sábado, fevereiro 11, 2012

Só Pra Lembrar: Nei Lisboa – Teatro Renascença, Porto Alegre 18/01/2011




Eu costumo manter pequenos diários de trabalho e de viagem eventualmente. No caso de alguns trabalhos específicos como produção de eventos e gravações a idéia é ter um guia do que foi feito, o período gasto para a realização da empreitada e ainda um relatório de erros e acertos. Já em relação às viagens acho que isso se deu por influência dos livros “Diário de Viagem” de Albert Camus e “Pequenas Alegrias” de Hermann Hesse. E a coisa funciona bem, normalmente essas simples anotações me trazem muito mais lembranças do que fotos ou souvenirs. Dessa vez para comentar sobre um show do Nei Lisboa em janeiro de 2011 procurei umas dessas anotações feitas durante uma viagem a Porto Alegre e ao invés de escrever uma resenha resolvi postar o que escrevi no quarto de hotel ao chegar do show numa noite agradável (suportável) de segunda-feira de verão (quente, quente, quente...aliás, saudades de “Forno” Alegre).

“Show do Nei Lisboa, Teatro Renascença lotado. Jogar em casa normalmente é garantia de casa cheia. Infelizmente no show dele em BH no ano passado pelo que eu acredito ter sido resultado de uma má divulgação, a platéia era formada por cerca de apenas 30 pessoas naquele que foi seu primeiro show na capital mineira, parte dessa mesma turnê intitulada “Vapor da Estação” celebrando seus 30 anos de carreira. Durante o show, Nei que estava fazendo aniversário recebeu um bolo trazido por sua filhinha Maria Clara. Ótimo show, a banda é realmente muito boa. Fiquei na primeira fila bem na posição central. Assim como em BH tive a oportunidade de levar um dedo de prosa novamente com ele no final do espetáculo. Durante a conversa me apresentei como um dos dois loucos (o outro era meu amigo Rodrigo “Cassandra”) que ficaram cantando alto e “interagindo” com ele durante todo o show dele na cidade. Nei se lembrou que eu havia comentado com ele sobre sua música intitulada “Me Chama de Robert”, expliquei que me identifiquei com a música antes mesmo de saber qual era o título que por coincidência levava meu nome e perguntei a origem do “Robert” como gíria, ele explicou que o tal Robert da canção se tratava de um americano que morou em Porto Alegre e depois de tomar um porre saiu bêbado cismando que era “o tal” e falando as bobagens da letra. A brincadeira durou cerca de um mês e depois ficou esquecida quando o gringo foi embora. Disse ao Nei que era uma gíria nacional. Descobri isso num show meu quando um integrante de uma banda amiga subiu ao palco para uma participação e uns amigos dele ficaram zoando chamando-o de “Robert”, sem entender nada, fui saber depois que se tratava de uma gíria para pessoas que gostam de “aparecer”. Já tinha ouvido a gíria também no programa Pânico na TV. Nei achou engraçado e curioso que usassem isso e disse que nasceu dessa turma dele, no entanto até hoje não sei se a origem é a mesma. “Convidei-o” para retornar à BH. O show fez parte de uma temporada que ele costuma fazer em Porto Alegre durante o mês de janeiro tocando no Teatro Renascença”.

Só na hora de preparar o post é que me dei conta que falei mais sobre a música do que o show em si. Mas a intenção era registrar o feeling do momento. Segue a letra com a qual me identifico pela brincadeira e não pela pretensão que ela sugere em tom irônico (é bom deixar isso claro), assim como o texto em terceira pessoa à la Edson Arantes do Nascimento falando do Pelé que consta no meu perfil:

Me chama de Robert (Nei Lisboa)
Quando bebo, bebo até cair
Quando fumo, viro chaminé
Quando faço amor eu quero mais
Quando jogo bola, sou Pelé
Sou fomão
Eu quero, quero, quero, quero
Quero tudo prá mim
Quero mel
É meu, é mel, é meu, é mel
É meu mel
Eu confesso, eu quero é sucesso
Eu me entorto, depois passo mal
Eu me atrolho, depois pago o preço
Eu mereço
Eu sei que sou
Que eu sei que sou
Que eu sei que sou
A mãe do Brasil
Na dedicatória na capa do CD, o Nei escreveu: “Super abraço, Pelé!”. Achei bacana isso, só espero que ele não tenha pensando que eu levo essa estória da música (tão) a sério.

Nas fotos: Nei Lisboa em ação no palco e ao lado comigo e minha amiga e guia (cultural) em Porto Alegre, Jessica. 

sábado, fevereiro 04, 2012

Leitores anônimos




Desde que a plataforma do blogspot passou a disponibilizar um recurso de estatísticas que mostram as visitas ao blog criei o hábito de conferir os acessos após cada nova postagem, o que acabou revelando um número inesperado de visitas. A julgar pelos comentários sempre presentes do meu amigo Baratta e eventualmente de outros amigos quando mando o link de alguma postagem específica que possa interessar-lhes, não pensei que tivesse muitos outros leitores. Não sei se esses visitantes anônimos que têm entrado no blog são realmente leitores do rockngeral ou só caíram aqui casualmente e saíram sem ler, pois eu mesmo costumo dar um giro por outros blogs (alguns eu leio,outros não) nos quais não comento e nem estão na lista de favoritos da minha página. O também novo recurso de clicar no link que direciona aleatoriamente para um próximo blog que aparece no alto da página, responderia por uma parte dos acessos, porém esse link abre o blog na postagem atual e boa parte das postagens antigas também têm sido visitadas constantemente.

A princípio fiquei curioso em saber quem seriam essas pessoas até porque as tais estatísticas apontam certo número de pessoas nos EUA e na Alemanha (?!) que acessam o rockngeral. Brazucas que moram por lá? Nativos que entram acidentalmente e provavelmente sem saber português não lêem nada? Isso se mantém fora do meu alcance e pensando no que acontece com escritores que não sabem exatamente quem são seus leitores resolvi relaxar e simplesmente manter meu prazer que tem sido escrever sobre música através de resenhas de discos, shows e livros com um enfoque crítico, mas me inserindo quase que involuntariamente (inevitavelmente) nos contextos e de tabela falar um pouco sobre o cotidiano também. De qualquer forma, se algum dos anônimos quiser se manifestar fique à vontade. Let's Rock!...'n Geral.



sábado, janeiro 28, 2012

Eric Clapton Por Ele Mesmo





...fechando a série das minhas "leituras musicais" de 2011...

Essa foi uma releitura, tenho esse livro a um bom tempo, na pressa de escolher algo para ler durante uma viagem ao Rio de Janeiro para assistir ao show do próprio Eric Clapton saquei-o da estante. A edição é de 1993.

Eric Clapton Por Ele Mesmo é o vigésimo título de uma série lançada pela Editora Martin Claret, os demais volumes apresentam outros ícones do mundo das artes, bem como políticos e pensadores e apesar do que sugere o título, não se trata de um texto assinado pela personalidade enfocada, o "por ele mesmo" fica por conta do conteúdo de entrevistas. O livro é uma espécie de clipping, já que reúne uma coletânea de recortes extraídos de matérias publicadas em jornais, revistas e outros livros. O texto é disposto em duas colunas por página numa tentativa de tornar a leitura “fácil” e “agradável” como diz a nota introdutória da editora que sempre teve um perfil meio popularesco mesmo, tanto na formatação de texto quanto nas capas dos seus livros (no caso dessa série até que não chegam a ser das piores, mas como já disse o escritor Hermann Hesse, “as capas servem para expor o livro na vitrine e vender, eles devem ser encadernados”, mas não acho que esse é o caso para as edições da Martin Claret).

O autor de Eric Clapton Por Ele Mesmo é na verdade o jornalista e pesquisador Ayrton Mugnaini Jr., um "velho conhecido meu" por outros livros que ele assina sobre músicos brasileiros e estrangeiros, bons trabalhos, diga-se de passagem. Ele escreveu os capítulos “Um Estudo” sobre a carreira e origens musicais de Clapton, o “Perfil Biográfico” e a “Cronologia”.

O capítulo intitulado “Por Ele Mesmo” é composto por uma série de entrevistas e recortes de declarações de Clapton à imprensa e como não poderia ser diferente, é a cereja do bolo, contendo uma longa entrevista à revista Guitar World da época do lançamento do disco Journeyman (1989). Uma entrevista publicada originalmente pela Rolling Stone é da época do lançamento de 24 Nigths (1991), álbum duplo ao vivo com registro de shows no Royal Albert Hall em 1990 e 1991 que coincide com o período da então recém terminada excursão com George Harrison no Japão que também rendeu um álbum duplo ao vivo (e por isso mesmo o ex-beatle acaba sendo o tema principal dessa entrevista), sendo que isso tudo ainda ocorreu pouco tempo depois da trágica morte de seu filho Conor de apenas quatro anos que caiu do 53º andar do prédio em que morava com a mãe em Nova York. A terceira e última dessas entrevistas mais longas foi dada ao jornal O Globo na época de sua primeira vinda ao Brasil em 1991 que também rendeu um capítulo inteiro intitulado “Clapton No Brasil”.  

Na sequência, tem o capítulo “Por Outros” que apresenta pequenos comentários de críticos, músicos e amigos sobre o guitarrista. Para fechar, um capítulo de “Curiosidades” e outro com a discografia.

O livro resulta num bom clipping da carreira de Clapton e o trabalho de pesquisa do autor é bastante eficaz (especialmente em se tratando de uma época em que as informações não se encontravam facilmente disponíveis com uma meia dúzia de cliques), para melhorar, esse livro costuma ser encontrado com um preço super em conta.