segunda-feira, janeiro 07, 2008

BARÃO VERMELHO – POR QUE A GENTE É ASSIM - A maior banda de Rock´n´Roll do Brasil registra sua história em livro






O lançamento do livro Barão Vermelho – Por Que A Gente É Assim, escrito pelo baterista Guto Goffi em parceria com Ezequiel Neves e o jornalista Ricardo Pinto rendeu um super show em formato jam session no Circo Voador no dia 11 de dezembro de 2007, com os integrantes que já passaram pela banda, trazendo ao palco todas suas formações, exceto claro, a ausência de Cazuza.

A noite foi aberta com uma sessão de autógrafos que contou com os autores e os integrantes atuais da banda embora o Barão esteja novamente “dando um tempo” enquanto os integrantes se dedicam a projetos individuais. Guto bancou o apresentador sempre convidado os integrantes ao palco num show com um clima intimista e totalmente alto astral que começou com a formação que contava com ele mesmo na bateria, Maurício Barros com quem iniciou a banda nos teclados, Tony Rockeiro na guitarra e Cláudio Kayath no baixo que foi a formação pré-histórica da banda. Eles fizeram um número instrumental improvisado. Foram convidados ao palco então o baixista Dé, e Frejat anunciado por Guto como o principal compositor da história da banda. Aí rolaram canções sempre seguindo a ordem cronológica dos discos e suas formações na época. “Bilhetinho Azul” essa apenas com acompanhamento instrumental da guitarra de Frejat na primeira parte e os demais integrantes fazendo os backing vocals para assumirem seus respectivos instrumentos na segunda parte da canção. “Posando de Star” teve Dé no vocal, Sérgio Serra foi chamado ao palco para as canções “Billy Negão” e “Ponto Fraco” ainda do primeiro disco da banda auto intitulado “Barão Vermelho” de 1982. Do álbum “Maior Abandonado” tocaram a faixa título e “Bete Balanço”. Na seqüência tocaram “Declare Guerra” do álbum homônimo, deixando o álbum “Rock´n Geral” de fora. Sem o tecladista Maurício Barros que havia deixado a banda na ocasião do lançamento de “Carnaval” entra em cena “a guitarra inspirada” Fernando Magalhães e o percussionista Peninha, executaram “O que você faz á noite”, parceria de Dé com o Engenheiro do Hawaii Humberto Gessinger. Direto para o disco “Na Calada da Noite” (o álbum anterior havia sido o “Ao Vivo” com os sucessos do grupo) tocaram agora com a presença do baixista Dadi, depois de Dé ter abandonado o barco e o retorno de Maurício Barros, “Tão Longe de Tudo” (com direito ao solo de baixo de Dadi) e “O Poeta Está Vivo”. Para a seqüência do show entra no palco o baixista Rodrigo Santos que assumiu as quatro cordas com saída do “leãozinho” Dadi que foi prestar seus serviços ao mano Caetano. “Pedra, Flor e Espinho” foi a escolhida do disco “Supermercados da Vida”. De “Carne Crua” mandaram “Meus Bons Amigos”. Pulando também o disco “Álbum” de releituras, tocaram “Por Você” do disco “Puro Êxtase”, curiosamente não tocaram nenhuma do disco “Barão Vermelho” de 2004. Para fechar, “Pense e Dance” (com os três baixistas que passaram pela banda tocando juntos) e “Pro Dia Nascer Feliz” com participação de Sérgio Serra deixando a banda também com três guitarras. Depois passaram pelo palco mini-shows com os projetos paralelos de cada integrante (exceto Frejat), Rodrigo mostrou seu projeto solo e também tocou com “Os Britos” (um cover de Beatles totalmente descompromissado) que tem Guto na bateria e o “Kid Abelha” George Israel na guitarra. Fernando apresentou canções instrumentais de seu cd virtual. Maurício também divulgou seu trabalho solo assim como Dadi que encerrou a noite com muita digniDADI (péssimo trocadilho, Guto, hauahuahuahua) já para poucos presentes, embora o Circo estive lotado durante a apresentação do Barão.

Então vamos ao livro que tem orelha assinada por Ney Matogrosso um dos responsáveis pelo aparecimento do Barão no cenário nacional ao regravar a música “Pro Dia Nascer Feliz”. “Barão Vermelho Por que a gente assim” tem seu título emprestado da canção assinada em parceria por Cazuza e Frejat e lançada no segundo álbum da banda “Barão Vermelho 2” e começa exatamente no momento em que Guto Goffi e Maurício Barros decidem montar uma banda, o livro é entremeado por recortes de jornais e revistas; e fotos históricas e raras da banda. Fala de todos os discos lançados (eu acho que isso poderia ter sido mais bem explorado com um faixa a faixa mesmo); os shows mais importantes, desde os primórdios no Circo Voador, aos grandes festivais, como o Rock In Rio I e III (não deixando de citar a segunda edição do festival que eles se recusaram a participar devido ao tratamento dada as bandas brasileiras como a impossibilidade de passar o som), Hollywood Rock ou a abertura para os Rolling Stones em 1995 (que tive a honra de ver naquele dia chuvoso no Pacaembu, ouvir “Quando” e “Quem me olha só” debaixo daquela chuva que durou mais de seis horas foi algo único); juntando-se a isso as furadas turnês em território norte-americano.

Os escritos revelam as polêmicas e envolvimentos com drogas como a prisão, as trocas de integrantes desde a traumática saída de Cazuza e todas as loucuras que podem ser vividas por uma banda de Rock´n´Roll nas estradas da vida. Embora curiosamente muito à vontade para falarem de drogas, o sexo parece ter sido o grande tabu para os hoje barões senhores e pais de família já que nada aparece sobre isso no livro, a não ser por algumas citações sobre casos de Cazuza (não que eu tenha maiores interesses na vida sexual dos barões ou que biografias devam ter seção de fofocas, mas é interessante constatar como as drogas são tratadas com tamanha naturalidade e nenhuma responsabilidade social enquanto sexo permanece um tabu).

No mais, o livro é ótimo e seria interessante termos mais publicações assim mostrando a história da nossa música e também é bom ter um pouco de acesso e saber como funciona a chamada indústria fonográfica brasileira (“pornográfica” como eles chamam no livro). Vida longa ao Rock´n´Roll, vida longa ao Barão Vermelho!!!


Fotos: a capa do livro; e no palco do Circo Voador: Frejat, Dé, Maurício e Guto; Frejat ; Frejat, Guto, Ezequiel Neves e Rodrigo Pinto na sessão de autográfos. Fotos by Bruna Mariana

sábado, dezembro 15, 2007

The Police para quem precisa


Oito de dezembro, fatídico dia do assassinato de John Lennon em 1980 e da morte de Tom Jobim em 1994, a partir de 2007 a data passa a ter um significado musical positivo, pelo menos para mim e para quem teve a oportunidade de estar presente no maravilhoso show do The Police no Rio de Janeiro. Que porrada na cara!!! Depois de apagarem as luzes e os alto-falantes ecoarem a voz de Bob Marley cantando “Get Up, Stand Up”, às 21h30min em ponto eles entraram no palco como previsto (ah, se os shows brasileiros tivessem essa pontualidade). Antes passei pelo martírio que foi entrar no Estádio Jornalista Mário Filho, vulgo Maracanã (ah, se os shows brasileiros NÃO tivessem essa desorganização). Já acostumado com esse tipo de situação procurei manter o bom humor.

Logo na primeira música do show "Message In A Bottle" a banda já mostrou a que veio e sinceramente só essa abertura já teria valido o show. Na sequência vieram "Sincronicity II" e "Walkin On The Moon" que seguraram o clima empolgado da primeira canção e depois "Voices Inside My Head", "When The World Is Running Down" e "Don´t Close To Me" enquanto a banda desfilava toda a sua elegância musical. Sting arriscava umas frases em português nos intervalos das canções como: "obrigado", “que saudade do Brasil” ou "vocês querem cantar comigo?", até com certa fluência, incomum nos roqueiros ingleses que baixam na terra de Machado de Assis, por certo, resultado do antigo namoro com o Brasil através das amizades com o já citado compositor Tom Jobim ou os tempos de Floresta Amazônica com o Cacique Raoni. E o deleite seguia com "Driven To Tears", "Hole In My Life", "Truth Hits Everybody". Apesar do longo intervalo de mais de vinte anos a banda manteve no palco uma unidade ímpar numa combinação perfeita de técnica e emoção, com a bateria precisa de Copeland, os grooves de baixo marcantes e dançantes de Sting, e as belas texturas e solos de guitarra de Summers, tudo executado de forma bastante sedutora. Dispensáveis comentários para o equipamento, som, telões e todo o aparato técnico.

Outra coisa que descobri ou só agora me liguei para isso, é o fato de como o show deve ser diferente de acordo com o local na plateia que você se encontra, não apenas pela visibilidade do palco ou pelo som, mas sim pelas pessoas ao redor, nesse aspecto eu imagino que não haveria em todo o Estádio posicionamento melhor, cercado por verdadeiros fãs da banda que dançavam e cantavam todas as canções, entre elas uma garotinha de uns 12 anos e uma italianinha para lá de empolgada. Lulu Santos estava certo: “cada público tem o show que merece!”. Acho que os únicos que não mereciam é a já comum área VIP (formada por pseudo-celebridades que sequer conhecem o trabalho dos artistas e vão mais para aparecer na coluna social no dia seguinte ou em matérias tolas na TV dizendo que não conheciam a banda, ou cantando uma frase errada de uma canção que por ventura tenha sido tema de novela) que ficou numa posição privilegiada não permitindo um acesso muito próximo ao palco dos admiradores reais e que pagaram um alto preço pelo ingresso embora cada centavo tenha valido a pena. 

A banda ainda tocou uma saraivada de hits alucinantes um após o outro, “Every Little Thing She Does Is Magic” (minha predileta), “Wrapped Around Your Finger”, “De Do Do Do De Da Da Da”, “Invisible Sun”, “Walking In Your Footsteps”, “Can't Stand Losing You”, “Roxanne”, “King Of Pain” (numa versão que superou de longe a original) e “So Lonely” para encerrar no bis com “Every Breathe You Take” sempre com os improvisos que só um trio tem liberdade pra fazer, e mais do que liberdade eles têm uma extrema competência.

Ainda que pareça clichê, no show realizado no Rio durante o verão, tudo cheirava a alegria, carnaval e sensualidade. Se dois amigos chamaram o show de Roger Waters em fevereiro de orgasmo estético posso afirmar que esse show também foi um orgasmo, mas sexual mesmo.

quinta-feira, agosto 30, 2007

Deixando Fluir – Show dos Mutantes em Belo Horizonte 05 de julho de 2007




Confesso que nunca fui fã dos Mutantes, gosto de uma canção ou outra, a banda sempre me pareceu exageradamente pretensiosa, muito embora eu sempre tenha nutrido interesse pelo trabalho do guitarrista Sérgio Dias por mais contraditório que isso possa parecer. Curto algumas coisas da mala Rita Lee, mais o pop dos anos 80 do que o rock dos 70 embora tenha vários bons momentos, mas por algum motivo resolvi ir ao show da formação atual (ingresso barato talvez) que me pareceu não agradar muito aos fãs de plantão (normal). Ah, para fechar o pacote, também nunca admirei nem um pouquinho (mas nem um pouquinho mesmo) a Zélia Duncan, atual vocalista. Apesar de tudo vi uns trechos do show em Londres na tevê e agradei. Depois de um desencontro na hora de comprar os ingressos por parte da minha amiga Natália, descobri que já haviam esgotado. Por mim tudo bem, eu não fazia questão realmente de ver o show e decidi mesmo ficar em casa. Às 18 horas, a Camila (outra amiga, mala igual a Rita Lee) me liga e propõe que a gente vá ao show pois sempre rola uns ingressos na porta, sabe como é...e seguindo a minha filosofia atual de deixar fluir, resolvi ir ao tal do show.

Ok, porta do local, “relax”, compro minha primeira lata de cerveja, a espera que o ingresso "venha" as minhas mãos. Vejo uma garota que por instantes penso ser uma conhecida, não era, o que não impediu que ela fosse amiga da minha amiga Natália que acabara de chegar no exato momento que ela negociava um ingresso com uma senhora que tinha dois sobrando (uma grande empresa patrocinava o show e havia distribuído alguns gratuitamente para os seus clientes) e por acaso um desses viria a ser minha entrada para o show.

Pronto. Lá dentro, a banda no palco; tento me situar e me encontrar naquele lugar, me sentindo totalmente um estranho no ninho por não ser fã da banda, tão pouco me identificar com o público, mas a idéia era deixar fluir. Um som embolado no começo não ajudava na percepção dos detalhes do que a banda tocava. Como eu desconfiava, a presença da vocalista Zélia Duncan não era nem um pouco justificável (musicalmente, pelo menos) a não ser por sua presença de palco, animação e sorriso simpático. A participação mais espiritual do que musical de Arnaldo Baptista (por acaso aniversariando no dia) já que um segundo tecladista se encarregava do "trabalho pesado" e seu microfone estava num volume baixo que escondia as notas desafinadas. Sobrou então para o senhor Sérgio Dias, grande motivo de minha ida ao espetáculo na verdade, que literalmente deu um show na guitarra (sua Régulus) com suas frases e timbres criativos. A banda se completa com o antigo baterista Dinho, a percussionista Simone Soul e a garota do backing vocal cujo nome não sei e que talvez não tenha assumido as primeiras vozes para não soar como uma cover da Rita. Lá pela terceira música comecei a entrar no clima ainda que permanecesse totalmente estático no meu lugar.
Grandes momentos foram garantidos com a performance de canções como “El Justiciero”, “Cantor de Mambo”, “Baby”, “Top Top”, “Desculpe, Baby”, “Fuga Nº. II”, “Balada do Louco”, “Meio Desligado”, “Minha Menina”, “Bat Macumba” e “Panis Et Circensis”.

Para meu espanto foi um belíssimo show, emocionate mesmo e a impressão que eu tive foi que assim como eu, a banda estava simplesmente deixando fluir...


A banda agradece ao público e Arnaldo faz suas flexões.