda no palco. Na sequência eles emendaram Jet, outra pancada sonora da fase Wings. Logo depois veio All My Loving, a primeira canção dos Beatles que foi sucedida por Letting Go, outro grande rock dos Wings que nunca me soou tão bem quanto nessa versão. Aliás, a banda atual formada por Abe Laboriel Jr. (bateria e vocais), Paul “Wix” Wickens (teclados, vocais e eventualmente um violão), Brian Ray (guitarra, baixo e violão) e Rusty Anderson (guitarra, violão e vocais), além de Paul (baixo, piano, violão, ukelele e bandolim) soa bem pesada, com uma pegada mais pra Wings do que para Beatles, ao contrário da banda que acompanhou Paul na Get Back Tour (1989/90) e na New World Tour (1993) e talvez por isso mesmo Paul McCartney tenha dito que as canções dos Wings algumas vezes têm sido mais bem recebidas pelo público do que as dos Beatles. Que o leitor não imagine que as músicas dos Beatles não soem bem com a banda, muito pelo contrário, mas em termos de fidelidade sonora, realmente as músicas dos Wings soam mais próximas do Rock´n´Roll produzido por Paul durante os anos 1970. Drive My Car precedeu Highway do projeto paralelo Fireman (mais uma das incursões de Paul pelo universo da música experimental/eletrônica, dessa vez em parceria com o produtor Youth). Let Me Roll It fez com que Paul abandonasse o seu indefectível baixo Hofner em favor da guitarra pela primeira vez no show e foi outra que há tempos não ouvia com tanta empolgação. Depois ele sentou-se ao piano para convidar a platéia a uma viagem aos anos 1960, era uma chamada para entoar uma de suas mais belas baladas, The Long And Widing Road. Ainda ao piano dedicou a música que viria aos fãs dos Wings (como se já não tivesse tocado e ainda fosse tocar várias outras músicas dessa fase), acabei esquecendo que ele vinha executando Nineteen Hundred And Eigthy Five durante a turnê e fui pego de surpresa pela introdução da canção, motivo para subir mais um grau no nível de empolgação. Também ao piano e do repertório do Wings veio Let ‘Em In e My Love, feita para sua “gatinha, Linda”, como ele disse, esposa e parceira na banda e em toda a carreira solo até sua morte em 1998. De violão em punho atacou a introdução de I´ve Just Seen a Face que arrepiou logo no primeiro acorde da introdução, impressionante o poder de comoção que Paul consegue ter com sua música. O set acústico ainda rendeu And I Love Her e Blackbird e a homenagem a John na canção Here Today quando Paul pareceu ter se emocionado além do normal com a marcação de palmas iniciada pela platéia da arquibancada. Impressionante, essa era ainda apenas a décima quinta canção da noite e o todos já estavam mais que arrebatados. O baterista Abe arrancou risadas da galera ao ensaiar umas dancinhas durante Dance Tonight, sem descuidar do bumbo da bateria que continuava tocando enquanto mostrava seu potencial de dançarino. Mrs. Vanderbilt, outra pérola do disco Band On The Run que está sendo relançado numa nova masterização veio em seguida com direito a pulinhos empolgados de Paul durante o refrão. Para se recuperar do exercício extra, tocou a balada Eleanor Rigby, mais uma preciosidade musical que ele tem na manga. Com o ukelele ganhado de presente de George Harrison, Paul iniciou a versão intimista de Something que vem fazendo há algum tempo para depois a banda se juntar a ele provocando uma catarse no público que ainda se somou com as imagens de fotos de George no telão. A comoção é total. Sing The Changes também do segundo disco do Fireman é outra música que acabou parecendo mais um rock tradicional da carreira de Paul ao vivo do que parte de um projeto experimental assim como Highway. Entre tantas faixas de Band On The Run não poderia faltar claro a música título, uma mini-suíte impecável. Ob-La-Di, Ob-La-Da que está sendo tocada por ele ao vivo pela primeira vez é tão contagiante que me fez pensar porque não havia sido tocada antes em outras turnês, parecia ser uma escolha tão óbvia pra um show. Daí para frente só deu Beatles: Back In The USSR, I´ve Got A Feeling, Paperback Writer (tocada com a mesma guitarra Epiphone Casino com a qual foi gravada por Paul em 1966), A Day In The Life (emendando com Give Peace A Chance de John quando balões brancos surgiram no meio da platéia num ato combinado voluntariamente pelos fãs via internet) e Let It Be até chegar à perfomance apoteótica de Live And Let Die dos Wings com as explosões e fogos de artifícios. Para fechar, Hey Jude que me pareceu a versão mais curta já tocada por ele em um show. Será que foi por eu estava lá que pareceu tão curta? A impressão não foi só minha. Pronto, finalizo aqui o enorme parágrafo para você ter uma idéia da sequência eletrizante de até então aproximadamente duas horas e vinte minutos de show. A banda agradeceu ao público e deixou o palco para...

...voltarem logo em seguida para o bis que se iniciou com Day Tripper numa versão um pouco mais pesada que a original (como, aliás, já disse, soam as canções dos Beatles com a banda atual de Paul que já está com ele há dez anos), e depois teve Lady Madonna e Get Back. Sobrou tempo ainda para ele brincar e improvisar uma musiquinha com o nome de São Paulo. Pausa para respirar, tomar uma aguinha, quem sabe e...

...Paul de volta ao palco com seu violão Epiphone Texan toca Yesterday acompanhado apenas pelos teclados de Wix que reproduzem o arranjo de quartetos de cordas escrito por George Martin para canção originalmente gravada em 1965. Quando qualquer ser humano normal já teria aberto o bico depois de mais de duas horas e meia de show Paul tocou e principalmente cantou Helter Skelter, com aquela melodia alta e berrada como só ele consegue fazer. Ainda teve Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band (reprise) /The End para fechar a noite. Eu fiquei pensando que por ter sido um show tão bom, este deveria ter sido o melhor de TODA A CARREIRA dele (na verdade devo ter pensado assim porque eu estava lá pela primeira vez), mas, acho que foi um ledo engano, é impressionante, mas ele deve ser genial assim todas as noites. Na saída do palco Paul ainda tropeçou numa caixa de som e tomou um tombo que deixou a todos apreensivos por alguns segundos, porém ele levantou-se e continuou correndo e acenando para os fãs. Eu já tinha ficado bem preocupado que acontecesse um acidente assim com ele antes durante um pique que ele deu de um lado a outro do palco, mas no fim das contas o “véio” Macca parece estar bem melhor que o “véio” Moura e boa parte do público mais jovem que ele que estava lá, afinal ele parece até ter se cansado menos que nós que estávamos apenas assistindo. Eu desafio qualquer um aí a fazer isso e caso consiga, quero ver fazer aos 68 anos de idade.

Até a próxima, Paul!

PS.: Em alguns momentos durante o show obviamente começam a passar aqueles filminhos na cabeça, lembrando canções e fatos ligados a elas, um desses momentos foi quando me lembrei da primeira coisa que tive dos Beatles, uma fitinha k7 gravada de programas de rádio e numerada por mim como 000.000.1.

Ah, o título da postagem é inspirado no poema de mesmo nome de Carlos Drummond de Andrade, cujos primeiros versos são citados no primeiro parágrafo.

Dedicado aos parceiros desse e vários outros shows: André "Geléia" Guimarães, Francisco "Pan" Falabella, Adinam Franco Gonçalves, Eduardo "Frejat" Dornelas, Natália Santana, Leandro "Parmalat" Leroy, Baratta e a todos que estiveram no show e aos que infelizmente não puderam ir.

Fotos: 1.internet;2.Robert Moura; 3.André Guimarães clica o autor do blog imitando o gesto de Paul no pôster da turnê instalado no Morumbi com uma de suas camisas do Rei Roberto Carlos sempre presentes em show de Rock pelo Brasil afora.

segunda-feira, abril 28, 2008

Erasmo Carlos: 66 anos de idade, 50 de amizade com Roberto Carlos e toda a eternidade do Rock´n´Roll



Às vezes a gente pensa que já viu tudo na vida e de repente eis que somos surpreendidos. Erasmo Carlos, o eterno Tremendão me fez sentir essa sensação novamente durante seu show na última sexta-feira, dia 23 de abril. Cheguei à casa de shows e achei o movimento muito pequeno, quando entrei a impressão se confirmou, a platéia não estava tão grande, não me parecia um volume que fizesse jus a grandeza do artista. Porém bastou a banda atacar a introdução e Erasmo pôr os pés no palco para que qualquer imagem negativa se desfizesse, o público não era pequeno, era SELETO. Erasmo foi acompanhando em coro durante o show em todas as canções apresentadas e aplaudido calorosamente ao fim de cada uma delas. Abriu a noite com “Bicho de Estimação”, do cd Pra Falar de Amor, desse disco também apresentou a canção “Mais um na multidão”, gravada em dueto com a cantora Marisa Monte, na seqüência veio “Mesmo Que Seja Eu”. Cantou o amor às mulheres com suas clássicas “Mulher (Sexo Frágil)” e “Minha Superstar” e; em tempos de aquecimento global lembrou de sua “Panorama Ecológico” e o fato dele e Roberto Carlos estarem ligados em ecologia desde 1972.

O momento de maior emoção do show foi exatamente uma homenagem que Erasmo fez a Roberto. No meio do espetáculo, ele lembrou que eles se conheceram há exatos 50 anos, às vésperas de um show de Bill Halley no Maracanãzinho quando Roberto foi levado por um amigo à casa de Erasmo pela necessidade de conseguir uma letra de Elvis Presley para cantar no pré-show do roqueiro americano. Somente com o acompanhamento dos teclados, Erasmo acendeu uma vela e entoou um medley com algumas das maiores composições da dupla lançadas pelo parceiro Roberto, entre elas “Desabafo”, “Café da Manhã”, “Olha”(que já havia sido apresentada na íntegra), “Detalhes” e “Cavalgada”. Cássia Eller também foi homenageada na canção “Nasci Para Chorar” , versão que Erasmo assinou em 1964 e foi lançada por Roberto e que havia sido gravada pela cantora pouco tempo antes de sua morte para inclusão na trilha sonora do filme Houve Uma Vez Dois Verões.

Também fizeram parte do repertório as canções “Além do Horizonte”, “Pega na Mentira”, “Amar Pra Viver ou Morrer de Amor”, “Sou Uma Criança Não Entendo Nada”, “Gatinha Manhosa”, e obviamente seu maior sucesso não poderia faltar, “Sentado A Beira Do Caminho” na qual o artista se acompanhou ao violão, assim como em “O Calhambeque” outra versão que escreveu e foi um dos primeiros sucessos de Roberto Carlos.

Na última parte do show Erasmo mandou ver no Rock´n´Roll nas canções: “Eu Sou Terrível”, “Lobo Mau”, “Minha Fama de Mau”, “Vem Quente Que Eu Estou Fervendo”, “Splish, Splash”, “O Terror Dos Namorados”, “É Proibido Fumar” e “Festa De Arromba” que provaram que ele merece mesmo o título de pai do Rock Brasileiro ao colocar para fora toda energia que um show de rock não dispensa. Erasmo contou com a força de sua banda que literalmente senta pau no Rock composta pelo grande guitarrista Rick Ferreira (Rick´n´Roll como diz Erasmo), o tecladista José Lourenço que também é o diretor musical, Alexandre Cavallo no contrabaixo, Sérgio Nacife na batera, Marcos Neto nos violões e teclados, Percy na guitarra e Daniel Dantas sax e flauta. Vale ainda destacar o som que estava excelente, fato raro em ginásios. Erasmo mostrou que está em plena forma aos 66 anos de idade assim como alguns de seus companheiros de geração como Paul McCartney e os Rolling Stones. Então Let´s Rock, Tremendão porque tem uma molecada aí que ainda precisa aprender o que é Rock´n´Roll!!!

Obs: as fotos não são referentes ao show em questão.

Em tempo: Erasmo Carlos recebeu um Tributo virtual do qual participaram várias bandas e artistas brasileiros e entre eles o autor desse blog. Conheça o projeto:

segunda-feira, outubro 09, 2006

The Rolling Stones – Copacabana





Sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006, depois de tanto esperar chegou a hora da partida da caravana da qual serei guia com destino ao show dos Rolling Stones nas areias de Copacabana, Rio de Janeiro, cidade que tanto adoro apesar de tão pouco conhecer. Uma viagem tranqüila se segue até que desembarcamos direto na princesinha do mar pouco antes de sete horas da manhã. Um movimento ainda pequeno na praia, menos do que eu esperava, mas é claro que aquele mais de um milhão de pessoas especuladas para a apresentação gratuita da banda compareceria.

Com horário e local combinados com as 45 pessoas participantes da caravana para um reencontro após o show, é hora de cada um partir para o seu lado, meu primeiro compromisso na cidade é reencontrar com meu amigo Eduardo (apelidado por mim de Frejat), partimos então por um pequeno passeio pela cidade na companhia do Telo (também responsável pela excursão), Gabriel,e Flávio, acabamos indo parar na Lapa, bairro residência do Frejat (Eduardo). Depois de um breve descanso, onde procurei sanar minha enxaqueca, companheira de anos a fio, partimos novamente pra rua, agora pra encontrar com Alex, Anselmo e Alisson, companheiros de excursão que nesse momento já haviam descobertos os botecos da Lapa, com uma dor de estômago que me impedia de beber, e ainda um pé machucado, caminhamos pela cidade com pequenas paradas para fotografias. Falando em fotografias, tinha ainda um encontro marcado com o fotográfo Michael Meneses, amigo virtual, grande figura roqueira do Rio. Depois de encontrar com Michael e seus amigos partimos então a procura de um botequinho com cerveja barata, agora sim já com condições de beber. Missão impossível achar a tal cerveja, mas a peregrinação acabou fazendo com que nos encontrássemos com os amigos da caravana, Pan, Adinam e Daniel. Ah, sim três latas de Skol por cinco reais foi o preço mais convincente que encontramos.

Mas enfim estávamos ali pelo show dos Stones não é mesmo? Então quando resolvemos enfrentar a multidão a fim de um bom posicionamento para ver o show, vem a revelação do Telo: o celular da empresa fora roubado no meio da multidão, aliás furtado como aprendi na delegacia. Faltava pouco tempo para os Stones entrarem em cena e lá fomos nós, Telo, Frejat e eu à delegacia para registrar a queixa do furto, qual nada, a atendente nos informa que se quiséssemos ver o show deveríamos voltar no dia seguinte pois a delegacia já estava lotada de pessoas para serem atendidas, tivemos que fazer todo o trajeto novamente à pé, e foi do meio do caminho que ouvi os primeiros acordes de “Jumpin’Jack Flash”, apertamos o passo, bom lembrar que me encontrava com o pé esquerdo machucado e ainda assado por andar o dia inteiro. Enfim a praia de Copacabana, bem distante do palco, porém sem a mínima disposição para encarar a multidão novamente, resolvemos ficar por ali mesmo, imagino que estávamos próximo do último telão, nessa altura a banda já executava a segunda música do show: “It’s Only Rock’n’Roll”, sim isto é somente Rock’n’Roll mas eu gosto e muito, porque senão não teria como encontrar explicações que convencessem eu mesmo do motivo de estar ali, ainda que morto de cansaço. Vem então “You Got Me Rocking”, faixa do disco “Voodoo Lounge”, cuja turnê tive a honra de assistir no primeiro show dos Stones no Brasil, no Pacaembu, São Paulo em 1995. “Tumblin Dice”, a nova, “Oh No, Not You Again”, prepararam o terreno para a belíssima balada “Wild Horses”, "Rain fall down", "Midnight rambler" deram seqüência ao show que rendeu uma bela homenagem ao Ray Charles em "The night time is the right time" com direito a imagem do cantor projetada no telão. Uma pausa para a apresentação da banda, confesso que me assustei, no melhor sentido com o fato de Charlie Watts sair de trás da bateria e ir até a frente do palco agradecer aos aplausos e uma saudação mais que calorosa à alma dos Stones, Mr. Keith Richards, que deixou o guitarrista verdadeiramente emocionado, ele agradece em forma de música com a balada nova “This Place Is Empty” e seu número principal “Happy”, Ronnie Wood executa um slide competente nas duas canções. Jagger retorna ao palco empunhando uma guitarra e eles mandam “Miss You”, momento em que o palco móvel se dirige mais para perto do público, vem então um desfile de pérolas, "Rough Justice" também do álbum novo (A Bigger Bang), "Get off of my cloud" (do início da banda e um dos melhores momentos do show), "Honky tonk woman" (outro clássico da banda), "Sympathy for the devil" (o “sambinha”dos Stones não poderia faltar num show brasileiro). Para levantar a galera de vez o fim do show ainda guardava balas na agulha, ao primeiro toque do riff de “Start Me Up”,a multidão se agita e encontro forças sei lá de onde para pular com eles, vem então “Brown Sugar” fechando o show. Claro que um bis era esperado e eles retornam entoando a épica "You Can't Always get what you want", com um Mick Jagger trajando uma camisa com a bandeira do Brasil escrito Brasil e Rio de Janeiro e surpreso ao ouvir o coro no refrão da canção. “Satisfaction”? Sim, para fechar eles tocaram o maior hit da carreira da banda, a catarse foi total, apoteótica, um carnaval rock, foi isso que a cidade do Rio e o mundo assistiu. E sim, eu estava lá, cansado, bem de longe observando tudo aquilo, vendo o show também nos rostos das pessoas, das 1,3 milhão de pessoas que lotaram Copacabana. Um show que um verdadeiro roqueiro não pode se furtar a ver.



Comentário do Michael Meneses: “Um amigo virtual de BH fanático por Roberto Carlos me ligou para nos encontramos e com o povo da sua caravana de Cruzeirenses na estatua da Princesa Isabel. Ficamos conversando sobre Rio, Minas, Bebedeiras, violência nacional, Futebol, lugares estranhos para mijar, e vários outros assuntos...”