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quarta-feira, janeiro 25, 2012

O Livro de Ouro da História da Música - Otto Maria Carpeaux




...ainda repassando minhas "leituras musicais" em 2011...

Ganhei este livro de presente da minha amiga Jéssica numa madrugada de domingo em janeiro passado, poucos minutos após colocar os pés na cidade de Porto Alegre pela primeira vez. Desconhecia até então a grandeza da obra de Carpeaux, mas assim que comecei a lê-lo vi que seria um livro fundamental em minha vida.

Otto Maria Carpeaux nasceu em 1900 na Áustria onde se formou em Matemática, Física, Química, Filosofia e Letras na Faculdade de Viena tendo estudado paralelamente História, Sociologia e Música (sim, você leu certo e o autor do blog não está louco, ele estudou isso tudo mesmo). Em 1944 naturalizou-se brasileiro, sendo que chegou aqui em 1939 fugindo da ocupação nazista na Bélgica onde havia se estabelecido em 1938 após exilar-se de sua terra natal pelo mesmo motivo.

Publicado originalmente como Uma Nova História da Música em 1958 pela Editora Zahar e tendo uma edição atualizada pelo autor em 1968 quando ainda não tinha o pomposo "livro de ouro" no título acrescentado futuramente pela Editora Ediouro, mas que faz jus completo ao trabalho do autor que tem ainda o subtítulo Da Idade Média ao Século XX já que Carpeaux defende que a música da Antiguidade não teve influência na música ocidental e define a Idade Média como ponto de partida de sua narrativa. O livro perpassa a história da música erudita de maneira muito objetiva sendo que além de narrar os acontecimentos, Carpeaux acrescenta suas visões críticas (embora ele as apresente como um consenso e eu não concorde com boa parte delas) de cada compositor e estilo, seguindo a ideia de uma linha evolutiva da música ocidental. 

Assim como foge da função didática e das explicações técnicas já que como ele mesmo esclarece na introdução não destinar a obra especificamente ao músico profissional, ele também evita as explanações "poéticas" tão comuns quando se trata de falar da maioria dos compositores eruditos que ganham por aí biografias extremamente romanceadas por alguns autores (Beethoven talvez seja a maior vítima disso). Mesmo com toda sua erudição, a escrita de  Carpeaux é simples e direta (porém, repleta de elegância) nesse livro que serve muito bem como um guia de cada estilo e seus principais compositores. Nos últimos capítulos ele inclui uma cronologia de compositores e das obras mais marcantes da história da música erudita. 

Mesmo lido há apenas um ano atrás, tenho o aberto regularmente e revisitado algumas passagens.  

quarta-feira, janeiro 18, 2012

2011 - Os Discos do Ano



Não se deixe levar pelo título enganoso deste post, ele está longe de ser uma daquelas listas picaretas de “melhores” do ano, o fato é que resolvi conferir o que teve de lançamentos de discos em 2011 e descobri (eu já sabia) que além de não ouvir quase nada do que rola na atualidade (até os lançamentos de alguns prediletos da casa ainda não caíram em minhas mãos como o disco do Clapton com Wynton Marsalis e o ballet Ocean´s Kingdom composto por Paul McCartney), o Rock se fez mais presente em livros e shows do que discos em minha vida em 2011, mas a idéia aqui não é outra senão apresentar os discos que me pintaram no ano que se passou, independente do ano em que foram lançados. A lista dos que me lembrei de ter adquirido e valem a pena ser citados e convidados a serem ouvidos é essa:

Nei Lisboa - Vapor da Estação (ao vivo) - 2010

CD promocional lançado em comemoração aos trinta anos de carreira do músico gaúcho  Nei Lisboa juntamente com a turnê de mesmo nome, a qual assisti a duas apresentações, uma em BH em 2010 e outra em 2011 em Porto Alegre que em breve será comentada aqui na lista dos shows que vi no ano passado. O show que consta no disco foi gravado dentro do Projeto Toca Brasil em São Paulo no ano de 2004 e traz canções como Telhados de Paris, Baladas, Dirá, Dirás, Pra Te Lembrar e Cena Beatnik, a única faixa inédita do disco é Vapor da Estação e foi gravada em estúdio em Porto Alegre em 2010. Pop, regional e minimalista. Nei é genial.

Obs: esse cd se trata de um disco de divulgação para a imprensa e foi vendido apenas em alguns shows do Nei, portanto não sei se ainda tem como adquiri-lo facilmente. De qualquer forma os que se interessarem dêem uma passada no site oficial: http://www.neilisboa.com.br/

Beethoven - Complete Works (box com 85 CDs) 2011 - Brilliant Classics

Um desejo antigo era adquirir a obra completa do meu compositor predileto e uma barganha num site gringo ajudou a resolver o problema. Só não sobrou tempo ainda para ouvir tudo como se deve, mas do que ouvi posso destacar a presença dos pianistas Alfred Brendel, Clara Haskil e Friedrich Gulda, o violinista Arthur Grumiaux e o violoncelista Heinrich Schiff. Além das obras mais consagradas pelas quais o compositor é conhecido como as suas sinfonias, quartetos de cordas, as sonatas e concertos com grande destaque para o piano, violino e violoncelo, foi uma grata surpresa tomar conhecimento de algumas obras "menores" de sua lavra como umas peças vocais curtas (que não são necessariamente o ponto alto de sua obra) das quais eu destaco as Irish Songs, algumas composições para grupo de sopros e o uso de bandolim na obra do grande mestre que eu também desconhecia. De repente, quando terminar de ouvir os discos volto a comentá-los aqui.  

Joseph Haydn - Signature Classics (box com 5 CDs) 2008 C&B Productions

Espécie de Greatest Hits do compositor esse box reúne algumas das sinfonias mais conhecidas de Haydn, um dos mestres (pero, no mucho) de Beethoven. Entre as obras, as sinfonias: L' Impériale N. 53 em D, Suprise N.94 em G, La Poule em Gm, The Clock N.1O1 e a London Symphony N.104 em D; e o Quartetos de Cordas N.62 em C "Emperor Quartet". Na interpretação, o Caspar Salo Quartet, a Orquestra Sinfônica de Berlin que aparece numa série de danças germânicas e London Festival Orchestra, entre outras orquestras europeias.


Works Of Stravinsky  - Sony Classics (box com 22 CDs) 2007

Presente da mamãe, esse é outro achado, a obra completa do compositor Igor Stravinsky regida por ele mesmo em sua quase totalidade e com sua presença ao piano em algumas peças. Para os estudantes de música os trechos de alguns ensaios são um ótimo bônus que mostram Stravinsky corrigindo algumas interpretações dos músicos e sugerindo como deve soar o fraseado de determinadas passagens. Na maior parte das obras a orquestra é a Columbia Symphony Orchestra com destaque para CBC Symphony Orchestra que também aparece com frequência e a Royal Philharmonic Orchestra na ópera The Rake's Progress. Quando Stravinsky não comanda a batuta quem rege é seu amigo Robert Craft. Os notórios ballets, The Firebird, Petrushka e Le Sacre du Printemps dispensam comentários, pelo menos os meus, que cito aqui a Sinfonia em E-flat Op.1 e as Miniature Masterpieces entre as que mais me agradaram no pacote que ainda também não terminei de ouvir. Ah, não poderia deixar de destacar a presença do grandessíssimo violonista brasileiro Laurindo de Almeida na série Four Songs.


Paul McCartney - RAM - 1971 EMI

Ok, minha lista de discos de 2011 inclui um álbum lançado 40 anos antes, mas eu disse que era simplesmente uma lista de discos adquiridos no ano, né? E por ironia quase que eu não incluía um disco de rock no pacote. Esse foi um presente do Sr. Francisco que é um velho bêbado que costuma frequentar os mesmos “butecos” (e por coincidência também as mesmas mesas de “buteco”) que eu. Disco do cara provavelmente mais citado neste blog, veio em boa hora numa edição em vinil que já tinha espaço reservado na estante.
Too Many People, Heart Of The Country, Uncle Albert/Admiral Halsey com arranjo do velho parceiro George Martin (que acabou por ganhar o Grammy de melhor arranjo pop do ano) estão nele, além de uma das minhas canções prediletas e pouco lembradas de Paul: Dear Boy. De quebra uma daquelas baladas como só Paul sabe fazer, The Back Seat Of My Car na qual o baterista Denny Seiwell que considera Ram o melhor disco já produzido por Paul, diz ter se inspirado na música brasileira para gravá-la.

Em tempo: a expressão Ram On, título de uma das músicas do álbum Ram (carneiro em inglês, o bichinho que Paulie segura na capa do disco) significa "entrar de cabeça", "ir fundo", "meter a cara", "ser positivo" então essa fica sendo a mensagem (ainda que tardia) aos leitores do rockngeral para o ano que se inicia... e paciência, muita paciência... aliás, quem tiver p'ra vender me avise que eu 'to comprando. 

quinta-feira, março 08, 2007

The Space Within Us - Paul McCartney





Workaholic. Essa é uma boa expressão para se definir Paul McCartney, ele mesmo já se declarou viciado em trabalho, e não é difícil comprovar esse fato observando a quantidade de feitos que o mais ativo dos Beatles vem produzindo ao longo de sua carreira. No mais recente, o DVD The Space Within Us, a exemplo do anterior Back In The US, temos as imagens de shows intercaladas com depoimentos e bastidores, sobrando ainda passagens de sons, o vídeo usado para a entrada de Paul no palco e um making of nos bônus até porque o workaholic McCartney adora se mostrar trabalhando. Entre os depoimentos de fãs e famosos, só declarações que massageiam o ego do vaidoso Paul (pelo menos ele tem motivos para o sê-lo), desde o ex-presidente norte-americano Bill Clinton, passando por Lenny Kravitz, Paul Stanley (Kiss), Eddie Vedder (Pearl Jam), e o pessoal da produção; em alguns momentos o ator Jack Nicholson aparece vibrando como se estive em um jogo do seu Los Angeles Lakers; e por ali desfilam Beyoncé, Jay-Z, Steven Tyler (Aerosmith), James Taylor, Herbie Hancock até o celébre cantor de jazz Tony Bennett que ao ouvir Paul solfejar uma canção no backstage declara que não canta tão bem assim como Paul. Vai saber...

Extremamente à vontade Paul brinca até com o tombo que levou na segunda noite da turnê em Tampa na Flórida quando caiu no buraco de onde subia o piano. As câmeras todo o tempo mostram closes do público acusando a diversidade de fãs que o homem coleciona, famílias inteiras, duas, três gerações, todas as etnias aparecem sorridentes, chorando de emoção, dançando, cantando, enfim, fazendo aquilo que boas canções despertam.


O título que sugere uma viagem ao nosso íntimo também se aplica ao espaço sideral, o chamariz do título se refere ao fato de astronautas da NASA terem sido acordados ao som de uma canção dos Beatles ("Good Day Sunshine") quando retornavam á Terra, tendo ainda as cenas de Paul tocando ao vivo para os astronautas na Estação Espacial Internacional. Para os fãs as cerejas do bolo são as canções dos FabFour que ainda não haviam sido tocadas ao vivo (sempre tem uma) “I´ll Get You”, “Please, Please Me”, “Fixing in a Hole” , “I Will”, “She Came Through The Bedroom Window” e ainda a canção “Too Many People” dos Wings. As canções do último álbum de estúdio, o excelente “Chaos and Creation In The Backyard”, reforçam as novidades para quem já vive no encalço dos vídeos lançados pelo artista, “Fine Line”, “English Tea”, “Follow Me”, “Jenny Wren”; já “Friends To Go” e “How Kind Of You” são mostradas durante passagens de som.

Outro detalhe denunciado no vídeo é a separação de Paul da ex-modelo Heather Mills, logo no início Paul aparece caminhando sozinho e fazendo divagações a respeito da imaginação, da infância, do espaço e da realidade, no DVD anterior, Heather estava ao seu lado todo o tempo qual uma Yoko Ono e seu John Lennon, no final eis novamente o Paul solitário caminhando em uma longa e sinuosa estrada no campo. Enquanto teóricos tentam provar o poder terapêutico da música, Paul parece estar se auto medicando com suas canções e com seu trabalho.

Comparado aos gênios da composição como Bach e Beethoven, Paul prefere se declarar um trabalhador... E quem disse que eles não eram trabalhadores? E quem disse que Paul não é um gênio?


Fotos: Capa do DVD The Space Within Us, Paul e os astronautas Bill e Valery (no telão) e Paul e seu legendário Hofner Bass