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domingo, dezembro 06, 2015

Banda Várias Variáveis + Robert Moura em Belo Horizonte




A partir de um convite feito pela Roma Produtora, irei tocar nos próximos dias 19 e 20 de dezembro numa festa de confraternização de fãs da banda Engenheiros do Hawaii. O show será no formato voz e violão. No repertório, apenas canções da fase Gessinger, Licks & Maltz com uma atenção especial às canções do chamado lado B da banda.

Na sequência, haverá apresentações da banda cover de Brasília, Várias Variáveis. A banda é formada por Nando Lima (voz, baixo, teclados e programações), Daniel Reis (guitarra, violão, harmônica e voz) e Jhonata Pikeno (bateria e percussão). Entre outras canções de todas as fases dos Engenheiros, eles tocarão na íntegra os álbuns  "A Revolta dos Dândis" no sábado e "Várias Variáveis" no domingo.

Programa imperdível para quem curte os Engenheiros do Hawaii.

O site enghaw.com.br publicou uma matéria super caprichada sobre o evento. Para acessar clique no link: http://enghaw.com.br/vc-enghaw/banda-varias-variaveis-e-robert-moura/

Endereço: Rua Espírito Santo, 348, Centro BH. (Caminhada de 3 minutos | 220 metros | ao Cine Theatro Brasil Vallourec)
Data: 19 (sábado) e 20/12 (domingo)
Horário: 19/12 - sábado (16h às 20h) - 20/12 - domingo (14h às 18h)
Ingressos: https://www.sympla.com.br/varias-variaveis--robert-moura__50825

Em tempo: A banda Várias Variáveis também se apresenta na capital mineira na sexta-feira dia 18/12 na Casa Cultural Matriz (R. Guajajaras, 1353 - fone: 031 3212-6122) a partir das 22h.
 

domingo, agosto 23, 2015

Augusto Licks - Workshop "Do Quarto Para O Mundo"




Nos últimos dois anos, ele foi citado com freqüência nas postagens do rockngeral na retrospectiva discográfica que fiz sobre sua carreira com os Engenheiros doHawaii. Agora, Augusto Moacir Licks reaparece por aqui numa das melhores notícias do ano para os músicos em geral e apreciadores de seu trabalho. Ele pode ter confirmado uma edição de seu workshop “Do Quarto Para o Mundo” em Belo Horizonte (cidade natal e residência deste que vos escreve). Organizado por Rodrigo Pedrosa e Manu Meneses, o workshop está em campanha no site kickante e uma vez que o financiamento seja concluído, Augusto Licks estará na capital mineira no dia 17 de outubro para a realização do evento. A campanha vem conquistando rápida adesão de músicos e estudantes, bem como de fãs interessados em apoiar o workshop e que embora não possam participar, seja por não serem músicos ou impossibilidade de estar na cidade na data do evento, receberão recompensas como palhetas personalizadas, posters, entre outros brindes elaborados pela produção. 
  
Uma das recompensas dos colaboradores da campanha será a participação em um Grupo Privado no Facebook que está prestes a ser lançado. Segundo informação obtida pelo rockngeral em primeira mão junto à produção do workshop, os participantes se surpreenderão com o conteúdo e depoimentos do próprio Augusto para o grupo.


Além do trabalho de sete anos com os Engenheiros do Hawaii, fase que rendeu os discos mais marcantes e de maior vendagem da carreira da banda, Licks tocou com o músico gaúcho Nei Lisboa nos anos 1980 com quem também registrou algumas parcerias. Depois de sua saída da banda atuou na composição de trilhas sonoras para cinema e teatro. Também realizou trabalhos como jornalista em rádio e TV, além de ter sido colunista de futebol para o Estado de São Paulo Online.


Para mim é uma grande satisfação pode colaborar com esse projeto e assistir ao workshop realizado pelo guitarrista brasileiro que mais me influenciou no caminho que venho trilhando na música até aqui. Certamente uma oportunidade única para os músicos belo-horizontinos que poderão conferir dicas de Augusto Licks sobre a carreira musical, instrumentos, produção e tecnologia. Com duração de quatro horas, participação limitada a trinta pessoas e planejado para ser bastante interativo com metade do tempo sendo direcionado ao músico responder às perguntas dos participantes, o público terá uma rara oportunidade de tirar dúvidas sobre as mais diversas variáveis da carreira musical.


Durante toda a duração da campanha de financiamento, as postagens do rockngeral trarão sempre os links e um acompanhamento de como anda o projeto.


Para saber mais detalhes, colaborar ou participar acesse as páginas no site kickante e no facebook. 



Sobre o Augustinho você também encontra mais informaçãos no blog: https://augustolicks.wordpress.com/

domingo, outubro 05, 2014

Engenheiros do Hawaii - Uma Breve Viagem Discográfica: Os Anos Gessinger, Licks & Maltz

9. Posfácio

Simples de Coração (1995)






Como havia dito na postagem sobre o disco Filmes de Guerra, Canções de Amor, resolvi adicionar um posfácio à série publicada aqui sobre os discos dos Engenheiros do Hawaii gravados pela formação Gessinger, Licks & Maltz. O texto que segue abaixo é uma adaptação de um comentário que escrevi no blog de Humberto Gessinger em 11 de janeiro de 2012, quando ele comentava sobre o disco em questão.

Depois da saída do guitarrista Augusto Licks, a banda admitiu de imediato o guitarrista Ricardo Horn, o músico faria alguns shows com Humberto e Carlos ainda no formato trio. Sem alcançar a sonoridade desejada por eles, ou tentando fugir de se tornar um cover de si mesma, eles acabaram optando pela entrada de mais dois novos membros: o guitarrista Fernando Deluqui (ex-RPM) e o tecladista e acordeonista Paolo Casarin, transformando em quinteto a banda que sempre havia sido um trio. 

Simples de Coração foi o primeiro disco da banda a não sair em vinil. A capa apresentava diferenças estéticas em relação aos trabalhos anteriores, começando pela ausência das engrenagens (presente nos sete discos do período GLM) e a mudança da fonte com o nome da banda (na edição em CD, um adesivo com o nome da banda vinha colado sobre a caixinha de acrílico, um Sagrado Coração estampava a capa).

No que tange a música, a banda apresentava inevitavelmente uma nova sonoridade em função da perda da guitarra tão característica de Augusto Licks. Os Engenheiros era uma das poucas bandas nacionais que tinha um som reconhecível logo na introdução de qualquer uma de suas músicas. Agora, eles apresentavam um som mais denso, de certa forma, devido à maior instrumentação das músicas com o formato quinteto e ainda a presença de músicos adicionais em várias faixas. Outra diferença fundamental foi a presença do produtor americano Greg Ladanyi que já havia trabalhado com os Jacksons, Jeff Healey Band, Kansas, Fletwood Mac, Toto, entre outros, o que levou a banda a gravar em Los Angeles. Talvez pelo fato da banda ainda estar procurando uma nova cara, juntamente com as referências dos trabalhos anteriores, o disco acaba por parecer mais com o produtor do que com a banda, o que acaba por não ser algo totalmente negativo, uma vez que Greg conseguiu um som espetacular no disco que contou com bons arranjos, e fazendo até com que o fraco guitarrista (?) Deluqui soasse bem no disco (num nível que nunca o tinha ouvido nem antes, nem depois em sua carreira). Já com o excelente tecladista Paolo Casarin ele não deve ter tido muito trabalho, o músico adicionou excelentes teclados e acordeons às músicas. Ricardo Horn com alguns bons momentos de guitarra também não comprometeu, assim como Maltz, agora com suas levadas de bateria um pouco limitadas, aparentemente pela nova (e maior) formação. Humberto manteve suas boas linhas de baixo, soando como um baixista mais “tradicional”, perdendo muito da pegada mais “guitarrística” que Augusto Licks, dizia que ele tinha.

O disco abre com a música “Hora do Mergulho”,  mais exatamente ainda, com um coro infantil cantando à capella em sua introdução, precedendo à entrada da banda e o bonito arranjo de guitarra de Ricardo Horn. Ele também apresenta um bom solo no meio da canção. Humberto adiciona uma linha de baixo, fazendo um acompanhamento com acordes, algo não tão recorrente no instrumento. Na letra, Gessinger continuava mandando bem, rebuscando seu estilo e mitificando sua imagem: “Eu sou um déspota esclarecido/nessa escura e profunda mediocracia”. “À Perigo,” já apresenta o acordeom de Casarin, instrumento que seria uma marca do disco. Deluqui (pasmem!) realiza um bom solo de guitarra. Humberto fala de resistência: “eu sigo em frente, pra frente eu vou/eu sigo enfrentando a onda/onde muita gente naufragou”. “Simples de Coração” tem a melodia reaproveitada da música Sweet Begônia II (cuja letra consta no encarte do disco A Revolta dos Dândis, mas nunca foi lançada pela banda). Cantando corajosamemente em tons mais altos, esse talvez seja o melhor disco de Humberto como vocalista. “Lance de Dados” tem uma levada acústica e traz a participação especial do percussionista Luís Conte. A temática segue falando em resistência, sobrevivência, novos rumos e comenta sobre um acidente automobilístico sofrido por Humberto pouco tempo antes: “Os deuses jogam pôquer/E bebem no saloon doses generosas de BR101”. “A Promessa” foi a música de lançamento do disco, um bom trabalho de Horn e Deluqui fazendo dobras nas guitarras e o piano de Casarin. Gessinger recorria à sua linha de crítica social: “Propaganda é a arma do negócio/No nosso peito bate um alvo muito fácil”. “Por Acaso” ressalta a mistura que resultou na sonoridade do disco, um lado acústico com violões e acordeom induzindo à música gaúcha e, de outro lado, guitarras que puxavam um pouco para o hard rock setentista (essa era inclusive a principal referência do novo visual da banda). “Ilex Paraguariensis” gravada apenas com instrumentos acústicos traz mais claramente a influência da música gaúcha desde o título que leva o nome da erva-mate com a qual se faz a bebida tão apreciada nos pampas: “Hoje eu acordei mais cedo/Tomei sozinho o chimarrão”. “O Castelo dos Destinos Cruzados” de Carlos Maltz, Ricardo Horn e Kleber Lúcio trazia o baterista novamente nos vocais desde a música “Filmes de Guerra, Canções de Amor” gravada no segundo disco da banda. “Vícios de Linguagem” tem Casarin brilhantemente tocando piano e um hammond B3 e participação especial de Julia e Maxime Waters e Carmen Twillie nos backings vocals cantando versos em inglês que evocam muito o Pink Floyd. “Algo Por Você”, parceria de Gessinger e Deluqui, tem um efeito de distorção na voz que soa interessante na primeira audição, mas logo se torna cansativo nas audições seguintes. “Lado A Lado”, de Gessinger e Casarin, tem letra e melodia comoventes que ganham muito com o coro de Kipp e Mark Lennon. Kevin Cronin, vocalista da banda REO Speedwagon também participa da faixa, tocando violão. A letra traz mais uma referência à obra de Roberto e Erasmo Carlos (“Esqueça as curvas da estrada de Santos/Se tu quiseres saber quem eu sou”), dupla citada algumas vezes por Humberto em músicas como “Nossas Vidas” e “Sopa de Letrinhas”: Apesar dos esforços, a formação não emplacou. Humberto nunca pareceu ter realmente gostado do quinteto, nem do disco. O que foi comprovado com a dissolução da formação no ano seguinte, com Humberto investindo num projeto "quase" solo que foi o Gessinger Trio, para em seguida reformular os Engenheiros do Hawaii com novos integrantes, dessa vez até mesmo sem a presença do co-fundador da banda, Carlos Maltz.



P.S.: Eu sempre me pergunto por que continuar a escrever textos e resenhas como essa, se como dizia Ezra Pound: “a melhor crítica não adiciona nada para quem lê”. Ou como canta Humberto Gessinger em "Vícios de Linguagem": “o principal fica fora do resumo”. Talvez estes textos sirvam como despretensiosas recomendações aos poucos leitores, talvez sirvam para iniciar algumas discussões musicais, ou ainda, e mais provavelmente, não sirvam realmente para nada.

Em tempo: reproduzo abaixo nos comentários, o que escrevi na citada postagem de Humberto Gessinger que traz ainda um comentário de pessoa uma anônima sobre o tamanho do texto que escrevi na ocasião.

domingo, setembro 07, 2014

Engenheiros do Hawaii - Uma Breve Viagem Discográfica: Os Anos Gessinger, Licks & Maltz

8. Capítulo VII - Final

Filmes de Guerra, Canções de Amor (1993)




Assim como fizeram em 1989, ao lançar o disco ao vivo Alívio Imediato, após três discos de estúdio, os Engenheiros do Hawaii colocaram na praça, Filmes de Guerra, Canções de Amor (título de uma música presente no segundo disco da banda A Revolta dos Dândis), segundo álbum ao vivo, depois de outra sequência de mais três trabalhos de estúdio. No entanto, ao invés de apenas fazerem um registro da turnê como fizeram no "ao vivo" anterior, eles optaram por um novo formato. O set básico do disco era composto por Humberto Gessinger e Augusto Licks tocando guitarras semi-acústicas e Carlos Maltz na percussão. Com eventuais momentos de Gessinger ao piano ou acordeom, e Licks na harmônica. Outra ideia tirada do Alívio Imediato foi a inclusão de novas canções (duas delas registradas em estúdio e duas gravadas ao vivo). A escolha do repertório não necessariamente privilegiou as canções de maior sucesso, e eles buscaram faixas de todos os álbuns da banda (exceto do disco Gessinger, Licks e Maltz, do qual a música “Parabólica” só aparece no vídeo lançado em VHS na época e relançado em DVD anos depois). O disco contaria com a produção de Mayrton Bahia, depois de vários anos com a banda se autoproduzindo. A capa com um fundo que reproduz uma madeira com uma boca em f (a abertura presente em instrumentos como o violino e a guitarras semi-acústicas) atentava para a sonoridade mais acústica do trabalho. 

Com participação da Orquestra Sinfônica Brasileira, arranjada e regida por Wagner Tiso, a nova música “Mapas do Acaso” abre o oitavo disco dos Engenheiros, sétimo e derradeiro da formação Gessinger, Licks e Maltz. Humberto e Licks empunham guitarras semi-acústicas com Maltz na percussão a qual se soma a sonoridade sutil da orquestra. Licks passeia suas frases de guitarra elegantemente pela música, como faria em todo o álbum, mostrando sua versatilidade musical. Raramente lembrado, esse talvez seja um de seus melhores solos em seus trabalhos com os Engenheiros. As novas letras de Humberto também estariam entre seus melhores momentos da discografia da banda. A música, assim como todas com orquestra, foi gravada sem a presença da plateia que já surge na segunda música, “Além dos Out-doors” também apresentada com a “nova” formação instrumental da banda, com Augustinho brilhante na execução de sua guitarra Gibson 175. Apesar do formato e sonoridade mais leves, a banda consegue manter a pulsação firme, levando as músicas em vários momentos para uma pegada mais jazz e blues. “Pra Entender” vem amarrada à “Além dos Out-Doors”, quase transformando as duas músicas em partes A e B de uma mesma canção. Licks sola a guitarra cantando as notas ao mesmo tempo, a mixagem esconde um pouco isso no disco (no áudio do vídeo é mais evidente). Outra novidade do disco é a música “¿Quanto Vale a Vida?”, uma das mais belas e singelas da banda. A harmônica de Licks materializa em notas o lirismo da letra escrita por Humberto (“Nas garras da águia, nas asas da pomba, em poucas palavras, no silêncio total, no olho do furacão, na ilha da fantasia, quanto vale a vida”?). No final da canção, trechos de “Piano Bar” e “Perfeita Simetria”. “Crônica” reapareceu no repertório da banda, se renovando de tal forma que seria mantida por muito tempo no setlist dos Engenheiros. Dispensável citar mais um grande solo de Licks. Humberto registra sua primeira gravação tocando acordeom na música “Pra Ser Sincero” que encerra o lado A do disco, deixando a marca da música gaúcha na sonoridade da banda, especialmente na segunda parte. 

“Muros & Grades” abre o lado B com novo arranjo, aonde a batida da guitarra tocada por Humberto traz a canção para o que se convencionou chamar de MPB. Licks toca a guitarra com e-bow (equipamento que empresta ao instrumento uma sustentação prolongada, soando próximo ao que o arco faz em um violino). Assim, como no disco Alívio Imediato, a banda permite a “participação” da plateia que tem assobios e gritos registrados no decorrer dessa e outras faixas. E a música seguinte, é exatamente a que deu nome ao primeiro disco ao vivo (gravada então numa versão de estúdio). A nova versão da música “Alívio Imediato” ganhou também nova letra, com mudanças feitas à original (“Holofotes iluminam a libido e o vírus, o álibi perdido, elo de ligação, não há nada de concreto entre nossos lábios, só um muro de batom e frases sem fim, é que tudo se divide, todos se separam, uma república no pampa, um ponto em circunstância, um muro nos divide, uma grade nos separa”). A pesada “Ando Só” gravada no disco Várias Variáveis, também recebeu o toque sutil do disco com Gessinger ao piano e mais uma vez a participação da Sinfônica Brasileira regida por Tiso, como também acontece com as duas partes de “O Exército de Um Homem Só” unidas, fechando a parte ao vivo do disco. Momentos finais e épicos do show gravado na Sala Cecília Meirelles, no Rio de Janeiro. Ao executarem essas músicas a banda certamente não imagina estar realizando ali o que seria o “canto do cisne” da formação, e sem dúvidas, a música seria um bom resumo dos momentos finais, “livres dessa história, a nossa trajetória não precisa explicação, e não tem explicação”. Na sequência eles apresentariam duas novas canções apontando os rumos que a banda poderia seguir, caso a formação não viesse a ser desmanchada poucos meses após o lançamento do disco com a saída de Augusto Licks, em maio de 1994. São elas: “Às Vezes Nunca” que começa ainda com a presença das guitarras semi-acústicas e a percussão somadas à clarineta do genial Paulo Moura e ao acordeom de Wagner Tiso. No final, a música ganha um trecho pesado com o retorno da guitarra, baixo e bateria. E fechando o disco, “Realidade Virtual” com piano, acordeom e baixo tocados por Humberto, guitarra e violão de Licks e bateria de Maltz, participação especial no coro dos Golden Boys (que já haviam gravado com os Engenheiros na música "O Papa é Pop") e das cantoras Jurema, Ana, Cecília e Nair. A letra rezava que era “preciso fé cega e pé atrás” e que “viver não é preciso e nem sempre faz sentido”. Ainda que provavelmente não soubessem que esse seria o último trabalho do trio Gessinger, Licks e Maltz, a banda inconscientemente encerrou a formação com um grande disco e que acabava relendo toda sua obra até então.

Em tempo: assim como escrevi sobre o disco Longe Demais das Capitais quando a banda ainda não contava com a presença de Augusto Licks como um prefácio dessa série, vou aproveitar um comentário que escrevi no blog do Humberto Gessinger, sobre o disco subsequente à saída de Augusto da banda, Simples de Coração para adicionar um posfácio à série.

domingo, agosto 10, 2014

Engenheiros do Hawaii - Uma Breve Viagem Discográfica: Os Anos Gessinger, Licks & Maltz

7. Capítulo VI

Gessinger, Licks & Maltz (1992)




Nenhum título poderia ser mais direto do que esse que levou os nomes dos integrantes da banda, ou sobrenomes, na verdade. Gessinger, Licks & Maltz foi o sétimo disco dos Engenheiros do Hawaii (e sexto da formação) e manteve a tradição da banda de lançar um disco anual desde o lançamento do primeiro em 1986. Depois do sucesso arrebatador dos discos O Papa é Pop e Várias Variáveis, eles lançaram um álbum que teria menor repercussão radiofônica. Tornaram-se hits apenas as faixas “Ninguém=Ninguém” e “Parabólica”. O disco trazia uma sonoridade um pouco mais leve, com uma recorrência maior de baladas e muitos teclados. Porém, longe de parecer um disco fraco, ele apresentaria a banda num de seus melhores momentos, Humberto escreveu algumas de suas mais inspiradas (e longas) letras. Nos momentos power trio de guitarra, baixo e bateria, a banda apresenta a unidade e entrosamento conseguidos com os anos de estrada e gravações.

Uma guitarra slide acompanhada de um arpejo no contrabaixo abre o disco. Era a canção “Ninguém=Ninguém” que seria o primeiro single (ou música de trabalho como se diz de maneira infeliz no Brasil). Humberto seguia escrevendo letras que denunciavam seu incômodo com questões sociais e humanas, com título extraído de uma frase do livro A Revolução dos Bichos do escritor inglês George Orwell. A faixa apresentava a sonoridade atingida pelo grupo no disco anterior, Várias Variáveis, assim como a música seguinte:”? Até Quando Você Vai Ficar?” com seu arranjo e riffs intrincados de baixo e guitarra. Maltz se encontrava no seu melhor momento como baterista e contribui muito para uma das faixas mais marcantes da discografia da banda. “Pampa no Walkman” é uma milonga gaúcha, gravada de maneira acústica, apenas com os violões de Humberto e Augusto e a percussão de Carlos. A música foi composta por Gessinger ainda na adolescência e teve trechos revistos para a gravação, e assim como em muitos momentos da carreira da banda, dialoga com seu próprio trabalho ao fazer referência à música “Sampa no Walkman” gravada no álbum anterior. “Túnel do Tempo” é a primeira das várias faixas do disco nas quais o teclado assume papel importante na condução da música. “Chuva de Conteiners” retorna a sonoridade mais rock indo para uma linha mais virtuosística na construção do arranjo. Definitivamente os Engenheiros se encontravam num entrosamento musical excepcional. A música começa com Augustinho cantando uma segunda voz, coisa bem rara na história da banda. Da introdução leve acompanhada de violão, eles vão para uma quebradeira de guitarra, baixo e bateria como poucas vezes se ouviu no rock nacional. “Pose (Anos 90)”, outra das longas letras de Humberto, apresenta seus trocadilhos e aliterações, uma de suas marcas registradas que agradava muito aos fãs (e incomodavam imensamente aos que não curtiam a banda): “Não vou viver pra sempre, nem morrer a toda hora, como rasgos pré-fabricados num novo-velho blue-jeans”, “Pela TV a acabo uma baleia acaba de nascer”, “é pura pose, pois é, pós-qualquer coisa e o pior não é isso”. Depois de um falso final, a música retorna ao refrão para encerrar de forma abrupta o lado A. 

“No Inverno Fica Tarde + Cedo” abre o lado B, tendo mais uma vez o teclado como base principal, sendo que a maior parte da música é conduzida apenas pelo instrumento com Humberto se acompanhando enquanto canta mais alguns de seus bons versos (“só depois de perder você descobre que era um jogo, um jogo que não acaba nunca, nunca acaba empatado”). “Canibal Vegetariano Devora Planta Carnívora”, parceria de Gessinger e Licks, tem letra longa que faz jus ao título tanto no tamanho quanto nos trocadilhos (“overdose homeopática, ode ao que se fode, humildade com “H” maiúsculo e dourado, enfant terrible veterano, calendário eterno, fuso anti-horário, luz difusa, confusa explicação, tara relax, safe sex, disneylândia dândi, a grande guerra, pantanal new age, bacanal cristão, fanatismo indeciso, fanática indecisão...”). E se naquela época o compositor já achava um pesadelo a possibilidade de todo mundo ser tudo, o que diria hoje então, nos tempos em que “todo mundo é poeta, todo mundo é atleta” e que todo mundo realmente parece ser (ou querer ser) tudo? O contrabaixo aparece fazendo de forma marcante na música que é a mais longa do disco. “Parabólica”, outra balada acústica, teve a letra composta por Humberto para sua filha, Clara, e tem música de Augusto Licks que também construiu um belíssimo arranjo de violão. A música se tornou outro hit da banda. O teclado retorna em “A Conquista do Espelho” para reinar nas últimas três faixas do disco que se emendam como uma suíte. Augustinho apresenta alguns bons momentos de guitarra, bem como o solo da faixa em questão. “Problemas...Sempre Existiram” aparece na sequência e desemboca em “A Conquista do Espaço” que fecha o disco de maneira comovente com a guitarra “chorada” de Licks acompanhando o texto declamado por Gessinger: A MÍDIA...A MEDIOCRACIA, MUITO ZORRO E NENHUM SARGENTO GARCIA, HÁ MUITO JÃO NÃO SOMOS COMO JÁ FOMOS: TODOS IGUAIS, IGUAIS AOS POUCOS QUE AINDA ANDAM, IGUAIS A TANTOS QUE ANDAM LOUCOS, IGUAIS A LOUCOS QUE AINDA ANDAM, IGUAIS A SANTOS QUE ANDAM LOUCOS DE SATISFAÇÃO...”

A capa azul com escritos na cor amarela trazia engrenagens que imitavam o logotipo utilizado pela banda Emerson, Laker e Palmer, e assustava mais uma vez numa época em que já não era tão comum o uso das cores primárias (o que dirão hoje?). Com Gessinger, Licks e Maltz, os Engenheiros escrevem mais um capítulo de sua história e, o penúltimo da carreira discográfica de sua formação clássica.

domingo, julho 13, 2014

Engenheiros do Hawaii - Uma Breve Viagem Discográfica: Os Anos Gessinger, Licks & Maltz

6. Capítulo V

Várias Variáveis (1991)




Depois d'O Papa é Pop, os Engenheiros do Hawaii apareceram com mais um título e uma canção propositalmente cheia de aliterações, "A Pampa é Pobre/O país é pobre/É pobre à pampa/O PIB é pouco/O povo pena, mas não pára/A poesia é um porre/O poder, o pudor/Várias Variáveis/O pão, o peão/A pátria à flor da pele pede passagem...". Era a canção "O Sonho é Popular", anunciando um dos melhores discos da banda e servindo de prelúdio para a regravação de "Herdeiro da Pampa Pobre" de Gaúcho da Fronteira e Vainê Darde. Prato cheio para Augusto Licks apresentar mais um de seus personalíssimos solos, usando a técnica de tapping que consiste em tocar com as duas mãos na escala do instrumento. Augusto imprime personalidade ao buscar inspiração na música gaúcha e consegue soar diferente no uso de uma técnica na qual todos guitarristas soam iguais. “Sala Vip” é uma das canções mais pesadas e agressivas gravadas pela banda, tanto no instrumental quanto na letra ("Não, nem vem que não tem, eu não devo nada pra ninguém", "Tô de saco cheio, chega, deu pra mim, eu não sou do meio, não sou do meio termo, quero todos os gestos ou nenhum"). “Piano Bar” é outra balada com base nos teclados, agora nos comandos de Humberto Gessinger, deixando o parceiro Augusto livre para executar mais um marcante solo de guitarra. “Ando Só” mostra o trio "redondinho", com a bateria de Carlos Maltz com bastante punch, e as boas linhas de baixo e guitarra que inclusive dialogam durante o solo num jogo de pergunta e resposta. “Quartos de Hotel” com seu riff pesado na introdução surpreende o ouvinte ao desembocar numa base de violão transformando a canção numa balada que logo no primeiro refrão retorna ao clima mais pesado e fecha o lado A.

O lado B surge com a vinheta que leva o nome do disco, uma colagem de sons e ruídos, no melhor estilo “Revolution #9” dos Beatles, que apresenta mais uma vez um riff que apareceria em vários discos da banda (vide as músicas “Vozes” e “A Verdade a Ver Navios” presentes no segundo e terceiro discos dos Engenheiros respectivamente). “Sampa No Walkman”  inicia com o mesmo riff  de “Quartos de Hotel”, assim como eles já haviam feito em “A Revolta dos Dândis I e II”. A música presta uma homenagem a Caetano Veloso e a cidade de São Paulo (“a mesma esquina em outra canção”). Dois grandes instrumentais com dois solos perfeitos de Augustinho em ótima forma e domínio total de seu instrumento. “Muros E Grades” com um baixo pulsante e a bela introdução executada numa guitarra 12 cordas, se tornou um dos clássicos da banda com mais uma das instigantes letras de Humberto (“então erguemos os muros que nos dão a garantia de que morreremos cheios de uma vida tão vazia”; “levamos uma vida que não nos leva à nada”). “Museu de Cera” mantém a mesma pegada com instrumental vigoroso e o uso de samplers como em outras faixas do disco. Os versos finais são cantados à capella (o mesmo acontece na última faixa do disco). Na sequência, dois momentos acústicos e bastante despojados que dão a impressão que a banda gravou tocando ao vivo no estúdio, com Humberto ao piano, Licks no violão e Carlos na percussão, eles apresentam a breve “Curtametragem” ("A vida é uma viagem, passagem só de ida"..."A vida é uma viagem, bebida sem gelo engolida às pressas, às vésperas da sede"), nessa, eles erram no meio e recomeçam a canção; assim como fazem na introdução  da música subsequente, “Descendo A Serra”, que traz mais alguns bons versos da verve "gessingeriana" (“é sempre mais difícil dizer adeus quando não há nada mais pra se dizer”). Depois do bucolismo das duas baladas, outro momento quebradeira com a música “Não É Sempre”, Humberto apresenta ao longo do disco toda uma série de letras inspiradíssimas com seus trocadilhos cortantes e aqui não é diferente ("Acontece que eu não nasci ontem e até hoje sempre escapei com vida", “não queria estar no meu lugar, não queria estar em lugar nenhum), Augusto Licks comparece com mais um grande solo. Para fechar, “Nunca é sempre”, uma segunda parte da canção anterior com a mesma harmonia da primeira faixa do disco que o liga e o fecha como se fosse um livro.

A exemplo do disco anterior (O Papa É Pop), Várias Variáveis também teve a produção a cargo da banda, na verdade, como diria Carlos Maltz no mesmo ano: “o Augusto produz tudo, e quando ele grava eu o produzo”. A capa verde marca um retorno à trilogia idealizada a partir do segundo (amarelo) e terceiro (vermelho) discos da banda com as cores inspiradas na bandeira do Rio Grande do Sul, mas que havia sido adiada em razão do disco ao vivo (Alívio Imediato) e d'O Papa É Pop que eles consideram acidentais na trajetória discográfica da banda. Circulando uma foto do trio temos uma cobra mordendo o próprio rabo dando ideia de continuidade. As engrenagens continuam, agora apresentando símbolos da cultura pop como o Mickey Mouse; uma paródia da Coca-Cola aonde lê-se Beba Chimarrão no lugar do nome da marca de refrigerantes; distintivos dos clubes de futebol gaúchos, Grêmio e Internacional; o “Senta a Púa” da Força Aérea Brasileira e o “Já te atendo, tchê!” do Esquadrão Aéreo Pampa (com a também figura de outro personagem da Disney, o Zé Carioca, travestido de “Zé Gaúcho” com direito à cuia de chimarrão); o símbolo das Nações Unidas; um antigo discador de telefone; o trifólio, símbolo da radioatividade; o desenho o Homem Vitruviano de Leonardo Da Vinci; uma moeda de cruzeiro; a pirâmide iluminatti das notas de um dólar e até um Smile . A ideia original era usar logotipos de diversas marcas de carros, mas houve receio por parte da gravadora com o risco de problemas com as empresas, o que levou às mudanças no projeto. A contracapa traz ainda mais uma série de variações dessas engrenagens, com o logotipo da gravadora RCA, da Cruz Vermelha, o cartaz de Proibido Fumar, estrela de Davi, o “A” de anarquia, e os símbolos de masculino e feminino.Várias Variáveis é um dos discos mais rockeiros da banda e ao mesmo tempo manteve um pouco da vertente progressiva que a banda sempre cultivou embora nunca tenha entrado de cabeça nela.  



 
Obs: assim como os Engenheiros fizeram com o disco Várias Variáveis, eu dedico essa postagem ao homem só, seja ele quem for, esteja onde estiver.

sábado, agosto 31, 2013

Engenheiros do Hawaii - Uma Breve Viagem Discográfica: Os Anos Gessinger, Licks & Maltz

5. Capítulo IV

 O Papa é Pop (1990)





Considerado pela própria banda como um disco acidental em sua trajetória, assim como o ao vivo Alívio Imediato que havia interrompido a trilogia com as cores da bandeira do Rio Grande do Sul com os discos A Revolta dos Dândis e Ouça O Que Eu Digo, Não Ouça Ninguém, os Engenheiros do Hawaii apareceram com mais um disco provocativo desde o título no qual eles exploravam uma sonoridade mais pop do que haviam buscado até então. Para ajudar a atingir esse objetivo, Carlos Maltz utiliza bateria eletrônica em todas as faixas, teclados se fazem mais presentes, agora executados também por Humberto Gessinger juntamente com Augusto Licks, além das modernas guitarras e baixos Steinberger com seus captadores ativos, eles começam a utilizar os midipedalboards que produziam efeitos e notas digitais executados por Gessinger e Licks com os pés enquanto as mãos se ocupavam dos instrumentos habituais. 


O Exército de Um Homem Só I abre o disco com sua marcante introdução, executada num violão XII cordas por Augusto Licks, co-autor da canção com Humberto Gessinger e que é dedicada a Mathias Rust (piloto amador alemão que invadiu o espaço aéreo soviético em 1987 durante a Guerra Fria aterrando em plena Praça Vermelha como forma de protesto pela paz). A letra fala de resistência, ainda que solitária: “Não importa se só tocam o primeiro acorde da canção, a gente escreve o resto...”, ”Somos um exército, um exército de um homem só, no difícil exercício de viver em paz”. Era Um Garoto Que Como Eu Amava Os Beatles e os Rolling Stones foi a primeira visita ao repertório alheio cometida pela banda e se deu de forma totalmente acidental. A música passou a ser tocada pela banda nos comícios do então presidenciável, Leonel de Moura Brizola, quando eles sentiram necessidade de executar algo que pudesse agradar um público que para eles supostamente pudesse não conhecer suas canções. A partir de uma gravação extraída de um programa de TV ela começou a ser executada nas rádios e eles decidiram incluí-la no disco. De autoria de Franco Migliacci e Mauro Lusini, a canção é originalmente italiana e a letra em português é assinada por Brancato Júnior. Os Engenheiros mantiveram a introdução da versão lançada pela banda Os Incríveis e que era "chupada" da versão dos Birds da música Mr. Tambourine Man de Bob Dylan. Augustinho faria mais um de seus solos marcantes numa colagem de melodias que envolviam o tema da seleção brasileira na copa de 70 e os Hinos dos EUA e da Independência do Brasil (por acaso, a fonte utilizada no logo dos EngHaw também fora inspirada na mesma utilizada pelos Incríveis em num compacto no qual eles gravaram os Hinos Nacional e da Independência!). A canção era sucedida por O Exército de Um Homem Só, II, também assinada em parceria por Augusto e Humberto, uma variação de O Exército I e que tinham a função de fornecer uma introdução e conclusão para Era Um Garoto, sendo mais uma vez dedicada a Mathias Rust, tendo agora como motivo “seu maluco ataque a uma enfermeira na prisão”. (Para quem não conhece o caso e queira entender  melhor: http://obviousmag.org/archives/2009/04/mathias_rust.html). Nunca Mais Poder é outra canção da dupla Gessinger/Licks presente no disco e tem uma estrutura musical que leva a banda para um lado mais progressivo que seria mais desenvolvido no lado B do disco e nos dois álbuns subseqüentes da banda. O verso inicial “Todo mundo é moderno, todo mundo é eterno” ecoa na minha cabeça como que inspirados nas palavras de Carlos Drummond de Andrade “Cansei de ser moderno, agora serei eterno”. Também da safra Gessinger/Licks é a música Pra Ser Sincero, um dos grandes sucessos da banda e que apresentava Gessinger ao piano e Licks no teclado. Olhos Iguais Aos Seus ainda com Humberto nas teclas tem mais um de seus  bons trocadilhos, “?o que fazem as pessoas parecerem tão iguais?”, “o que fazem as pessoas para serem tão iguais?”.


A faixa título, outro grande hit do disco, só apareceria no lado B, com sua também marcante introdução de guitarra. A música O Papa é Pop tem uma das raras participações de outros músicos em discos dos Engenheiros com o grupo Golden Boys fazendo o côro. A Violência Travestida Faz Seu Trottoir começa com uma interessante introdução de baixo e tem mais uma daquelas letras quilométricas de Humberto e traz ainda a participação especial da cantora Patrícia (Marx). Com muitas variações melódicas e diferentes passagens instrumentais direcionava a banda para a linha progressiva, reafirmada na faixa seguinte, Anoiteceu em Porto Alegre com seus mais de cem versos e intrincadas variações instrumentais em mais de oito minutos de música. Fechando o disco, a curtinha, mas não menos interessante, Ilusão de Ótica, que traz um dos mais belos solos de Augusto Licks. As versões em fita K7 e CD trariam ainda a faixa bônus, Perfeita Simetria, com a mesma melodia da música O Papa é Pop, porém com letra diferente e algumas diferenças de arranjo.


Pela primeira vez a banda assinava a produção de um de seus discos. A crítica não aceitando se curvar a uma banda que não se curvava a ela cometeria exageros como criticar o público da banda e até as roupas que eles usavam.  A capa tem uma tarja sob o nome da banda assim como no primeiro disco Longe Demais das Capitais exibindo apenas a palavra "Engenheiros" na frente com o título do disco logo abaixo e o restante do nome da banda “Do Hawaii” na contracapa. Além da banda e um sofá vermelho no qual estão sentados Carlos e Augusto (com Humberto em pé à esquerda) a imagem mostra a guitarra Steinberger branca de Augustinho que seria uma das marcas registradas do músico e um pôster de Karol Józef Wojtyla, o Papa João Paulo II tomando chimarrão e usando um chapéu de gaúcho, numa foto de Carlos Contursi e pertencente a Leonel Brizola feita durante visita a cidade de Porto Alegre e que foi a inspiração inicial de Humberto Gessinger para a canção título do álbum. Na contracapa, uma foto em mesmo ângulo sem a presença da banda, mostra apenas o sofá, a guitarra e a mesma foto de João Paulo II com um efeito colorido lembrando as figuras pops criadas por Andy Warhol. O Papa é Pop foi o disco de maior sucesso comercial da banda ultrapassando meio milhão de cópias vendidas e confirmando que a banda estava certa: o Papa é (era) pop!