domingo, abril 06, 2014

Ana Rennó e Robert Moura - Clube Mineiro da Cachaça, 10/04 (quinta-feira)





Essa semana tem show meu com a cantora Ana Rennó. Vamos tocar no Clube Mineiro da Cachaça, quinta-feira (10/04). O bar fica na rua Mármore, 373, no bairro Santa Tereza. O show começa às 19h30, mas, a casa abre às 18h. O nosso repertório é composto por música brasileira com um destaque para o samba.


Local: Clube Mineiro da Cachaça – http://www.clubemineirodacachaca.com.br/
Endereço: Rua Mármore, 373, Santa Tereza - BH/MG - Fone: (31) 2515-7149
Data: 10/04
Horário: 19h30
Couvert: R$10,00
Info: 3464 8874/8546 4608

segunda-feira, março 03, 2014

Belly - King (1995)





  1. Puberty 
  2. Seal My Fate 
  3. Red 
  4. Silverfish 
  5. Super-conneted 
  6. The Bees 
  7. King 
  8. How They’ll Sleep 
  9. Untitled and Unsung 
10. L’il Ennio  
11. Judas My Heart


Esse foi um dos discos que eu comprei sem conhecer a banda. Não sei se ainda existe quem faça isso, ou até mesmo se algum dia existiu muita gente que o fizesse. Eu tinha (e ainda tenho) o costume de arriscar comprar alguns discos que eu ache que possam ser interessantes e foi o caso deste. Por sorte, ou experiência em fazer esse tipo de seleção (considerando capa, nome da banda e do disco, título das músicas), gostei muito do disco. A banda Belly não teve uma carreira muito longa, esse foi seu segundo e último álbum. Por conveniência considerada como rock alternativo, a banda, na verdade apresenta um rock pop totalmente com cara de rádio e canções com o que se poderia considerar com grande potencial de sucesso para a época. Apesar de originária dos EUA, esse disco alcançou melhor lugar na parada inglesa, e na época, a banda mereceu inclusive elogios de Paul McCartney. Formada pela vocalista, guitarrista e principal compositora da banda Tanya Donelly (ex- Throwing Muses e ex-The Breeders), os irmãos Christopher Gorman na bateria e Thomas Gorman na guitarra e piano, e o baixista e backing vocal Gail Greenwood. 

Nas onze faixas do disco a banda desfila uma sonoridade direta e vigorosa com belas melodias e letras inteligentes (bem acima do que eu considero a média de letras das bandas americanas que nunca me agradaram muito nesse quesito, com uma ou outra exceção). Produzido pelo mais que calejado na área, Glyn Johns, o disco tem ótima sonoridade. Impressionante como esses gringos realmente dominam o processo de gravação e mixagem, mesmo com várias linhas de guitarras usando os mais diversos efeitos, violões, baixo com fuzz, frequentes mudanças de dinâmica, partes bem diferentes em uma mesma música criando as mais variadas texturas, tudo soa em seu lugar, resultando num conjunto perfeito. 

Considero a primeira metade do disco, na verdade um pouco mais do que a metade, mais exatamente até a faixa sete que dá título ao disco bem superior a seqüência final, aonde as músicas tem aquela cara de “música-para-completar-o-cd”. O disco foi gravado ainda numa fase em que o vinil não tinha perdido quase totalmente o mercado para o advento do CD, responsável por uma grande mudança no modo de se organizar as canções dentro de um disco. Antes, existia a preocupação de se equilibrar as primeiras faixas de cada lado com as canções supostamente melhores, deixando o final de cada lado, especialmente do lado B para as faixas teoricamente mais “fracas” ou com menos potencial de sucesso, com o CD essas faixas mais “fortes” passaram a ser apresentadas em ordem direta, a partir da primeira e é o que parece ter acontecido com esse disco. Apesar do que considero uma queda nessa sequência final do disco, a primeira metade é realmente muito boa e vale o disco.

Sinal dos tempos: ainda está conservado junto com o encarte do disco, um impresso da gravadora que eu acho que já estava extinta na época em que o comprei, com uma pesquisa de mercado para sobre alguns dados pessoais e gostos do ouvinte para receber uma mala direta com os lançamentos da mesma via correio.

domingo, janeiro 19, 2014

John Pizzarelli – Meets The Beatles (1998)





Os Beatles têm, uma das obras mais regravadas da história da música pop, senão, a mais regravada de todas, por isso é sempre arriscado lançar-se num projeto do tipo, mas não para John Pizzarelli, o brilhante guitarrista de jazz norte-americano que em 1998 gravou esse que considero o melhor disco de releituras que já ouvi das canções dos FabFour. O disco privilegia claramente as canções de Paul McCartney. Poderiam ser consideradas como “mais do Paul” como ele mesmo diz em sua biografia Many Years From Now, dez das doze faixas do disco, ficando as exceções para “You´ve Got To Hide Your Love Away” que seria “mais do John Lennon” e “Here Comes The Sun” de George Harrison. “Can’t By Me Love” abre o disco com um clima dançante dando destaque aos metais, incluindo um solo de clarinete de Ken Peplowski e outro de guitarra e voz de Pizzarelli. Ela soa como uma trilha sonora dos filmes de Woody Allen, eu posso visualizar o início de alguns de seus filmes enquanto ouço. “I´ve Just Seen A Face” segue na mesma linha mais animada, mas agora o piano de Ray Kennedy, integrante do John Pizzarelli Trio ao lado do irmão do guitarrista, Martin Pizzarelli no contrabaixo, toma a dianteira. Impressionante como a levada do trio consegue manter o balanço e fazer com que você não sinta falta da bateria. “Here Comes The Sun” surge numa levada meio bossa com um belo solo de sax executado por Harry Allen. Pizzarelli literalmente se apropria das canções de tal forma que parecem terem sido compostas originalmente como se fossem jazz, “Things We Said Today” confirma isso através inclusive do fraseado de John nos vocais que também é um grande cantor. “You’ve Got To Hide Your Love Away” tem versão guitarra e voz com John Pizzarelli dando uma amostra do seu estilo de tocar, com harmonia e solos muito bem arquitetados. “Eleanor Rigby” aparece em versão instrumental onde reina a guitarra de Pizzarelli que provavelmente agradou muito ao Sir Paul com o disco e ano retrasado o convidou para tocar em seu álbum “Kisses On The Bottom” aonde o beatle fez o caminho inverso e gravou releituras de alguns standards do jazz (leia os comentários a respeito desse disco clicando aqui). 

 “And I Love Her” tem um quê de música latina, tanto que Paul sempre a toca em seus shows no Brasil. Interessante notar que a orquestração e a levada meio “abolerada” lembra mais a gravação de Roberto Carlos em 1984 do que a dos Beatles. Embora gravada em 1967 no álbum Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, “When I Sixty-Four” começou a ser composta por Paul quando ele tinha aproximadamente 15 anos de idade, e segundo ele, na ocasião não pensava em compor rock e sim um jazz para Frank Sinatra. Pizzarelli acentua a intenção de Paul que compôs ainda nos anos 60, “Martha My Dear” e “Honey Pie” que já tinham influências jazzísticas, ambas presentes no “White Album”. “Oh Darling” soa como música de strip-tease, durante o solo a guitarra de Pizzarelli dialoga com o trompete de Barry Ries. Em “Get Back”, Pizzarelli solta um pouco da sua veia rock tanto na pegada da guitarra quanto do vocal, a bateria de TonyTedesco também merece destaque. “The Long And Winding Road”  ganhou uma versão com uma belíssima orquestração de Don Sebesky que divide a produção com Pizzarelli. John encerra o álbum com “For No One”, outra tocante melodia de Paul McCartney.

Apesar de lançado em 1998 e eu ter ouvido algumas faixas no rádio durante esses anos, somente há cerca de dois meses ouvi esse disco na integra, depois de comprar o cd ao encontrá-lo por acaso num sebo, dá uma sensação enorme de arrependimento (ainda bem que ele não mata) por não tê-lo comprado há 15 anos na ocasião do lançamento. No encarte, Pizzarelli agradece a John, Paul, George e Ringo por redefinirem a canção popular para todas as gerações. Ele por sua vez, ajudou a levar a música dos Beatles para mais um estilo da música popular.