domingo, julho 20, 2014

Paul McCartney – New (2013)





Bem, esse disco já não é tão “new” assim, embora a resenha abaixo tenha sido escrita próximo à data de lançamento, uma das minhas (quase regulares) pausas no blog não me permitiu postá-la na época. De qualquer forma um disco de Paul McCartney é quase sempre atemporal, então segue abaixo minhas “visões” do (ainda) mais recente álbum lançado pelo Sir predileto da casa.

1. Save Us (McCartney/Epworth) - Um riff com guitarra “rasgada” abre o disco num clima alto astral. Rock melódico de primeira. Tem um quê do Paul anos 80, mas também lembra muito o Queen, seja pelo belos backings vocals, como pela levada da música, mesmo o tema me lembra da música Save Me da banda. A criatividade melódica de Paul dá sinais de que nunca irá acabar.

Paul McCartney: vocais, guitarras, baixo
Paul Epworth: bateria
Produção: Paul Epworth

2. Alligator (McCartney) - Tem um pouco da sonoridade do Paul dos anos 90, na linha do seu disco Off The Ground. Dessa vez os vocais vão para uma linha meio Beach Boys. Novamente, um banho de melodia com variações inesperadas como o refrão que surge como um breve e belo interlúdio vocal. Curiosamente como na letra anterior Paul fala em precisar ser salvo: “I want someone who can save me” (Eu preciso de alguém que possa me salvar).

Paul McCartney: vocais, baixo, guitarra, glockenspiel, percussão, sintetizador, celesta, play-me-a-song book
Rusty Anderson: guitarra
Brian Ray: guitarra
Paul 'Wix' Wickens: teclados
Abe Laboriel Jr.: bateria
Produção: Mark Ronson
  
3. On My Way To Work (McCartney) – A primeira balada do disco traz o mesmo misto de sonoridade vintage e moderna das faixas anteriores. Violões e guitarras fazem a linha de frente, bem como executam belas frases que entremeiam a canção. 

Paul McCartney: vocais, baixo, violão, guitarra, ciguitar, piano, bateria
Rusty Anderson: guitarra
Brian Ray: guitarra
Paul 'Wix' Wickens: guitarra, piano, acordeom
Toby Pitman: programação
Cathy Thompson, Laura Melhuish, Patrick Kiernan, Nina Foster: violinos
Peter Lale, Rachel Robson: violas
Caroline Dale, Katherine Jenkinson, Chris Worsey: violoncelos
Richard Pryce, Steve McManus: baixos
Produção: Giles Martin

4. Queenie Eye (McCartney/Epworth) - Um órgão solitário introduz a canção dando a sensação que ouviríamos uma balada, mas a entrada dos vocais e demais instrumentos levam a música para um lado inesperado: um rock psicodélico que ecoa com a fase Magical Mystery Tour, lembrando mais John (de I`m the walrus) e George (de Blue Jay Way) do que Paul (embora eu ouça nela algo meio You Never Give me you Money).

Paul McCartney: vocais, baixo, guitarras, lap steel guitar, piano, Moog, sintetizador, Mellotron, meia-lua
Paul Epworth: bateria
Produção: Paul Epworth

5. Early Days (McCartney) - Balada acústica, muito a ver com o disco Flaming Pie. Ao longo do disco Paul parece estar passeando por momentos distintos de sua carreira e de algumas de suas influências. A letra fala dos primeiros tempos ao lado de John: “Dressed in black from head to toe/Two guitars across our backs/We would walk the city roads/Seeking someone who would listen to the music/That we were writing down at home” (Vestidos de preto da cabeça aos pés/Dois violões em nossas costas/Queríamos andar pelas ruas da cidade/Procurando alguém para ouvir as músicas/Que estávamos escrevendo em casa). Mais uma bela homenagem de Paul ao velho amigo.

Paul McCartney: vocais, violão
Rusty Anderson:
violão
Brian Ray: dulcimer
Bill Black:
baixo, harmônio, percussão
Ethan Johns:
bateria
Abe Laboriel Jr.: backing vocals
Produção: Ethan Johns
Co-produção: Giles Martin

6. New (McCartney) - Foi lançada como o single do disco. Quando ouvi pela primeira vez eu disse: tudo a ver com Beatles de 66/67! Ao que um amigo retrucou dizendo que lembrava mais Beach Boys. Depois de reouvir concordei, mas o fato é que as duas bandas no auge de suas carreiras andaram trocando influências de forma que acaba virando um ciclo. Os vocais, especialmente no final são definitivamente muito Pet Sounds de Brian Wilson e sua turma.

Paul McCartney: vocais, baixo, piano, cravo, Mellotron, órgão Wurlitzer, congas, maracas, bouzouki
Rusty Anderson: backing vocals, guitarra, bouzouki
Brian Ray: backing vocals, guitarra
Abe Laboriel Jr.: backing vocals, bateria
Paul 'Wix' Wickens: backing vocals
Steve Sidwell: trompete
Jamie Talbot: saxofone tenor
Dave Bishop: saxofone barítono
Produção: Mark Ronson Co-produção: Giles Martin

7. Aprecciate (McCartney) - meio lounge, tem a ver com o Mcartney II, mas vai também para a linha dos projetos paralelos de Paul, como o Fireman e seus flertes com a música eletrônica. Dá uma variada estratégica no clima do disco, como se precisasse. Dá para ver que o cara ainda pensa musicalmente em termos do conceito de um álbum. 

Paul McCartney: vocais, ciguitar, teclados, bateria
Rusty Anderson: backing vocals, guitarra, bouzouki
Brian Ray: backing vocals, guitarra, guitarra barítono
Abe Laboriel Jr.: backing vocals, bateria
Toby Pitman: programação
Produção: Giles Martin
  
8. Everybody Out there (McCartney) - O rock volta à tônica. Uma aula de como compor, arranjar, gravar e produzir uma música pop de qualidade. Só que não parece tão simples quando você tenta fazer em casa.

Paul McCartney: vocais, baixo, guitarra, violão, teclados, piano, Mellotron
Rusty Anderson: guitarras
Brian Ray: guitarras
Paul 'Wix' Wickens: teclados
Abe Laboriel Jr.: bateria
Toby Pitman: programação, teclados
Giles Martin: foot stamp (batidas de pé)
Família McCartney: vocais
Cathy Thompson, Patrick Kiernan, Nina Foster, Laura Melhuish: violinos
Peter Lale, Rachel Robson: violas
Caroline Dale, Katherine Jenkinson, Chris Worsey: violoncelos
Steve McManus, Richard Pryce: baixos
Eliza Marshall, Anna Noakes: flautas
Produção: Giles Martin

9. Hosanna (McCartney) - Outra balada conduzida por violões, um velho efeito de flanger que andou passeando em outras canções do álbum reaparece nessa faixa.

Paul McCartney: vocais, baixo, violão, guitarra, bateria, tape loops
Ethan Johns: iPad tambora app
Produção: Ethan Johns

10. I Can Bet (McCartney) - Uma dose do lado mais soul de Paul aparece nessa faixa bem dançante. 

Paul McCartney: vocais, baixo, violão, guitarra, Moog, órgão Wurlitzer, bateria, percussão, tape loops
Rusty Anderson: guitarra
Paul 'Wix' Wickens:
órgão Hammond
Toby Pitman:
programação
Produção: Giles Martin

11. Looking At Her (McCartney) - Balada romântica cheia de charme, cantada de forma sussurrada. Tem uma textura instrumental moderna com programação eletrônica usada sob medida.

Paul McCartney: vocais, baixo, guitar, Mellotron, Moog, bateria, percussão
Rusty Anderson: guitarra
Toby Pitman: programação, teclados
Produção: Giles Martin

12. Road (McCartney/Epworth) - Usados de forma intensa em todo o disco os teclados conduzem essa música que também vai um pouco para a linha do lounge e da new wave e encerra a edição padrão do cd.

Paul McCartney: vocais, piano, teclados, celeste, percussão
Paul Epworth: baterias
Produção: Paul Epworth

Bônus Deluxe Edition:


13. Turned Out (McCartney) - Mais um rock empolgante do disco. Presente apenas na edição deluxe.

Paul McCartney: vocais, baixo, guitarra, teclados, sintetizador, tubular bells, bateria, percussão
Ethan Johns, Rusty Anderson, Brian Ray: guitarras
Abe Laboriel Jr.: backing vocals, bateria
Produção: Ethan Johns Co-produção: Giles Martin

14. Get Me Out Of Here (McCartney) - Presente também apenas na edição deluxe, essa balada country fecha o pacote. Como já fez antes em outros discos, Paul incluiu no final dessa música uma faixa “escondida”. O nome da décima quinta canção do disco é “Scared” e tem apenas Paul cantando e tocando piano. Uma balada despretensiosa, mas que não deixa de ser mais uma amostra do excepcional padrão de composição de Paul. 

Paul McCartney: vocais, violão, ngoni, washboard
Rusty Anderson: garrafa d’água
Brian Ray: backing vocals, congas
Abe Laboriel Jr.: backing vocals, djembe, bumbo
Produção: Giles Martin

New não apresenta necessariamente um “novo” Paul, mas o “velho” Macca que sempre está ligado ao que está rolando. Fato confirmado pela presença de jovens produtores como Giles Martin (filho de George Martin, o lendário produtor dos Beatles, e que já produziu Jeff Beck, Elvis Costello, Kate Bush), Paul Epworth (Adele, Primal Scream), Mark Ronson (Nikka Costa, Lily Allen, Amy Winehouse, Adele, Duran Duran), Ethan Johns (Kings Of Leon, Joe Cocker, Counting Crows, Jayhawks). Não é nenhuma novidade também, mas ele mantém a exploração de instrumentos não convencionais no rock como fez tantas vezes com os Beatles, Wings ou em carreira solo, sejam eles típicos de regiões africanas como ngoni, djembe ou da Grécia como o bouzouki; a tábua de lavar roupas “washboard” de origem no blues norte-americano; uma percussão eletrônica executada num iPad; a sua ciguitar, aquela guitarra em formato de caixa de charutos que ele usou na apresentação e gravação da música “Cut Me Some Slack” com o Nirvana; e mesmo instrumentos de brinquedo como o “play-me-a-songbook”. Ao mesmo tempo, Paul não abandona a raiz de seu passado musical. Não é à toa que ouvimos referências ao Queen e Beach Boys e também à banda predileta dos integrantes do Queen, assim como de Brian Wilson, líder dos Beach Boys e fatalmente a banda predileta de Paul, os Beatles.

4 comentários:

  1. Camila Pereira8/18/2014 8:26 AM

    Sabe que eu não compro mais CDs, e no entanto, tive que comprar a edição Deluxe de "New". Gostei muito desse álbum, e minha favorita é "On my way to work", que me dá uma felicidade inexplicável quando a escuto. Enquanto esse "véio" querido Sir existir, eu vou gastar dinheiro na loja de CDs. E adorei o post, gostei de tu ter ressaltado a sonoridade de cada canção relacionando a algum álbum antigo do "Véio". Um New não tão New assim.

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  2. Como assim você não compra mais CDs, Camila? Só compra vinil ou não compra mais discos em geral? Eu não vivo sem eles.

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  3. Camila Pereira8/19/2014 1:21 PM

    Sei lá, eu dou preferência para o vinis mesmo, e os cds eu costumo baixar. Sei que não é o mesmo, mas só compro CD de álbuns que são obrigatórios pra mim. Antes do NEW, o último que comprei foi aquele do Sinatra com o Jobim <3 E também compro quando o preço compensa também.

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  4. Ah sim, eu também dou preferência aos vinis. Compro o CD quando não tem o vinil disponível (ou em alguns casos que fica mais em conta mesmo).

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